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#AvanteOficina


Há cerca de uma semana estava eu fazendo alguns trabalhos manuais quando quebrei uma unha. Nem estava muito grande, mas esbarrei um objeto cortante nela sem querer, e por pouco não a parti ao meio. Aqueles que bem me conhecem vão dizer que sou um pouco exagerada nas minhas descrições, sejam nos textos ou nas conversas, mas todos (ou quase todos) vamos concordar que quebrar a unha “no sabugo” dói e incomoda.

O que me fez, no entanto, escrever este texto foi o que ocorreu depois: o processo de recuperação. Apesar do incômodo, o machucado não era grande e um “band-aid” resolvia. O que me intrigou, ainda que não fosse uma novidade, foi observar, após quatro dias, que o machucado que até então doera foi de repente resolvido durante uma

noite de sono. Antes de ir dormir, coloquei um novo curativo, para nada ficar esbarrando, e, ao acordar, aquele pedacinho da unha que faltava para esconder a parte mais sensível já havia crescido.

Como disse, não há novidade, mas me surpreendi ao me dar conta de forma única das coisas que acontecem durante uma noite de sono... no silêncio: a unha continua crescendo, ou cresce ainda mais, as nossas forças são recuperadas, uma dor física ou emocional alivia, passa.

Eu me lembro que durante um tempo achei que seria mais produtivo dormir bem tarde e acordar bem cedo, achei que dormir sete ou oito horas, como alguns diziam, era uma tolice. Dormi apenas o mínimo era necessário. Pior do que isso: passei por alguns momentos da minha vida em que julguei que precisava sempre estar fazendo algo, estar parada era ser inútil. E isso foi aumentando a minha dificuldade de silenciar, de pausar. Além disso, foram sendo cultivados dentro de mim sentimentos como ansiedade e auto-suficiência. Eu queria fazer muitas coisas e o fato de não dar conta me deixava muito frustrada.

Foi mais ou menos nessa fase que veio um transtorno ansioso e sintomas que eu até então desconhecia. Fiquei “de molho” alguns meses, “burned out”, queria fazer todas as atividades como de costume e simplesmente eu não conseguia. Sair de casa para ir até a padaria era extremamente difícil. Depois, vieram o medo e tristeza por não aceitar nem entender a situação. Eu precisava retomar o sentido da minha vida, ou redescobri-lo.

O mais difícil era de uma hora pra outra ficar dentro de casa, quieta e parada, e depender sempre de alguém para me animar ou conseguir sair... Foi quando aprendi que a noite de sono, de silêncio, de aparente inércia, demorava um pouco, mas na manhã seguinte a unha teria crescido.

Durante os dias em que a unha crescia aos poucos, não só durante a noite, é claro, embora eu não conseguisse ver, esse pouquinho foi determinante para aquele crescimento total, necessário para aliviar o incômodo. Entretanto, após uma noite de sono é que eu pude dar conta.

Eu aprendi a ver beleza e importância na noite de sono, e... na verdade, eu encontrei o valor da espera, principalmente, da espera silenciosa. Esperar faz parte da vida e nos faz crescer, amadurecer. Muitas vezes como a árvore, aprofundando as suas raízes, crescimento interno, não aparente. 
Maria Carol Reis
Formada em Letras - Amiga da Oficina de Valores

6 comments:

Anderson Dideco disse...

"O lavrador lança a sua semente à terra, dorme e acorda, e a semente brota sem que ele saiba como."

Jonathan Almeida disse...

Bem legal o texto Maria, ontem estava vendo uma apresentação sobre a importância do sono..

Me fez pensar bastante... Enquanto uns têm dificuldade para acordar, outros pensam que "não dormir" é a melhor solução..

Mais uma vez o justo meio que é a resposta certa..

Grande abraço

Alessandro Garcia disse...

Bem bacana o texto Maria. Eu sou um dos que gostaria da não precisar dormir. Hoje em dia dou valor ao sono porque o meu tem uma qualidade muito ruim...

Uma coisa que aprendi é que uma noite de sono é uma das melhores coisas para solucionar o mal humor e a tristeza. A sensação de recomeço é uma benção cotidiana.

Nathalia Melo disse...

Muito bom! Estava pensando sobre isso hoje mesmo, partilho da mesma dificuldade, de conseguir parar. Até quando estou andando de um lugar para o outro preciso fazer outra coisa ao mesmo tempo.. ler, falar com alguém. Realmente, no fundo isso pode ser dificuldade de convivermos com o silêncio, de ficarmos a sós com os nossos pensamentos.
Ótima reflexão, me fez pensar.

Juliana Benevides disse...

Lindo texto Maria!!! Sou tua fã, vc sabe disso ne? Bonito pensar nisso... muitas vezes me atropelo tbm querendo fazer as coisas.

Valeu a reflexão do dia! rs

Jessica Brito disse...

Parabéns Maria pelo texto! É uma ótima reflexão e depois colocá-la em prática na nossa vida :D
Beijos

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