Por: Diego

“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou…” Assim começa a música que Renato Russo compôs para o Legião Urbana. O tempo é algo que não podemos guardar, é como se fosse moeda instantânea: ou se converte em algum bem (alegria, dinheiro, descanso…), ou se perde aquele momento para sempre. Iniciamos todos os dias com um saldo de 24 horas e, ao final do mesmo dia, esse saldo é zerado para que recebamos novamente a mesma quantia no dia seguinte. Por isso é um bem limitado,
embora não seja escasso. Mas se não “temos todo o tempo do mundo”, como gastar bem esse nosso tempo todos os dias? Ou ainda, como não desperdiçar esse dom valioso?

Devemos ter sempre em mente que cada momento é único. Hodie et nunc! “Hoje e agora!”. Isso não significa que devemos viver de maneira inconsequente, como se a momentaneidade da vida fosse pretexto para não pensar no futuro. Mas ao contrário: um bom investimento nos leva a bons resultados em longo prazo, um mau investimento nos trará prejuízo. Se perdermos tempo de mais com alguma coisa, nos faltará tempo para outras. Aproveitar o tempo significa cumprir aquilo que deveríamos em cada momento, de forma ordenada. Uma das maiores queixas (e desculpas) que ouço (e às vezes também uso...) no dia a dia é a de não ter tempo. Mas quantas não serão as vezes que dormimos pouco pra estudar, quando na verdade perdemos o tempo de estudo na internet? Ou deixamos de estar com pessoas que gostamos porque nossa ganância nos faz trabalhar mais que deveríamos? 

Temos que saber organizar nosso tempo, colocando cada coisa em seu devido lugar. Num livro chamado a Virtude da Ordem (Editora Quadrante), o autor utiliza uma boa comparação: cada dedo da mão pode representar uma forma de gastar o tempo: o mindinho é o lazer e o descanso. Na nossa vida corrida é o que menos temos tempo (por isso o menor dos dedos), mas mesmo assim é uma parte essencial da nossa vida. O anelar representa nossas relações afetivas (é o dedo da aliança). E se amar é se comprometer com a felicidade dos outros, compromisso exige continuidade, dedicação aos nossos familiares e amigos. O dedo médio (maior de todos) é o nosso tempo para Deus. Não significa que devamos passar a maior parte do nosso tempo rezando ou dentro de uma Igreja, mas as horas e minutos que “gastamos” com Deus são as mais essenciais, “pois que aproveitará o homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder sua vida?” (Mc 8, 36). O indicador representa nosso tempo de trabalho e estudo, pois nossas ocupações profissionais são as que normalmente indicam onde passamos a maior parte do nosso dia, as pessoas que mais temos contato, assim como nossa fonte de renda e parte de nossa satisfação profissional. E o polegar, o dedo que pode segurar todos os outros, é o dedo da caridade. Não raro nos deparamos com pessoas que precisam de ajuda, seja material ou um apoio psicológico, um ombro amigo ou bom conselho. E como nosso tempo não sobra, frequentemente teremos que abrir mão de alguma coisa quando quisermos ajudar alguém. Quem ama se doa, e o que mais nos custa se não nosso tempo?

Ordenar isso tudo exige ponderação, sinceridade consigo mesmo e sacrifício. Primeiro o mais importante, sem ficar adiando aquilo que devemos fazer, por mais que nos custe ou seja pouco agradável. Uma história conta que um camponês, ao sair de sua vila para o campo logo cedo, se deparou com um lenhador indo com um machado em direção a uma árvore e começou a cortá-la. Ao entardecer, quando voltava para casa, o camponês encontrou o lenhador ainda tentando cortar a mesma árvore. Quando se aproximava reparou que o machado estava sem fio e perguntou ao lenhador “Por que não para um pouco e afia o machado?”. E o lenhador respondeu “Não posso, não tenho tempo”. Cumprir aquilo que devemos em cada momento não só fará com que consigamos tempo para o que desejamos como também nos trará mais paz. Não a toa dizia São Josemaria Escrivá: “Preocupações?... - Eu não tenho preocupações - disse-te -, porque tenho muitas ocupações”.

Por fim, vale a pena um conselho que o próprio Renato Russo nos dá na música: “Todos os dias, antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia”. Fazermos um Plano de Vida, colocando no papel nossas principais atividades do dia ou utilizando uma agenda para anotar nossas tarefas, nos permite ao fim do dia fazer um Exame de Consciência. Nesse exame poderemos parar para olharmos nosso dia e pensar “cumpri todas as tarefas que planejei para de hoje? Perdi o tempo com o que não devia? Fui egoísta com meu tempo ou aproveitei para me doar aos outros?” entre outras reflexões. E qualquer que sejam nossas respostas o que importa e seguir “sempre em frente. Não temos tempo a perder”. Afinal, a melhor forma de recuperar o tempo perdido é não perdendo mais tempo.

Diego Gonzalez
Estudante de Engenharia de Controle e Automação UFRJ – Oficina de Valores

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