Por: Fernanda
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Faço parte de um grupo.

Um grupo que até desperta simpatia de bastante gente. Mas se levarmos em conta os que se enquadram mesmo, arrisco a dizer que é um grupo bem pequeno.

Faço parte de um grupo que sofreu muita perseguição. E, como tantos outros grupos, tenho esperança de que nos dias de hoje, onde a tolerância e o respeito são a lei, ele seja mais compreendido e mais aceito. Vou confessar a você, as coisas não tem sido fáceis para nós...
Quando chego a um ambiente novo não costumo contar o que sou, para que não haja um “pré – conceito”. As pessoas percebem alguma coisa diferente em mim, todo mundo sabe o quanto é difícil disfarçar... Mas deixo elas se aproximarem e ver que eu valho a pena antes de contar. No momento em que conto para elas, quando abro o jogo, tenho que lidar com o espanto, com o qual já me acostumei. Com o espanto e com respostas do tipo: “eu não imaginava, você é tão normal...” palavras que deixam implícito que o normal é não sermos o que somos. Já ouvi também “mas você não é como todos os outros, você tem a cabeça diferente, você é legal...” Não imaginam que o que tem de melhor em mim existe justamente por causa dessa escolha que e um dia fiz.

Sim, é uma escolha. Um dia, eu me deparei completamente livre para decidir, e hoje tenho certeza de que escolhi algo para o qual sempre fui feita... Não tenho vergonha de admitir, eu sou o que sou com muita convicção. Estou certa que encontrei a liberdade, a força e a felicidade que sempre busquei.

As pessoas se espantam com meu jeito. Meu jeito de vestir espanta. As coisas que eu defendo espantam. A forma que eu escolhi amar espanta. Agem como se não fosse natural, como se fosse doentio, sem saber o que se passa dentro de mim. Se soubessem o que trago comigo, se experimentassem o que experimento, tenho certeza que repensariam muita coisa.

Perguntam a mim como eu consigo ser tão minoria... Como eu consigo ser um escândalo no trabalho, na faculdade e até na minha família. As pessoas veem como é difícil, e esperam, naturalmente, que eu desanime, desista, fuja... Sinto até um pouco de pena. É gente que não entende e não sabe a força que tem o amor...

E como eu poderia desanimar? Posso estar sozinha hoje, mas, antes de mim, houve muitos que resistiram. Posso estar sozinha aqui, mas ao redor do mundo existem muitos que resistem ainda hoje. Existiu ontem e existe hoje gente que deu a vida, gente que dá o sangue, que bota a cara a tapa, que grita pelo nosso ideal. Como eu poderia calar diante de tudo que fizeram – e fazem - meus heróis?

Eu só queria poder andar normalmente, falar das coisas que gosto e acredito, usar meus símbolos, ler meus livros, contar para as pessoas livremente o que está em meu coração sem ter que me esconder, sem ter que disfarçar. Sem ser vista com estranheza.

Mas a verdade é que, pra mim, tudo que vem de fora parece muito pequeno, muito pouco, muito irrelevante diante de tudo o que experimentei. Tudo o que dizem... Tudo o que vejo... Toda a dificuldade... Dói? Dói sim, as vezes dói muito. Mas a minha consciência me diz que estou fazendo a coisa certa. Tenho o direito de ser o que sou em qualquer lugar. Tenho o direito de ser feliz. Tenho o direito de mostrar para o mundo. Tenho o direito de amar. Sou como qualquer pessoa. Sou esclarecida. Sou convicta. Sou católica.

 Fernanda Gonzalez
Estudante de Engenharia Ambiental - UFRJ / Oficina de Valores

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