Por: Larissa

Tenho encontrado tantas pessoas frustradas e infelizes, que a pergunta sobre qual o verdadeiro caminho para a felicidade tem se tornado quase uma constante.

Venho me questionando sobre a causa de tão iminente epidemia de infelicidade e, observando as muitas vidas às quais tenho tido acesso, noto a íntima relação entre a maneira como vivem e o fim a que chegam. Explico-me:


Dizem que tudo que existe, existe para algo, ou seja, tem uma finalidade; E qual seria a finalidade do homem se não ser feliz? Isso quer dizer que aquele que não é feliz não cumpre sua função na vida; Mas ora, se a felicidade é o fim último de todas as ações, por que algumas coisas que faço me fazem felizes e outras não? Se o fim buscado é o mesmo, o que dista tão veemente uma ação de outra?

Ora, o agir humano tem por finalidade produzir algo. Seja alguma coisa externa, como fabricar uma cadeira, seja uma coisa interna; E esse é o ponto. Quando ajo, por mais que não pareça, estou forjando a mim mesmo, fazendo o meu caráter. Daí que certas ações fazem de mim uma pessoa melhor, ao passo que outras fazem com que eu seja uma pessoa não tão boa.

Mas o caráter, assim como a felicidade, não nasce da noite para o dia, como uma casa não brota do chão em um amanhecer. Para que uma pessoa seja considerada boa ou ruim, é necessário que aja repetidamente tal ou qual. O fato de realizar uma ação boa ou má eventualmente, não permite dizer nada sobre essa pessoa.

A repetição de boas ações é chamada virtude, ao passo que a prática de ações ruins é denominada vício; Mas que tem isso a ver com a felicidade? Qual a relação entre virtude e felicidade? Que sentido tem falar hoje que felicidade tem algo a ver com virtude, uma vez que aquela, um tema tão pungente, parece ir justamente contra essa, que anda tão démodé...

Ora, tudo o que o homem faz é buscando o bem. Mas que bem é esse? Há bens que são bens, mas considerados parciais, e há um bem que é perseguido, que é o bem último, para o qual todos os outros bens são meios. Ainda não foi encontrado pela humanidade um bem que fosse mais absoluto que a felicidade, ou seja, tudo o que se faz, faz-se para ser feliz. Nunca se ouviu de alguém (dentro da sanidade, é claro), que quisesse ser feliz para algo, ou seja, sendo feliz seria quiçá mais inteligente, ou mais bonito...

Com efeito, essa vida que nos é dada não é dada pronta. Temos de fazê-la, cada qual a sua. E nesse momento – o de buscar a felicidade – amiúde repetimos, angustiados, como São Paulo: “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero”. Ou seja, busco a felicidade, mas encontro frustração e erro. É como se buscasse o tesouro, mas com o mapa errado. E ainda por cima, parece ressoar aos ouvidos aquelas palavras de Santo Agostinho: “corres bem, mas fora do caminho”.

Por isso, ninguém pode negar a íntima relação entre o caminho percorrido e o destino final. Ora, se o que busco é a felicidade, e essa consiste no sumo bem, não há outro jeito de alcançá-la, se não praticando o bem. E como já dito, ao bem obrar, denomina-se virtude. Portanto, o caminho mais seguro para quem quer chegar à felicidade, é seguindo as veredas da vida virtuosa. Mas, na prática, como isso acontece?

Quem viver, verá...

Larissa Nobrega
Professora de Filosofia 

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