Por: Cleber

Eu tinha dois sonhos quando criança: ser cantor de uma banda e ser cientista. Hoje para minha alegria posso dizer que realizei os dois. 

Durante algum tempo cantei em uma banda Católica chamada “Mais que Amigos” fizemos algum sucesso local, tínhamos até certo potencial para ir mais longe, mas devido às intemperes da vida a banda acabou, embora a amizade entre nós permaneça até hoje.

Atualmente faço mestrado em Ecologia na UnB e participo de projetos
de pesquisa. Trabalho em um projeto que pretende pesquisar mudanças climáticas e da biodiversidade em lagos na bacia amazônica e como promover a sustentabilidade ecológica e econômica através disso, então sou cientista, pesquisador.

Pode parecer que estou fazendo auto propaganda ou tentando espalhar meu currículo por ai, mas não é isso. O que pretendo dizer é o seguinte e é bem clichê: nunca desista de seus sonhos!

A gente ouve isso de diversas formas ao longo da nossa vida. Seja com imagens no face, com um texto como esse, ou sei lá por quê meio. É claro que quando eu sonhava na minha infância em ser cantor, eu sonhava com um mega palco com um super público. Como cientista, me imaginava descobrindo algo simplesmente surpreendente que mudaria drasticamente o rumo da humanidade. E isso é bom enquanto somos crianças, é preciso sonhar dessa forma megalomaníaca porque muitas vezes são esses sonhos que vão ser nosso combustível na vida adulta.

Acontece que ao longo do caminho temos uma forte tendência de abandonar os sonhos de criança. A gente amadurece, mas os sonhos não. Vamos descobrindo o mundo, percebendo que a realidade não é tão simples quanto nossos sonhos e vamos amadurecendo nosso pensamento, nosso comportamento, nossas ideias, mas estranhamente não amadurecemos os sonhos.

Acredito que muitas pessoas hoje, impulsionadas pelos sonhos de infância, alcançaram o que desejavam, mas não da forma como imaginavam e como não amadureceram seus sonhos ao longo do caminho, não percebem que fazem exatamente o que queriam estar fazendo quando crescessem. Sei também que isso não acontece com todos, mas fiquem calmos, ainda há esperança de realização para todos.

Amadurecer os sonhos é perceber que muito provavelmente a megalomania da infância não vai se realizar – para uns poucos ela se realiza, mas estes são a exceção e não a regra – porém, não significa que o sonho em si não vá se realizar. Precisamos perceber que há outros caminhos menos “badalados” mas que igualmente realizam, e talvez realizem até mais.

Digo mais! Continuar sonhando sempre é uma outra maneira e talvez a melhor de todas, de amadurecer tais sonhos para conseguir realizá-los. Como dizem: a cabeça nas nuvens e os pés firmes no chão”.

A maioria de nós, quando criança, sonha em realizar coisas fantásticas quando adulto, até mesmo ser um super herói. A criança que sonhava em livrar o mundo de vilões perversos que fazem mal as pessoas, e que quando adulta se torna um policial honesto, realizou seu sonho. A criança que sonhava em proteger os fracos e oprimidos, e ao crescer se torna um político honesto, um bom advogado, um bombeiro ou que simplesmente abre a porta da sua casa para acolher desabrigados, que doa sangue, também está realizando seu sonho. São heróis. Protegem os necessitados que estão fracos e até mesmo de alguma forma os oprimidos.

Tão importante quanto ter sonhos é saber dar o valor a eles quando estes se realizam. Saber maravilhar-se por ver acontecer o que um dia se almejou, se sonhou. Saber reconhecer isso traz uma sensação muito boa, uma sensação de vitória, e não raro de superação também.

Meus sonhos de infância eram ser cantor e cientista, hoje realizei os dois, mas estes sonhos não são os únicos que realizei. Depois que entrei na faculdade para cursar ciências biológicas e descobri a beleza por trás da ecologia, tive o sonho de ir a Amazônia, bom como disse no começo, meu trabalho de pesquisa atual é lá e irei para lá mais algumas vezes antes de terminar esse projeto.

Ainda hoje continuo sonhando, alguns ainda megalomaníacos, outros mais simples, e estes sonhos me guiam não de uma forma alienada da realidade, mas me guiam dentro da realidade que se apresenta diante de mim, com todas as dificuldades que existem, eles me guiam, por que sonho é só uma outra forma que a esperança arrumou pra não nos deixar.

É como diz o poeta Augusto dos Anjos: “A esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe a crença. Vão-se sonhos nas asas da descrença, voltam sonhos nas asas da esperança”.

Cleber Nunes Kraus
Mestrando em Ecologia – Oficina de Valores

2 comentários:

Anna Clara Costa disse...

Muito bom o texto, muito bom mesmo. "Quem acredita sempre alcança", certo? Deus abençoe!

Binho Kraus disse...

Obrigado Anna Clara Costa. É bem por ai mesmo, quem acredita sempre alcança!

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