Por: Tauat
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Hoje chegamos ao final do especial sobre as urgências na ação evangelizadora. Este último ponto, diz respeito à vocação e missão da Igreja: o serviço. Serviço que se orienta sempre para a promoção integral da vida para todos.

Igreja que se coloca à serviço da vida é Igreja que se molda no próprio Cristo, que diz: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10, 10-b). Promover a vida é continuar, nos dias atuais, a obra iniciada pelo Carpinteiro de Nazaré. Essa promoção não deve se direcionar somente para mim mesmo e aos meus preferidos, numa perspectiva clubista, que se fecha numa panelinha. A vida que defendo para mim é a vida que também defendo para todo e qualquer ser humano, independente de cor, credo ou opção sexual. Não é, ainda, uma defesa parcial, que defende apenas alguns poucos quesitos da vida. Mas uma defesa integral, que vai desde a concepção até a morte natural, incluindo, obviamente, todo o interim entre estes dois momentos.

Dessa maneira, o serviço em prol da vida não pode se restringir apenas à defesa da vida intrauterina e do direito à morte natural. É preciso incluir também o período em que a vida se mostra “sensivelmente materializada”. A beleza de uma vida no interim entre nascimento e morte tem o mesmo valor de uma vida segundos após a concepção e, portanto, deve ser igualmente defendida e promovida, sob o risco de se criar uma diferenciação do valor da vida humana em suas diferentes etapas. 

O Concílio Vaticano II exprimiu da seguinte forma as práticas que ofendem o respeito à vida humana: “Tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho, em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador” (Gaudium et Spes, nº 27). 

Vemos no entendimento conciliar que nossa área de atuação é (ou deveria ser) muito mais abrangente do que pode parecer. E é dentro dessa perspectiva, que nossa Diocese nos convida a nos posicionarmos contra toda e qualquer cultura que vise à legalização do aborto, da eutanásia e/ou das drogas, e a também promover a vida pela presença dos católicos na política, que é, nas palavras do Papa Francisco, “uma das mais altas práticas de caridade”, porque tem o potencial (que nem sempre é utilizado) de melhorar a condição de vida da população. Devemos também reconhecer a importância da presença missionária e profética dos cristãos nos ambientes periféricos, naqueles lugares em que não há glamour, luzes, câmeras, ou público para aplaudir, mas há o Senhor que sofre no irmão doente, no irmão encarcerado, no irmão ancião que se encontra abandonado num asilo, no irmão refém das drogas, no irmão prostituído, no irmão indigente. Ir a esses irmãos, mais que um chamado, é uma necessidade! Há, ainda, a necessidade de sermos presença do Transcendente, isso é, testemunhar Cristo no mundo moderno. Além da fome de pão, devemos também nos preocupar em que os filhos deste tempo encontrem o Senhor, pois a vida que cremos não termina no dia de nossa morte, mas se abrirá plenamente no dia em que estivermos frente a frente com o Ressuscitado que passou pela Cruz!


Tauat Resende
Estudante de Direito - UFF / Oficina de Valores

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