Por: Paulo Vitor
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Amar, verbo dos mais conjugados, cantados, encenados... mas será que um dos mais vividos? O que de fato pode ser considerado amor? Seriam exageros as inúmeras frases de amor que ouvimos por aí?

Não é novidade que vivemos numa sociedade cada vez mais
egoísta, tantas vezes incapaz de olhar um pouco para o lado, para a necessidade do outro. Claro, num contexto onde "tudo" aponta para o prazer, pra que se doar de fato? Não dá lucro algum!É nesse contexto que vemos a banalização do verbo amar. As já citadas declarações de amor, carregadas de... emoção! Você, que acompanha este texto pode até discordar de mim, mas vejo, justamente neste ponto, a grande banalização do verbo. Confundimos amor de fato, com uma simples emoção.

Vejamos por nós mesmos: quantas vezes somos tomados pela raiva por conta de um problema no trânsito ou de uma bronca injusta levada pelo chefe? Sabemos bem, que vem aquela vontade de gritar, bater, revidar e muitas outras coisas! Mas em pouco tempo, na maioria das vezes pelo menos, a raiva passa, olhamos para nós mesmos e por vezes nos sentimos aliviados por não ter cedido à ela. Outras vezes ainda, somos surpreendidos por um encantamento inexplicável por alguém, seja uma paquera, uma referência de vida, entre outros. Não é comum que o encantamento passe depois de um segundo ou terceiro contato com a pessoa? Logo vemos que não era aquilo tudo que nos pareceu no primeiro momento.

Tudo o que foi citado acima é próprio de nós, seres humanos, lembremos-nos da frase: "vontade é coisa que dá e passa". E cá pra nós, se fizéssemos tudo o que sentimos vontade a vida seria bem mais complicada do que já é. Aí está, vemos e sabemos que as emoções nos traem, nos enganam, passam. Porém, quando se trata do assunto que envolve a palavra amor, isso tudo parece ganhar menos força. Eu vejo isso direto. Pessoas que acabam de se conhecer, se apaixonam e já disparam aquelas declarações de amor carregadas de juras e tudo mais, com direito a muita divulgação nas redes sociais para que o mundo saiba de tudo. E na mesma intensidade com que se declaram e juram amor eterno, terminam. Alguns choram desesperadamente por uma ou duas semanas, mas logo se esquecem do "grande amor" e outro aparece rapidinho.

Minha gente, isso não é amor! Paixão não é amor, um sentimento gostoso carregado de boas impressões, não é amor. É claro que uma grande paixão pode se tornar um grande amor, mas isso só se faz com o tempo, e bota tempo nisso. Aquilo que é verdadeiro, forte e perene é provado no fogo das dificuldades da vida, das humilhações e renúncias que a maturidade nos leva a fazer.

Já vi grandes exemplos de amor que foram além do sentir. Como por exemplo, na minha própria casa, onde minha avó, já com mais de 70 anos, cuidava do meu tio, que tinha por volta de 52, com câncer em estado terminal. Ele era dependente de tudo, já não tinha nem o seu juízo perfeito. Com tudo isso, vi minha vó acordar de madrugada pra ver se seu "filhinho" precisava de algo, vi a vó limpando com uma toalinha molhada as feridas que meu tio tinha em volta da boca e do corpo como um todo, feridas que cheiravam mal. Vi aquela mulher cansada, machucada pelo estado do filho, mas nunca a vi reclamar ou entregar os pontos. Enquanto meu tio viveu, minha vó o amou com tudo que tinha e não tinha. Eu vi renúncia, doação, carinho, enfim, eu vi o que de fato é uma prova de amor.

Amar é um verbo lindo, por isso tão cantado, tão falado. Porém, te peço querido leitor, que só diga: “eu te amo” para alguém se você de fato estiver disposto a viver as exigências de um verdadeiro amor. Tome cuidado com os sentimentos que vão e voltam. O tempo é o senhor da razão, ele mostra como de fato as coisas são. Um verdadeiro amor jamais deixa de ser. Se ele passa é porque nunca foi.

Paulo Vitor Simas
Professor de Ed. Física e Religião - Oficina de Valores

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