Bom, hoje é dia dos namorados. Os restaurantes estão lotados, as floriculturas faturando bem mais que no resto do ano, várias pessoas estão trocando presentes e palavras de carinho, cartões estão sendo escritos... Sabemos que este dia é apenas uma convenção, mas ainda assim ele mexe bastante conosco. Celebrar a alegria de um relacionamento não é apenas uma coisa boa, é mesmo fundamental.

Neste dia, quero dirigir algumas palavras a você que está namorando. Tudo aquilo que descrevi acima é muito belo, mas só tem valor se for a tradução simbólica de um relacionamento verdadeiro e sadio.
Farei sete anos de namoro no próximo dia três de agosto e sou casado faz nove meses. Além disso, já conversei com muitos jovens sobre a questão dos relacionamento. Sei que olhamos aquilo que vivemos como único, mas creio que certas generalizações sejam possíveis. Por isso peço licença para dar alguns poucos conselhos a partir da minha experiência.

Vou numerá-los para tornar mais fácil a meditação.

1 – Observe e maravilhe-se com a pessoa do outro.

Costumo dizer que o namoro é uma grande pergunta. Quando nos envolvemos neste tipo de relacionamento estamos nos perguntando, de forma direta ou indireta, se aquela pessoa é a pessoa com quem vamos passar o resto dos nossos dias. Se essa questão surge é porque algo no outro nos tocou, nos maravilhou.

Esse maravilhamento inicial pode ser devido a uma qualidade, ou a algo que nem sabemos direito o que é, mas posso lhe garantir que a pessoa do outro é mais do que a qualidade observada inicialmente. Abra os olhos para o que o outro tem de bom... Este conselho pode parecer banal para os casais que começaram há pouco, afinal no início do namoro perceber o extraordinário é algo quase automático... No entanto há casais que perdem isso e passam boa parte do tempo em uma recriminação mútua, onde dedos são levantados e erros frequentemente recordados.

Relacionar-se de maneira profunda com alguém é adentrar em outro universo. Quantos gostos, posturas e valores aquele ou aquela que namoro carrega. Não interessar-se por isso é não interessar-se por quem supostamente amamos. Não digo que uma namorada vá gostar de tudo o que o namorado gosta ou vice versa, mas uma abertura aquilo que é próprio do outro é fundamental em uma relação autêntica.

2 – Converse muito.

Beijos e abraços são coisas boas e prazerosas, mas devem servir como sinais, como sacramentais, de um laço profundo e não como aquilo do que mantém a união e do que esta depende. Ninguém permanece anos ao lado de alguém simplesmente por causa de um beijo bom. Desconfio de relacionamentos que são baseados apenas no físico...

Em determinada época de minha vida coloquei o seguinte critério para escolher uma namorada: eu só namoraria ou permaneceria namorando alguém que eu fosse querer conversar mesmo após um dia de trabalho cansativo. Por que coloquei esse critério? Porque o único tempo que muitos casais têm é exatamente aquele que vem após um dia cansativo de trabalho.

Quando digo converse muito, estou dizendo: abra-se, revele-se. Também estou pedindo: permita que o outro se revele. É triste ver casais que não se conhecem... Que apenas discutem e se acariciam... Penso de verdade que um namoro no qual o bater papo não ocorra diariamente não é um namoro que valha a pena.

3 – Viva a unidade no essencial e a liberdade no acidental.

É sempre importante lembrar, um casal é formado por duas pessoas e que cada uma delas é única. Todo relacionamento tem por base a unidade na diversidade. Digo isso simplesmente para ressaltar que sempre teremos pontos de contato e linhas de separação. Ninguém é igual a ninguém...

Sempre discordei daquela ideia de que os opostos se atraem. Ao mesmo tempo julgo um egoísmo sem tamanho forçar a outra pessoa a deixar de ser quem é para enquadrar-se em meus caprichos. Não digo que não devamos ajudar o outro a ser melhor ou mudar para a melhor por aquele ou aquela que amamos... Digo apenas que querer tornar o outro uma cópia de mim mesmo não é amá-lo, é amar a mim mesmo.

A diferença é bem vinda, mas ela não pode ser naquilo que é essencial. Se um casal discorda quanto aos valores essenciais é melhor terminar o relacionamento que provavelmente só terá tristeza, aborrecimento e frustração.

4 – Não termine a toa, mas não tenha medo terminar.

Eu me irrito muito com casais ioiô. Aqueles que vão e voltam... Me irrito porque não vejo firmeza nos laços e sentimentos. Terminar por qualquer briguinha significa que um dos dois ou os dois não possuem maturidade suficiente para lidar com os percalços. O vai e volta cansa e desgasta os namorados e a todos à volta.

Outra situação preocupante são aqueles que arrastam o relacionamento por inércia, comodismo ou dependência. Há namoros que não fazem bem e continuam simplesmente pela falta de coragem. Permanecer simplesmente porque o namoro virou um costume ou porque já se é considerado membro da família é uma covardia que pode custar muito caro.

Lembro de um rapaz que me procurou após uma palestra sobre sexualidade. Ele dizia que havia ficado noivo por pressão da família e da noiva mas que estava muito insatisfeito. Perguntei há quanto tempo ele vivenciava a situação para saber se não se tratava de medo do compromisso e ele me disse que há muito tempo. Depois de uma longa conversa, disse sem medo de errar para aquele rapaz: acho sinceramente que você devia terminar, afinal é melhor sofrer por um tempo agora que amargar uma vida de arrependimentos. Percebi no olha dele que havia sido muito bem compreendido.

Ah... já ia esquecendo. Um namoro não deve terminar apenas porque as coisas vão mal, mas porque houve a descoberta de “eu não sou para ela e ela não é para mim”. Um namoro pode ter dado certo mesmo terminando quando aquilo que ficou foi positivo e não apenas um depósito de feridas, mágoas e sofrimento.

5 – Lembre-se sempre que namorar não é um esporte.

Para ilustrar esse conselho vou contar uma história que ocorreu quando minha esposa, na época apenas minha namorada, ainda estava na faculdade.

Naquele tempo a Carol estudava a noite e eu a levava para casa praticamente todos os dias após a aula. Depois corria para pegar o ônibus e chegava em casa por volta da meia noite. Em um destes dias subi minha rua conversando com uma vizinha. Em determinado momento da conversa ela perguntou pela Carol e eu disse que havia acabado de deixa-la em casa. Minha vizinha de pronto disse:

- Para fazer isso todo dia você deve gostar muito de namorar.

Eu respondi:

- Não, eu gosto de quem estou namorando.

Quando namorar é a meta,  a pessoa fica de lado e pode ser substituída facilmente por qualquer outra. Numa era de relações descartáveis, onde o desempenho vale mais do que os laços, não custa lembrar que o bom namoro não é aquele que acontece porque buscamos alguém, mas porque encontramos aquela pessoa em específico.

No meu caso encontrei a Carol há seis anos, dez meses e nove dias atrás...Valeu e vale a pena. De verdade, desejo que construam relacionamentos felizes e plenos. Vivam de forma intensa a aventura de construir um amor verdadeiro... Tão verdadeiro que um dia possa ser traduzido em um solene juramento que não tem medo de dizer “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até o último dia de minha vida”.

Feliz dia dos namorados a todos!

Alessandro Garcia
Mestre em Sociologia - Coordenador da Oficina de Valores

1 comentários:

Leonni Pissurno disse...

Ótimo texto Alessandro, que muitos casais possam ser abençoados por essas palavras. Um abraço.

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