Por: Fernanda Gonzalez
Este segundo texto falando sobre o tema do meio ambiente vai ter um enfoque diferente. Começo ele, querido leitor, presumindo que você leu o último e concorda comigo da importância desse tema. Este texto tem como objetivo rastrear algumas relações do homem com o meio ambiente e, para quem estiver disposto, dar algumas dicas práticas.

Mas então, o que eu tenho a ver com isso? De duas formas, cada um de nós - quer se interesse, quer não - tem uma ligação com o meio ambiente: a primeira delas é que nossos atos têm impactos sobre o meio ambiente; e a segunda consiste no fato de os impactos ao meio ambiente terem consequências sobre nós. Não vou aprofundar muito sobre essa segunda ideia, pois meu objetivo hoje não é deixar ninguém desesperado. Mas é válido destacar que ao dizer “sobre nós” eu quero na verdade dizer sobre qualquer ser humano.

Vou agora matar a curiosidade de muita gente (e talvez me arriscar um pouco) com uma breve explicação sobre o tão comentado aquecimento global. O IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) é um relatório desenvolvido segundo diretrizes fornecidas pela ONU, que tem como objetivo simplesmente estudar a influência humana nas mudanças climáticas. Vale destacar aí que o IPCC não foi criado somente para fazer uma previsão para o futuro, mas para tentar entender as mudanças que estão acontecendo agora. De forma simplificada: em 2001 eles classificaram a influência do homem sobre as mudanças climáticas como “provável”, e em 2007 “muito provável”. Para quem gosta de números: a probabilidade de as alterações climáticas estarem relacionadas com as ações humanas passou de 55% para 90%. Isso mesmo, queridos, não há uma certeza absoluta de que o nosso “modo de vida” está causando o aquecimento global. Há certeza sim, de que um aquecimento global aconteceu, está acontecendo. Bom... O IPCC conta com 2500 cientistas de 130 países e diversas formações. Eu acho que merece algum respeito...

No entanto, não é preciso se aprofundar muito para perceber que as ações do homem têm impacto no meio ambiente. Quem mora em Petrópolis vai entender quando eu digo que morros desmatados e ocupados com construções resultam em desmoronamentos. Quem vai com frequência ao Rio vai entender que estar em uma rua movimentada, ou preso trânsito respirando um ar muito poluído causa dores de cabeça, náuseas...
 
Há quem defenda que o planeta tem uma capacidade enorme de absorver poluição e impactos e, portanto, não devemos nos privar de nenhuma produção nem gastar recursos em preservação. A primeira afirmação é uma verdade mesmo, mas imagine bilhões de habitantes durante 200 anos de produção e descarte em massa; não é razoável pensar que a nossa de exploração e nossos resíduos podem estar sendo processados mais rápido que a regeneração do planeta?

A pergunta “o que eu tenho a ver com isso” pode ter ainda um segundo significado: o que eu posso fazer pelo meio ambiente? E nessa hora nós podemos cometer dois erros. O primeiro é que o meio ambiente não é uma coisa abstrata. Não, queridos leitores, o meio ambiente não vai ser salvo pela imagem que eu compartilhei no facebook ou pela minha blusa “eu amo a natureza”. Ter simpatia por essa causa é um primeiro passo, mas sozinha não vai nos tirar do lugar.

O segundo erro é pensar que a minha parcela de contribuição é tão insignificante que não vai fazer diferença. “Não vou acabar com o lixo das ruas se jogar meu lixo na lixeira”, “não vou acabar com a poluição urbana se fizer a pé distâncias pequenas”, “não vou salvar a água doce se usar na minha casa de forma consciente”. Mas não é justamente essa mentalidade que os sensatos querem mudar? É como pensar que se um voto só não elege alguém eu não preciso entender de política. Que se não existem profissionais bons, o trabalho não vai fazer diferença. Que se não existem pessoas honestas, a honestidade não vai ter valor... No entanto, cada um tem alguma coisa a seu alcance, e a soma de várias pequenas ações vai se tornar um resultado.

Termino voltando à dúvida de que o aquecimento global ainda pode ser somente um mito. Se nos preocuparmos em preservar e descobrirmos mais tarde que o aquecimento global não está acontecendo, muitos podem lamentar o crescimento, a produção que não aconteceu. Mas se for verdade, estaremos diante de uma situação muito séria para os ecossistemas, para as espécies e principalmente para o homem. No caminho que escolhermos hoje alguma coisa estará sendo arriscada...

Na dúvida entre preservar meu conforto e preservar o homem, eu escolho preservar o homem.


Fernanda Gonzalez
Estudante de Engenharia Ambiental - UFRJ - Oficina de Valores

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