Por: Paulo Vitor



Frequentemente ouço afirmações parecidas com essa: “a não, esse ano não, tô meio cansado”; ou então: “ah, muitos anos participando, esse ano eu quero fazer algo diferente, quero viajar, quero mudar”.

Poderia citar ainda outros discursos que são feitos quando chamo alguns amigos e conhecidos para fazer um retiro de carnaval. E isso tem me incomodado de maneira singular. Não pelo fato de muitos não quererem participar de um novo retiro, de terem alternativas, que até são boas em si mesmas, mas é o discurso que me chama atenção.

Na maioria das vezes, me parece que muitas pessoas têm essa experiência de retiro, sobretudo a que acontece no período do Carnaval, como uma possibilidade menos importante, caso outras melhores não se concretizem. Como se o retiro mesmo, não fosse tão importante ou uma alternativa que realmente possa ser vista como prioridade, como algo que vale mais do que qualquer outra proposta. 

Com a graça de Deus, vou para o meu décimo terceiro retiro. Nunca tive outro tipo de carnaval depois de começar a fazer retiros nesta época. Antes de começar a fazer os encontros, experimentei muita coisa do Carnaval e de diversas facetas. É com muita liberdade que digo: não troco minha escolha atual por nada.

Lembro bem da minha primeira experiência, no ano de 2002, era o Retiro de Carnaval da JMV (Juventude Marial Vicentina). A galera esperava ansiosamente por aqueles dias. Foi um dos encontros mais marcantes pra mim: lembro-me de palestras que foram passadas, poderia citar aqui vários momentos, sem falar da alegria da galera, muitos amigos que me acompanham na caminhada até hoje estavam por lá. Ali firmei propósitos de caminhada mais séria com Deus e vi muita gente encontrar um novo sentido para viver. Tudo isso, devo dizer, é só um pedacinho das grandes maravilhas que vivi, pois ao longo dos anos, as experiências foram sendo tão ricas ou ainda mais do que a que acabo de relatar. 

O leitor pode estar pensando agora: “ah, mas posso viver um Carnaval muito bom, buscando fervorosamente a Deus inclusive, em outro lugar que não seja um retiro. Posso estar num sítio em família, ou viajar para um bom lugar, com boas pessoas que me ajudarão no bom propósito de ser uma pessoa reta, de valores, etc”. E eu digo que você está certo, é claro que sim! Mas este texto visa mostrar justamente o ganho que se tem ao estar nessa proposta que defendo, e principalmente, fazer com que a alternativa de um Retiro de Carnaval seja vista como uma grande oportunidade, a melhor no meu caso, e não como uma alternativa ao final de tanta coisa que poderia ser.

Já vi muita gente chegar nesses retiros sem nem mesmo ter trazido uma mala, vindo direto de alguma noitada pré-carnaval, foram “pescados” no meio do caminho; vi pessoas se consolando mutuamente, dizendo: “ah, vai ser legal, aquela outra coisa não rolou, mas aqui é bom também”. Vi e ouvi muita coisa nestes anos de experiência, e muito daquilo que vivenciei, me faz pensar que muitos não entenderam o real sentido da proposta que fazemos.

Um Retiro de Carnaval, e eu posso falar dos que eu já estive, é feito de alegria, muitas alternativas de lazer, brincadeiras; mas, sobretudo, é composto por espiritualidade profunda e um povo disposto a se doar para aqueles que vão participar desta proposta.

Se você sabe o que quer, se quer um Carnaval verdadeiramente bom, longe de tanta nojeira que temos visto por aí, considere a possibilidade de estar num Retiro de Carnaval como algo verdadeiramente bom, algo que vai fazer com que o tempo gasto realmente valha a pena.

Paulo Vitor Simas
Educador Físico e Professor de ensino religioso / Oficina de Valores

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