Por: Nathalia
(imagem de: www.glaucimaracastro.com.br)



Há cerca de duas semanas, eu e alguns amigos fomos à gravação do DVD da banda Rosa de Saron em Belo Horizonte. Tivemos muitas surpresas, algumas boas, outras nem tanto. Faz parte das surpresas menos legais o fato alguém de 24 anos ser barrada pelo segurança, sendo que a idade mínima para o show era de 14 anos. Bom, resta o consolo de saber que
não fui a única a passar por tal situação (rs).


Uma das surpresas boas foi que o show demorou bastante, quase quatro horas! Eu não sabia que a gravação de um DVD demorava tanto tempo. Como a maiorias das pessoas que assiste a um DVD musical em casa, imaginava um espetáculo perfeito, gravado em um único “take”, sem interrupções. Para a sorte de todos que estavam lá, não foi assim.

Ao longo da gravação, mesmo que os músicos tivessem ensaiado e os profissionais estivessem preparados, algumas músicas precisaram ser regravadas, ora por problemas técnicos, ora porque os músicos erraram. Estes erros não foram nada frustrantes, pois pudemos ouvir novamente as músicas e até foi gerado um clima de descontração entre o pessoal da banda.

Em um dos intervalos da gravação comecei a refletir em como todo aquele processo difere da vida. Em como não é permitido ensaios, em como se errarmos não poderemos simplesmente regravar, fazer de novo e de novo, até ficar bom. Todas as nossas ações são indeléveis: uma vez consumadas, se tornam eternas. Seria muito mais simples se pudéssemos apagar o que deu errado, descartar o que não mais quiséssemos.

Seria, com certeza, muito mais fácil, mas também seria muito menos interessante. A vida, de fato, é “gravada” em um único “take”. Não dá para voltar a cena, vivenciar de novo. Mas quem nunca pensou: Puxa!!! Se eu pudesse voltar no tempo... faria tudo diferente? Eu já pensei isso muitas vezes. Será que se isso fosse possível faria tudo realmente de outra maneira?

Acho que, se isso acontecesse comigo, eu cometeria os mesmos erros, me perderia nos mesmos labirintos. Isso só não aconteceria se eu já soubesse que caminho deveria percorrer. Não estou dizendo que preferiria cometer os mesmos erros, longe disso! Mas os erros do passado me ajudam a construir o meu presente, a planejar o meu futuro e, acima de tudo, me fazem não querer cometê-los novamente.

Pensando a vida como a gravação de um filme: ao errar não podemos rebobiná-la, não podemos desfazer o erro, mas podemos reconstruir o cenário em que estamos. As marcas sempre permanecem, seja para o bem, seja para o mal. Com estas marcas vem a possibilidade de um refazer e de um refazer-se. 

O que mais importa é nunca parar; e se algum dia esquecermos é só nos lembrarmos da canção: 

“O lance está no ar, é só você gritar bem alto, alto
Mas se prepare, prepare.
Porque nada no mundo é de graça,
Você pode até ter medo, mas ande, caminhe, e só não pare, não pare” 

E como em um filme, viveremos momento de drama, de suspense, de aventura, de comédia... e vamos à luta!


Nathalia Pereira
Graduada em Letras - Oficina de Valores

1 comentários:

João Paulo Lacerda disse...

Muito bom Nathalia, gostei muito! Que pena que não pude ir :)

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