Por: Rodrigo
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#VempraRua #ChangeBrasil #OgiganteAcordou - Quem nos mandou protestar?

Vivemos um momento importante no Brasil, nossos sentimentos patrióticos estão aflorados, aquela sensação boa de ver o povo nas ruas lutando pelos seus direitos, a ideia de que o gigante acordou. Vejo muita gente empolgada com a oportunidade de estar vivendo e participando de um momento histórico para o nosso país e isso é muito bacana. Bacana, sobretudo, porque parece que enfim aprendemos a fazer uso da
nossa liberdade democrática, aprendemos a lutar pelos nossos direitos. Em certa medida eu concordo e partilho de todos esses sentimentos que descrevi, porém uma coisa me preocupa.

Muito falamos em liberdade, e ao que parece é um conceito que necessariamente exclui a ideia de obediência. A ideia de liberdade que parece ser mais comum é a capacidade de fazer escolhas segundo a própria vontade, independente do que dizem, achem ou falem. A primeira vista parece fazer sentido, mas vale a pena nos aprofundarmos um pouco mais no assunto pra sabermos até onde vai essa “independência” das opiniões alheias.

É fato que desde muito pequenos nós somos influenciados e, por que não dizer, influenciamos os outros a todo o tempo. Sim, desde pequenos influenciamos. Quantos são os casos de mães fumantes que por conta da gravidez param de fumar? Um simples feto ja exerce uma forte influência nesse caso. Ou o que dizer das crianças sapecas que fazem adultos sisudos gargalharem? Casos como estes demonstram que ainda que não percebamos o outro influi diretamente sobre o nosso comportamento e consequentemente sobre as nossas escolhas.

O processo de exercer e receber influências é inerente a qualquer tipo de socialização, o que significa que todos nós estamos sujeitos a isso. A partir do momento que constatamos esse fato, nos deparamos com a seguinte questão: Se liberdade for a capacidade de fazermos escolhas segundo a nossa própria vontade, independente do que dizem, achem ou falem... a liberdade simplesmente não existe. Ou essa é a conclusão a que chegamos, ou nos falta entender um pouco melhor o que é liberdade de fato.

A chave para entedermos a liberdade, passa pela compreensão do que é obediência. Não parece fazer muito sentido isso, até porque a obediência não está na moda como a liberdade. Apesar disso todos nós vivemos obedecendo e inclusive quando somos livres, somos livres como alguém nos ensinou a ser. O exemplo mais claro disso é o auge da revolta adolescente. O garoto de 14 anos que não se conforma com as obrigações escolares, com as proibições feitas pelos pais e quer se rebelar! Ouvindo música alta no quarto, usando roupas alternativas, desobecendo ordens e ameaçando sair de casa vez por outra. O que esse garoto não sabe é que seus pais e professores contra quem se rebela com tanto fervor, agiram exatamente da mesma forma quando tinham sua idade. Um fato inevitável da vida é que seguimos tendências. Em diversos níves e de várias ordens, sejam elas ligadas a vestimenta, a forma de pensar, de falar, de agir ou de se comportar. Sabendo ou não a quem estamos seguindo, estamos seguindo a alguém!

Sintam o drama: Por mais que nos sintamos originais ao pensar ou querer algo, não estaremos sendo. Alguém já pensou e já quis aquilo antes de nós. A ideia de que estamos sempre obedecendo, ou seguindo a alguém pode até parecer aprisionante à primeira vista, mas na verdade saber isso é libertador. O grande filósofo grego, Sócrates dizia que aquele que admite que não sabe de nada, é mais sábio do que aquele que afirma que sabe, quando na verdade não sabe. Ou seja reconhecer os limites do saber é a própria sabedoria, da mesma forma podemos dizer que reconhecer os limites da liberdade é o princípio da própria liberdade.

O que isso tudo tem a ver com as manifestações? É que por mais que sejam belas e empolgantes, alguém as organiza e nelas ideias são comunicadas. O desejo sincero do meu coração é que seja o povo, que depois de tanto sofrimento e desrespeito acordou e foi pra rua. Mas temo que não seja. Não pretendo aqui fechar essa questão, tampouco dizer que sou contra os protestos e manifestações. Só acho importante em meio a toda essa empolgação mantermos a pulga atrás da orelha, porque como diz o Goethe "Ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser", e eu tenho muito medo que alguém esteja tirando proveito (ou possa tirar) dessa luta verdadeira do povo, para nos utilizar com massa de manobra na busca por interesses próprios, partidários ou de algum outro tipo. 

Temos motivos de sobra para nos manifestarmos (infelizmente, bom seria que a situação sócio-política do país fosse tão boa a ponto de não termos), e por isso é positivo demais que estejamos nas ruas para lutar pelos nossos direitos. Tão importante quanto é não perder de vista que as nossas motivações, ainda que de forma bem sutil, são influenciadas por outros. Quem são esses outros? Sem saber essa resposta corremos o risco de ter um grito vazio ou, mesmo com as melhores intenções, no tornamos apenas instrumentos de pessoas e ideias que sem conhecemos ou acreditamos.

Portanto, vamos para as ruas sim, acompanhemos toda essa movimentação sim. Nós temos a condição e o dever de fazer a diferença e parece estar claro que temos nossas armas. É importante, no entanto, não simplesmente ir para a rua, mas nos mantermos informados através de fontes seguras a respeito do que está acontecendo. Que a nossa liberdade não se volte contra nós, a verdadeira liberdade consiste em saber a quem eu estou obedecendo! E aí, você já sabe?

Rodrigo Moco
Psicólogo / Oficina de Valores

1 comentários:

Anônimo disse...

Parece claro na minha opnião que existe umma face por de trás das manifestações, isso porque é notável a propagação de ideais anarquistas em meio a elas, ainda que estes estejam escondidos do povo, que apesar de "acordado" permanece ainda ignorante nos que esta fazendo. É limdo ver as pessoas lutando a favor de seus direitos, mas preocupante que façam isso sem uma liderança real, que deveria ser apartidária sim, mas existente afinal, mesmo um exército debanda sem lideres.

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