Por: Rodrigo Moco

Guerras, fome, violência, inversão de valores. Mãe matando filho; irmão matando irmão; pessoas que matam e morrem por dívidas financeiras mínimas; vícios e tantas outras realidades que seguem uma linha parecida com essa configuram, ou porque não dizer, desconfiguram um mundo que se encontra desordenado.


Muito se fala em paz no mundo, mas talvez pouco se saiba sobre o seu significado. Santo Agostinho define paz como sendo a “Tranquilidade na ordem.” Quando dizemos: “Queremos paz!” No fundo dizemos: queremos um mundo ordenado, para que assim vivamos de forma mais tranquila. Nessa busca por um mundo ordenado, o Papa Paulo VI criou no ano de 1968 o dia da Confraternização Universal, não se restringido aos católicos mas estendendo-se a todas as nações, credos e etnias. Outras instituições como a ONU abraçaram a iniciativa, fazendo deste dia 1º de Janeiro a data oficial da busca pela ordem no Mundo.

Por ocasião da data, resolvi levantar o tema. Talvez você nem soubesse que hoje é o dia da Confraternização Universal, para você sempre foi simplesmente o 1º dia do ano. Contudo, ao longo da nossa “Trilogia da Virada”, meditamos sobre o estabelecimento de metas e propósitos para o ano que virá, certo? A data segue a mesma linha, só que os propósitos deixam de ser pessoais e tornam-se universais. É o momento em que o mundo se une para clamar pela tranquilidade na ordem!

Você, assim como eu, pode estar se questionando sobre a eficácia da data. Afinal de contas, soa como utopia, não é? Mas aí eu te pergunto, assim como me perguntei ao pensar desta forma: Qual o problema em ser utópico? A palavra utopia tem sua raiz no grego e significa: “não-lugar” ou “lugar que não existe”.

Ter uma utopia é desejar e esperar por um lugar que não existe. Isso pode de alguma forma ser frustrante mesmo, por outro lado, pode ser o ponto de partida para uma grande transformação. Constatar que esse lugar não existe, não exclui de forma alguma a possibilidade de que com algum esforço e empenho ele venha um dia a existir. Se olharmos para a história, veremos que grandes homens - sejam eles movidos por ideologias boas ou ruins - modificaram o rumo da humanidade porque sustentaram utopias e acreditaram que elas poderiam tornar-se realidade. Se funcionou com eles, porque não conosco? Será que consideramos nossos sonhos utópicos como desculpas para não lutarmos por eles devido ao grau de dificuldade que eles teem?

Quando o Papa propôs a data, o mundo pacificado era um lugar inexistente - e continua sendo, infelizmente - podemos dizer que ele foi utópico, carregando de fundo uma visão negativa, ou podemos enxergá-lo como um grande visionário que acredita no potencial adormecido da humanidade. Recorro ao mestre Chesterton que nos diz: “Contos de fada são mais que verdade, não porque nos dizem que dragões existem, mas porque nos dizem que dragões podem ser derrotados.” O nosso problema em descobrir a verdade presente nesta frase é que acreditamos mais nos autores de ficção do que no Autor da Vida.

Paz, Peace, Pax, Shalom, Frieden, Paix, Salamaleico.

Rodrigo Moco
Estudante de Psicologia - UCP - Coordenador da Oficina de Valores

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