Por: André
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Como quase economista, poderia falar de inúmeros aspectos do dinheiro, mas gostaria de começar o texto propondo um exercício mental: suponha que subitamente apareçam um milhão de reais na sua conta bancária. Esse dinheiro vem com apenas uma condição: nem você nem pessoa alguma, em momento algum, pode movimentar este dinheiro. Agora peço que responda a seguinte pergunta: esta quantia muda em alguma coisa na sua vida?

Pelo menos a minha vida continua inalterada, visto que não posso usufruir deste dinheiro. Creio que quase todas as pessoas teriam uma posição parecida diante desta situação. Este simples experimento nos demonstra que o que importa para gente não é o dinheiro em si, mas o que ele nos possibilita realizar. Logo dinheiro é um meio e não um fim em si.

Na sociedade moderna, o dinheiro é o meio para satisfazer diversas necessidades e desejos do ser humano. Desde a necessidade básica de abrigo e alimentação até o desejo de realizar uma viagem pelo mundo podem ser satisfeitos pelo dinheiro. Como vemos, existem diversas coisas que dinheiro pode comprar, mas nem todas possuem a mesma importância. Para aqueles que fazem um orçamento doméstico, ou mesmo pessoal, esta realidade é gritante. Por exemplo, um bom chefe de família irá sempre privilegiar usar os recursos financeiros da família para cumprir com despesas básicas (alimentação, aluguel, educação, etc.) em vez de dar prioridade às despesas com bens supérfluos (viagens, refeições fora de casa, etc.). Este ponto é mais do que claro, em especial para aqueles com orçamentos apertados. A questão mais complexa é o que fazer com o dinheiro que “sobra”. Em outras palavras, como deve ser a nossa despesa com supérfluos?

Creio que a melhor forma de gastar o dinheiro que nos sobra é em artigos que nos tornem mais humanos. Por exemplo, utilizar o dinheiro para viajar e encontrar um amigo que não se via a muito tempo, em livros e outros artigos que nos trazem mais conhecimento e cultura, um conserto doméstico que torna nossos lares mais agradáveis a nossos familiares. E, é claro, ajudar o próximo, seja através de uma instituição que conhecemos e confiamos até ajudar pessoas com quem temos um contato íntimo e encontram-se em necessidade. 

Para concluir, gostaria citar um professor que tive na faculdade que falava: “Quer ver em que as pessoas acreditam, olhe onde elas aplicam seu dinheiro”. A frase foi falada num contexto de expectativas sobre o cenário econômico, mas também aplica-se a nós. A forma com a qual gastamos nosso dinheiro diz algo sobre quem nós somos e em que acreditamos. Quero ainda deixar claro que não sou a favor de nenhuma atitude radical desnecessária, mas sim de uma melhor consciência sobre como gastamos nossos recursos.

Se acreditamos em certas posições e valores, devemos ser coerentes. Coerentes a ponto de não deixarmos de demonstrá-los com  nossos bolsos.

André da Costa
Estudante de Economia - PUC-RJ / Oficina de Valores

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