Por: Diego



Durante um ano poucos momentos são tão desejados como o fim do próprio. E muitos são os motivos para isso: férias para os que estudam, recesso para os que trabalham, Natal, as festas de Ano Novo, o décimo terceiro... Mas talvez mais marcante seja a sensação de dever cumprido: fazendo bem, fazendo mal ou mesmo não fazendo o que deveríamos ter feito ao longo de doze meses, o ano chega ao fim. Venha trazendo alívio, nostalgia ou preocupações, cedo ou tarde começamos um novo ano.

E uma dos assuntos que mais marca as conversas nessa época ou festas da virada é o surgimento de propósitos e promessas. “Ano que vem eu vou perder peso”, “ano que vem arrumo um(a) namorado(a)”, “ano que vem volto a estudar”, “ano que vem vou mudar de emprego”. Não importa se essas promessas surgiram ao longo do ano ou apenas nos acréscimos do segundo tempo, a impressão que temos é que a simples virada do Ano nos dará o poder de fazer todas as coisas. Afinal, “ano novo, vida nova.”
 
Não precisamos comentar que muitos dos propósitos não saem das ideias e ficam longe de serem colocados na prática. Para não aumentar a estatística dos frustrados, ou ficar com peso na consciência ao ouvir a velha canção no fim do próximo ano, “Então é Natal, e o que você fez?”, precisamos pensar nesses propósitos com os pés no chão, tendo em vista porque os temos.
 
A frase do adesivo de carro “viva cada dia como se fosse o último”, por mais clichê que possa ser, traz em si a reflexão de uma verdade absoluta: assim como esse ano, nossa vida terá um fim. E existem duas interpretações muito comuns, mas equivocadas, a respeito dessa frase. A primeira é deixar de lado todo senso de responsabilidade (profissional, familiar, moral...), afinal, “tenho que “aproveitar” o último dia”. Grande erro, pois além disso não satisfazer, no sentido pleno, nosso dia, é grande a chance dele não ser o último. Um amigo completava de forma bem humorada “viva cada dia como se fosse o último, um dia você acerta!”. Pode ser um acerto de primeira, ou na 18257ª tentativa.
 
Outro equívoco é pensar que levar a vida a sério é levar uma vida chata. Não! Ninguém aguenta uma pessoa entristecida, que perde o sabor pela vida só por pensar que tudo um dia vai acabar. Lembro um capítulo do livro “Um Sentido Para a Vida”, de Antoine de Saint-Exupéry, falando sobre a reação de um general aburguesado diante da perspectiva de uma batalha que poderia levá-lo a morte. Para alguém que deixava a “vida o levar”, a proximidade da morte o fez perceber algo extraordinário: ele estava vivo!
 
Digo isso porque, se queremos cumprir nossas metas nesse ano, devemos vivê-lo como se fosse o último. Para fazer novos propósitos devemos pensar: isso vai realmente contribuir pra minha felicidade? É algo que posso conseguir neste ano? E se as duas respostas anteriores forem afirmativas, precisamos planejar: como posso cumpri-lo? Dizia a música de Milton Nascimento “longe se vai sonhando de mais, mas onde se chega assim?”. É preciso gastar um pouco de tempo planejando. Se quero aprender outra língua, já procurei onde estudar? Se quero perder peso, já procurei um nutricionista? E se quero arrumar a pessoa certa para namorar, já pensei em antes ser uma “pessoa certa”?

E que comece a luta! 2015 tem tudo para ser um bom ano, assim como foi 2014, 2013, 2012... Teremos algumas perdas e sofrimentos? Com certeza. Mas teremos também muitas alegrias e aprendizados. Precisamos é ter em vista o sentido que teremos para esse ano e o que buscaremos com ele.

Seja coincidência ou não, o Ano Novo começa uma semana após ao Natal, o nascimento de Jesus. Que a presença dele em nossas vidas possa ser uma luz que nos guie durante esse ano e nos ajude a fazer desse ano o melhor de todos (pelo menos até agora!), tanto para nós mesmos quanto para todos aqueles que cruzarem nossas vidas em 2015.


Diego Gonzalez
Estudante de Engenharia de Controle e Automação UFRJ / Oficina de Valores

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