Por: Paulo Vitor

Desde que eu era bem pequeno, ou, como se diz por aí, desde que me entendo por gente, sou leitor, telespectador e até mesmo “seguidor” de super heróis. Como muitos garotos cheios de imaginação, via nos personagens corajosos e repletos de super poderes, modelos, aquilo que eu queria ter e ser de alguma forma. Dentre muitos que eu gostava, destaco o Wolverine e o
cavaleiro do Zodíaco Ikki de Fênix - fazer o que né?! Eram meus favoritos.

O tempo passou, não sou mais tão pequeno, mas o gosto por super heróis ainda continua. Por esse motivo, pensei em dividir um pouco do que estes personagens me fazem refletir. Penso que hoje nós estamos carentes de “SUPER HERÓIS”, daqueles que combatem o mal, têm poderes supra-humanos, caráter firme etc.

Vejo de forma bem clara, sobretudo no nosso Brasil, como é comum a “fabricação” de novos heróis. Lembro bem do saudoso Airton Senna, um piloto de formula 1, mas que ultrapassou o limite de ser admirado pelo que fazia nas pistas e era quase que idolatrado, tido como ícone nacional; posso citar também o caso do Guga (do tênis), em menor proporção que o Senna, mas que, enquanto esteve no topo do seu esporte, era também depositário da responsabilidade que a nação dá para seus representantes. 

Poderia citar muitos outros, mas quero registrar apenas mais dois exemplos, de realidades bem diferentes, mas que ajudam a retratar tudo o que tenho dito. O primeiro é o, até agora, imbatível Anderson Silva, lutador de MMA que já faz narradores esportivos e pessoas nas ruas e redes sociais se empolgarem e exaltarem suas performances nas lutas. Sobre ele está sendo colocada a tal responsabilidade que já tiveram Senna e outros mais. 

O segundo, e eu diria mais recente, “herói brasileiro” é o ministro do STF, Joaquim Barbosa, homem de origem pobre, negro e implacável no combate à corrupção. Todos estes atributos saltam aos nossos olhos, sobretudo quando se fala de Brasil, um país que historicamente não vê a população pobre deixar esta situação, além de trazer grandes resquícios do tempo da escravidão e ser constantemente mergulhado em escândalos de corrupção de diversos tipos. 

As pessoas se apegam nestes exemplos, fazem deles seus representantes, porque eles fazem algo diferente e aparecem positivamente. O problema é que, muitas vezes, estes homens, feitos de carne e osso como qualquer um, são taxados como heróis pelo simples fato de eu e você não assumirmos o nosso papel de grande homem (ou mulher) que devemos ser. E quando falo grande homem, não falo daquele que aparece na mídia como ídolo do esporte ou um magistrado que combate o crime. Falo do grande homem que é honesto e firme em todas as situações, que ainda tem capacidade de encontrar o bem nas pequenas coisas, que sabe se colocar no seu lugar sem precisar dar “um jeitinho”, ou passar por cima de alguém. 

Temos visto essa tal carência de heróis porque nós não temos sido heróis. E para ser herói basta ser homem; não homem desfigurado e cheio de lacunas morais, com o qual tem sido cada vez mais comum nos identificarmos, mas aquele tipo de homem que cumpre seus deveres e vive sua humanidade de forma plena. 

Onde quer que faltem heróis, você pode se candidatar. Basta lembrar que os heróis são simples e também podem sangrar. É destes heróis que o mundo precisa.


Paulo Vitor Simas
Professor de educação física e ensino religioso - Oficina de Valores

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