Como o cristianismo lida na prática com a questão da homossexualidade?

Este texto aborda um dos temas mais presentes na atualidade. Qual é o real posicionamento cristão frente ao homossexual? É difícil a compreensão do argumento: “Condenamos a prática do homossexualismo, não o homossexual” já que, ora, o que o faz ser reconhecido como tal não é exatamente a referida prática?

São questões que muitos de nós nos colocamos, e em diversas situações somos confrontados com situações em que precisamos nos posicionar e por vezes até mesmo auxiliar alguém que passa por uma situação angustiante e procura respostas.


Homossexualidade e suas possíveis causas

O primeiro passo é entender as causas da homossexualidade, nesse caso, embora não haja consenso entre as áreas de conhecimento que abordam o tema, podemos pontuar alguns fatores relevantes:

Genética – Não podemos afirmar nem que há, nem que não há homossexualidade genética. Realizam-se estudos nessa direção e até hoje um gene que seria responsável por este comportamento é procurado e ainda não foi encontrado. O que é certo é que, se há algum correspondente genético, ele deve estar manifestado na produção de hormônios que regulam todo o comportamento humano, inclusive o sexual. Se a homossexualidade se relaciona com uma produção hormonal que nos faz sentir atração pelo mesmo sexo, essa produção seria naturalmente regulada por um gene. Porém, é preciso dizer que mesmo que isso seja verdadeiro, não torna a homossexualidade natural, justamente por atuar contra a natureza, tendendo a desaparecer pelo processo da seleção natural (mais abaixo damos um exemplo mais prático). Mas mesmo se existir tal fator genético, pensamos que não equivale nem a 5% dos casos de homossexualidade na atualidade, justamente por ser um meio que atua contra a seleção natural, e a própria seleção tende a erradicar tal gene. Existem outras influências e tendências que podem e provavelmente devem ser responsáveis pela maioria dos casos;

Influências externas – Nesse caso podemos pensar por três pontos de vista: o da criação da pessoa, os traumas sexuais sofridos e o totalitarismo. O primeiro caso se apresenta de forma mais nítida - uma criança do sexo masculino que é criada somente com mulheres, brinca com meninas, participa do assunto das meninas, cria referênciais femininas e quando chega na escola e passa a socializar com garotos é tachado de homossexual, vítima de diversas brincadeiras maldosas e até atos de preconceito. Sabe-se pelos estudos da psicologia social que ocorre um processo chamado estigmatização proposto por Merton, que diz que quando algo é falado repetidas vezes por um grupo acerca de uma determinada pessoa ela pode acabar por assumir aqueles estereótipos, fenômeno a que o autor chama de profecia, a internalização de uma rotulação. Quer dizer que todo garoto criado com mulheres e que sofre com esse tipo de brincadeiras desenvolve tendências homossexuais? Claro que não. Porém é um caso que propicia a situação, não determinando, mas influenciando, tanto no caso masculino, como já citado, como no feminino também.

O segundo caso não é tão evidente como o primeiro, mas é também bastante relevante. Pesquisas realizadas com travestis que se prostituem nos EUA apontam que mais de 70% deles foram vítimas de abusos sexuais na infância. Há muitos outros relatos de psicólogos que atendem em consultório que apontam para essa relação entre abuso sexual sofrido na infância e na adolescência e o desenvolvimento das tendências, o que mostra que as pessoas que foram abusadas sexualmente podem acabar por desenvolver uma percepção distorcida da sexualidade, na maioria das vezes sendo voltada para a homossexualidade.

O terceiro é bem triste, atualmente, sobretudo para o sexo feminino. Em alguns contextos a “bissexualidade” é moda, a mídia influencia muito nesse aspecto pregando uma valorização dessa postura descolada e libertina. Há meninas que começam a praticar o lesbianismo para fazerem parte de um determinado grupo, ou seguirem uma tendência no ciclo de pessoas que convivem, o que pode acontecer no caso de meninos também - sendo, contudo, menos comum;

Questões existenciais – Todos nós temos uma necessidade inerente de afeto, atenção, um anseio profundo por felicidade e por muitas vezes a busca pela satisfação dessas necessidades é feita de maneira errônea e uma das maneiras errôneas de buscar essa realização é na sexualidade ou, no caso, na homossexualidade. Há pouco tempo tive a oportunidade de assistir a uma palestra do norte americano Christopher West, autor do livro “O Amor que satisfaz”. Na palestra ele fala sobre o criador e dono da Playboy Hugh Hefner, que afirma em sua biografia ter tido a iniciativa de criar essa “indústria do sexo” em função das hipocrisias de uma sociedade puritana. Hugh afirma que na família dele qualquer tipo de contato físico era proibido, e que ele nunca recebera um abraço sequer dos pais. Essa falta de carinho e afeto fez com que esse homem buscasse na pornografia a realização do amor que ele buscava, fato digno de pena. O mais triste é que hoje sendo sem dúvidas uma das pessoas que mais lucra no mundo com a indústria do sexo (se não for o que mais lucra) ele se diz frustrado sexualmente, o que aponta para algo que deve nos fazer pensar.

Será que a visão que tem sido divulgada e defendida pelos meios de comunicação é a que mais realiza? Será que as pessoas que defendem a homossexualidade se preocupam de fato com os homossexuais, ou querem simplesmente vestir a carapuça dos direitos humanos e dizer que não têm nenhum tipo de preconceito? A psicanalista Joyce Mc Dougall escreveu um capítulo para o livro “Sexualidade e Sociedade” e aponta de maneira brilhante a busca pela perfeição do próprio sexo como a causa da homossexualidade. A pessoa sofre frustrações amorosas com o sexo oposto, se vê desanimada frente às experiências que presencia de outras pessoas que vivem relacionamentos heterossexuais que passam a ver no homossexualismo uma possível solução para isso, afinal de contas ninguém melhor do que um homem para entender outro homem e a mulher para entender outra mulher. O problema é que isso não realiza.


Posicionamento Cristão acerca do tema

Diante de tudo o que foi falado, como lidar com o caso?

Antes de nos encaminharmos para as respostas vale a busca pela compreensão de alguns fatores relevantes. A sexualidade humana tem em uma de suas belezas a completude, tanto física quando psicológica, a fisiologia do homem, o próprio desenho do corpo masculino difere-se do feminino, questões como a força, resistência e sensibilidade física também mudam de acordo com o sexo. Do ponto de vista psicológico podemos observar inúmeras diferenças de estado de humor, o homem com seu senso prático mais desenvolvido, a mulher com um maior senso de organização, o homem com uma enorme capacidade de sociabilização, a mulher mais voltada para a cultivação dos vínculos que possui, entre tantos outros.

É claro que, em muitas das vezes, as diferenças geram incompreensões, dúvidas; porém é só em função das diferenças que há completude. Já imaginaram um quebra- cabeça com todas as peças idênticas? Não seria possível montá-lo. Da mesma maneira a sexualidade humana só encontra correspondência nas diferenças. O próprio ciclo da vida nos mostra isso; o início do texto levantava a discussão sobre a questão genética, e geneticamente não seria possível sustentar a homossexualidade de maneira natural, porque se todos fizessem essa opção, a humanidade acabaria em uma geração por falta de procriação. O que naturalmente não garante a continuidade da espécie não pode ser o melhor para a mesma.

O conceito de Natureza Humana, aliás, é o que fundamenta o posicionamento cristão frente ao assunto tratado aqui no texto. No livro de Gênesis que se propõe a falar sobre a criação, a vontade de Deus para a realização da sexualidade humana é expressa de maneira clara. "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea" (Gn 2,18). A passagem bíblica não deixa brecha para dúvidas a respeito desse projeto de Deus, e cremos que a realização da vida humana está no exercício do projeto feito por Deus para cada um de nós, logo não há felicidade na homossexualidade, simplesmente porque a nossa natureza não foi criada para isso, é como tentar utilizar uma máquina de lavar como secadora, as roupas ficarão ainda mais molhadas do que antes, porque a máquina de lavar não foi feita para secar. Assim também acontece no caso da homossexualidade, é uma busca por contrariar a própria natureza; não realiza, frustra.

Como abordar a questão e acolher os homossexuais?

Há um discurso bastante difuso que acusa os religiosos, sobretudo os cristãos, de um preconceito em relação à homossexualidade. Preconceito é por definição uma opinião pré-concebida acerca de um assunto que não é dominado pelo preconceituoso. Para pensar a questão vale analisarmos quem mais pensa sobre a questão da homossexualidade - os cristãos que procuram entender as causas, os motivos, as possíveis maneiras de lidar com a questão ou os demais que simplesmente atacam a posição cristã e dizem que cada um deve seguir seu “coração”? Bom, me parece que há sim preconceito no assunto, porém na maioria das vezes o preconceito não parte dos cristãos, mas é contra os cristãos. A posição defendida pela Igreja quase nunca é ouvida e analisada, é vista como desprovida de componentes racionais sem sequer receber a atenção devida. Contudo, não podemos ser indiferentes aos fatos, embora o posicionamento da Igreja não seja preconceituoso, o nosso posicionamento enquanto cristãos muitas vezes o é. Encontramos dificuldades na abordagem da questão e, sobretudo, no acolhimento a pessoas com tendências homossexuais. Será que essas pessoas, ao conviverem conosco, não se sentiriam ofendidos com a nossa maneira de tratá-los?

Toda a teologia cristã é centrada na pessoa. Cristo não priorizava o papel social das pessoas, mas buscava uma relação de profundidade, olhava nos olhos das pessoas e as restituía independente da condição em que se encontravam. Para falar em nome Dele não chamou mestres, sacerdotes, conhecedores profundos da fé, mas chamou simples pescadores, homens simples; ao longo de todo o Evangelho é mais comum encontrar Cristo no convívio de pessoas simples e pecadoras: cobradores de impostos, prostitutas, etc. Diante disso a primeira palavra cristã para tratar o assunto é ACOLHIMENTO.

As pessoas que buscam a homossexualidade, anseiam as mesmas coisas que nós, querem amar e ser amados, mas buscam de maneira que muitas vezes gera frustração que

e leva a um sofrimento. O Acolhimento reside em ir ao encontro delas não para dizer que estão no erro e lhes apresentar argumentos múltiplos para sustentar aquilo em que cremos, mas para mostrarmos que elas podem sim ser felizes, amadas de outra forma, de uma maneira que corresponde verdadeiramente à sua natureza. Uma boa forma de se fazer isso é mostrando a beleza do casamento e da constituição da família, como é belo viver da maneira correta e como isso tem sido minado em todos os meios. Casamento e família estão sendo apresentados hoje como instituições falidas. Há poucos que acreditam na grandeza presente nessas realidades porque estamos aprendendo a amar da maneira errada, e ainda é muito fraco o movimento contrário que insiste em apresentar o amor verdadeiro como resposta. Que isso parta de nós! A busca por fazer com que pessoas redescubram que podem ser felizes vivendo da maneira correta.

Como exposto anteriormente as causas são as mais variadas, e cabe também um o esforço pela descoberta das causas e a busca por auxílio naquilo. Por exemplo, com relação à questão dos abusos sexuais, já tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas que foram abusadas sexualmente na infância e os relatos são bem impressionantes. Alguns disseram que em função dos abusos que sofreram de pessoas do mesmo sexo, passaram também a abusar sexualmente de outras pessoas do mesmo sexo, que desde que foram abusados criaram fantasias e desejos que não conseguiam reprimir, são atormentados por memórias, enfim, uma série de complicações consequentes deste abuso inicial. Nesses casos é importante sabermos ouvir, auxiliarmos, orientarmos, procurarmos um profissional da área de psicologia para tratar esses traumas causados, porque a probabilidade de casos como esses virarem uma “bola de neve” é enorme e, na maioria das vezes, as causas não serão entendidas porque é um assunto que permanece em sigilo, mas não pode ser desconsiderado.

Sabemos que tudo o que fazemos repetidas vezes acaba por se tornar um hábito, e podemos criar hábitos bons (como acordar cedo, por exemplo) e hábitos ruins (como fumar), os bons são considerados virtudes e os ruins vícios. A prática da homossexualidade não foge a isso - a pessoa que a vive acaba por gerar um hábito e deixar um hábito não é fácil. O que fazer nesses casos? Um trabalho de acompanhamento subsidiando da melhor maneira possível, dando o respaldo à pessoa de ter a garantia da misericórdia de Deus após cada queda. Concluindo, não podemos nos esquecer de que o casamento heterossexual convive com muito mais diferenças, porém existem muito mais possibilidades também. Cabe a nós a conscientização de que viver da maneira correta é a única forma de realização. Que possamos então, ao invés de gastar nossos argumentos e documentos da igreja em infindáveis discussões sobre o homossexualismo, que geram mais resistência e distanciamento do que qualquer outra coisa, recuperar a importância do casamento e da família para a nossa sociedade. Andar na contramão do mundo para sustentar o que dizia João Paulo II: “O Futuro da humanidade passa pela família”.

Texto fruto de discussão de alguns membros da Oficina de Valores, compilado e editado por Rodrigo Moco.

3 comentários:

Anônimo disse...

Excelente texto. Toca em pontos importantes com perspicácia e bondade. Aguardo ansioso outros como esse.

Anônimo disse...

O texto é mesmo muito bom. Vale muito a pena gastar um pouquinho mais de tempo só, e ler a versão completa fazendo o download. Parabéns.

Paulo Vitor disse...

esses anonimos ai foram do Moco hahaha

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