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Por: Juliana Benevides


Santidade, eita palavra que assusta, e/ou me remete a algo velho, e/ou me lembra de pessoas velhas, e/ou me faz pensar em esculturas dentro de Igrejas e senhoras rezando o terço. SAI ESTERIÓTIPO de mim! Mas infelizmente ainda sou um pouco assim.

Meus velhos pensamentos ganharam novas inspirações quando comecei a ler um livro chamado “Diário da Alma” que vem a ser uma espécie de diário espiritual do hoje proclamado São João XXIII.

Humildemente, tenho que confessar que não conhecia praticamente nada da história desse homem, quase nada mesmo. Quando o livro chegou em minhas mãos, ainda tive a “decência” de olhar no Google uma informação qualquer dele. Mas foi conhecendo o santo nos seus descritos diários e íntimos que eu fui me identificando, e muito, com ele.

Logo nas primeiras páginas, eu me deparei com as anotações, os propósitos de um menino, recém-chegado no seminário e com a lista de afazeres lotada de propósitos lindos de se ver. Logo nas primeiras páginas pensei: “Se esse menino conseguiu ser santo porque aos 14 anos já tinha e cumpria propostos desse nível, eu estou perdida!”.

Com o passar do tempo e o ganho de maturidade, as meditações de São João XXIII, tão simples, tão “normais”, tão cotidianas e o mais importante, os propósitos de melhora dele tão repetitivos e insistentes, me levaram a me alegrar com a sua canonização como a de um velho amigo.

Me sinto íntima e próxima de alguém que toda noite se lamentava de ter sido disperso no terço pela centésima vez no mês e ainda sim prometia ser melhor no dia seguinte. Sabe aquela história de que um santo não é aquele que nunca erra, mas sim aquele que nunca cansa de se levantar? É isso. Sem firulas, sem poréns.

Que dia feliz para a Igreja, que dia feliz pra nós que hoje podemos contar com mais um intercessor.

A outra alegria nomeada dessa semana, nosso tão amado São João Paulo II, certa vez clamou: Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem discman.” E hoje eu me alegro juntamente com outros milhões de católicos pelo mundo a fora que celebram a alegria de terem dois amigos no céu.

Provavelmente, São João XXIII não escutou um discman ou foi um internauta, (ele nasceu em 1881!), mas inserido no seu tempo foi um jovem como qualquer outro, cheio de sono quando quis fazer sua oração, brincalhão com seus amigos e às vezes até um pouco linguarudo (como ele mesmo se lamentava), contudo, um jovem santo que nunca desistiu de ser melhor. Para mim, ele é uma companhia consoladora nas noites em que consigo conversar com ele antes de dormir, um exemplo, um amigo que às vezes me faz rir, e muitas, mas muitas vezes me faz querer ser melhor por conta das suas atitudes.

Intimamente, ele está sendo aquele que me dá forças quando através de sua vida me conta que não é difícil só pra mim e que por isso, eu tenho condições de alcançá-lo.

“Devo convencer-me, para sempre, desta grande verdade: Jesus não quer de mim, seminarista Ângelo Roncalli, somente uma virtude medíocre, mas a máxima virtude; não estarás contente comigo enquanto não for, ou pelo menos não me esforçar, com todas as minhas forças, por ser santo. Tantas são, e tão grandes, as graças que me deu com esse fim” – máximas extraídas das meditações dos Exercícios Espirituais, p.78.

São João XXIII, rogai por nós!

Juliana Benevides Dornas
Professora de Inglês

Referência: JOÃO XXIII, Diário da Alma. 2°ed. São Paulo: Ed. Paulus, 2013.

  

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