Por muitas vezes neste Retiro fomos convidados a refletir sobre vários chamados que Deus dirige a nós. Um chamado, em especial, é capaz de reunir todos os outros e, por isso, é o mais crucial para nossa felicidade e mais importante para nossa salvação: é o chamado à santidade. Mas, afinal de contas, o que é ser santo?
“Santo” significa “separado”, ou seja, ser santo é ser separado para Deus dentre as outras pessoas e coisas deste mundo. A princípio, podemos pensar que ser santo é, portanto, ocupar todo o nosso tempo com orações, missas, adorações... Inclusive esta é a imagem dos santos que muitas vezes nos passa pela cabeça. Certamente, nossas orações e práticas de piedade agradam muito a Deus, mas será que é apenas isso que ele espera de nós?
Podemos entender a santidade de quatro aspectos, todos relacionados à figura de Cristo: fazer bem todas as coisas, se afastar do pecado, procurar realizar grandes obras e comprometer-se com a salvação das almas.
“Cheios de grande admiração, diziam, a respeito de Jesus: ‘Tudo ele tem feito bem’” (Mc 7, 37).
Ser santo significa procurar fazer tudo de modo excelente. Deus conhece nossas limitações, mas também conhece nossas capacidades. Muitas vezes somos relaxados e fazemos as coisas pela metade. Devemos ser como Cristo, que foi perfeito em tudo que fez. Devemos sempre nos esforçar para sermos o melhor filho, o melhor aluno, o melhor funcionário, o melhor cristão. Não nos contentemos, por nossa mediocridade e preguiça, com nada menos que o melhor!
“Todos comeram e ficaram saciados, e dos pedaços que sobraram recolheram ainda doze cestos cheios. Os que comeram foram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças” (Mt 14, 20-21).
Devemos sim nos preocupar em fazer bem as tarefas do dia-a-dia, mas isto não nos deve impedir de procurar realizar as grandes obras de que somos capazes. As “coisas grandiosas” que podemos fazer são, sem dúvida, diferentes para cada um de nós. O que não podemos fazer é “enterrar nosso talento”, deixar de realizar coisas boas por causa do comodismo, da timidez, da depressão, da falta de decisão e autoconfiança... Cristo realizou maravilhas na terra! Devemos ser como ele! Frequentemente somos capazes de muito mais do que nos permitimos ser. Nossa decisão pode mudar o mundo, e esta é a vontade de Deus!
 
“Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, sem todavia pecar” (Hb 4, 15).
A busca da santidade deve representar uma intensa e radical luta contra o pecado. A tolerância ao pecado, seja ele qual for, nos impede de sermos completamente puros e santos. A busca da santidade certamente é mais difícil quando estamos aprisionados pelos nossos vícios. Ela se torna impossível, porém, quando aceitamos o pecado na nossa vida, seja enganando a nós mesmos ou insistindo que isto ou aquilo é “normal”, “todo mundo faz”... É preciso, assim como Cristo, ter repulsa pelo pecado e sermos firmes na nossa decisão de não pecar. Deus tem misericórdia de nós quando lutamos, caímos e pedimos perdão, mas não há nada que Ele possa fazer enquanto não nos arrependermos...
“’Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!’ E, dizendo isso, expirou” (Mt 23, 46)
Cristo é o maior exemplo de comprometimento com um ideal. Ele tanto amou nossa salvação que chegou a entregar sua própria vida por nós. Devemos lutar por nosso ideal, assim como lutou Cristo! Devemos ser sempre comprometidos com a salvação do mundo, com o anúncio do evangelho, com o reinado de Deus sobre a terra! Quem não entrega a sua vida pelo ideal de Cristo, não pode dizer que vive por ele... Afinal, só podemos viver pelo que podemos morrer.
A santidade é muito simples, mas surpreendentemente radical: ser santo é ser como Cristo. Agir como ele, amar como ele, orar como ele... entregar-se como ele... Que ele nos acompanhe sempre e, com sua benção e a intercessão de Maria, possamos sempre ser discípulos fiéis, amém!

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