Há pouco, quando li essa frase e refleti sobre qual mensagem ela pode nos passar fiquei boquiaberta. Se pararmos bem para pensar, a vida, de fato, é uma estendida infância. Ao longo dela erramos, nos arrependemos, ensinamos, convivemos, fazemos escolhas, ora certas, ora erradas. Afinal, tudo isso faz parte de apenas uma única coisa que resultará no caminho pelo qual tais escolhas guiaram. Tudo isso vem de nosso famoso e tão gerador de intrigas e debates, livre arbítrio. É através dele que todo esse leque é aberto. É esse livre arbítrio que nos faz eternos aprendizes dessa, assim chamada por mim, infância estendida. Pois o lugar que nos aguarda exige de nós o nosso máximo, seja ele para o bem ou para o “mal”. Como isso?

Bem, o céu não é bem só daqueles que fazem o bem, mas também dos que se ESFORÇAM para fazê-lo. Afinal, somos falhos, somos ou deveríamos ser eternas crianças. Por exemplo, se uma criança nunca insistir em começar a dar os primeiros passos, se esforçar pra levantar, ela nunca vai andar, mas ao fazer isso com certeza ela vai cair, vai se machucar e vai exigir dela força de vontade e coragem pra seguir em frente. Assim somos nós quando manifestamos nosso lado bom, tão humano, tão divino. Não que tenhamos um lado mal, mas temos o nosso livre arbítrio de não optar pelo bem. O mal não é um estado que existe ou algo que optamos ser, é simplesmente a falta de escolha do bem, isso é o mal. Jamais conseguiremos acertar se não tentarmos, mas a intenção de sermos bons é que vale. É esse máximo que Deus quer de nós, o nosso máximo de esforço, a nossa prova real de que merecemos o céu e lutamos por ele.

Quando digo cair no mal, é exatamente o que expliquei acima. O mal sendo a falta do bem, e Deus sendo o supremo “bem”, cair no mal seria se deparar com o que você tem de melhor e não poder mais optar por ele. É você estar de frente para o seu Criador e ser tarde demais para se arrepender, é depois de vê-Lo nunca mais poder estar com Ele. Esse é o inferno, a falta total de Deus. A ausência completa do bem, da sua natureza. Imagine-se agora como um peixe. Quando fica fora d’água, que é a sua natureza, tende a estar muito mal. Assim ficamos quando afastados de Deus, que é a nossa natureza. Ficamos mal, fora do nosso habitat. É necessário contemplar o mistério de Deus. Ao contemplar entendemos, respeitamos e buscamos viver isso. E como já dizia São José Maria Escrivá: “Quem não tem uma vida contemplativa atesta o próprio óbito, o óbito da alma.”

Nicole Correia da Costa 
Primeiro período de Biomedicina - Oficina de Valores

3 comentários:

Binho Kraus disse...

Legal o texto. Só queria fazer uma pequena ressalva. Quando se diz: "Não que tenhamos um lado mal", está um pouco errado. Na verdade nós temos sim um lado mal, antes do Batismo temos o pecado original, que é a culpa ou mal original. Lembremos que foi por conta do pecado original que o mal entrou no mundo. Nós somos lavados desse mal com o Batismo, mas ainda sim fica a concupiscência. Só pra não passar batido e pra ficar bem claro a quem não tem conhece a doutrina católica. ^^ Valeu Nicole!

Alessandro Garcia disse...

Boa retificação do nosso editor...

Giovanna disse...

O último parágrafo do texto está muito bom e me levou a refletir sobre o inferno. Como será a TOTAL ausência de Deus? Chega assustar o pensamento. Quando uma pessoa está afastada de Deus é uma coisa, pois Ele ainda está entre nós de alguma forma, ainda há alguma bondade, há alguma esperança. Mas estar em uma atmosfera sem nem um vislumbre d'Ele, me parece algo sombrio demais, uma eternidade cruel e infeliz. Me encabula pensar em como as pessoas trocam o céu por tão pouco...

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