Por: Rodrigo Moco

Imagem de: www.vagalume.com.br
Já escrevi sobre a dependência afetiva e agora me arrisco a tecer algumas 
considerações sobre a dependência química. Reconheço que não sou nem de longe especialista no assunto, mas pelo que estudei e acompanhei de perto, acredito poder partilhar algumas coisas úteis.
Para início de conversa, é importante saber por que as pessoas fazem uso de substâncias químicas, sejam elas lícitas ou ilícitas. Acredito que os motivos estão sempre atrelados a uma certa dependência psicológica da substância, como por exemplo:

- O uso do álcool para ficar mais desinibido e conseguir interagir melhor, para se “divertir” mais.
- O uso do cigarro, álcool ou qualquer outra droga, para sentir-se parte de um 
grupo.
- Anabolizantes e similares no caso de pessoas que querem um resultado rápido na academia, a perigosíssima busca pelo corpo perfeito.
- O famoso beber ou se drogar para esquecer. Que normalmente acontece após algum evento traumático, um término de relacionamento, uma traição, uma perda significativa, uma depressão que seja.
- Mera busca por obtenção de prazer.

Em todos esses casos e outros mais, a pessoa identifica uma lacuna psicológica e utiliza a substância química para preenchê-la. Acredito que eu nem precise argumentar para dizer que em nenhum dos casos exemplificados o objetivo é alcançado com o uso das substâncias, né? A questão é: as pessoas acham que serão mais felizes utilizando as drogas, sejam elas quais forem -- e aqui incluo o álcool e o cigarro --, mas o que não percebem é que na verdade elas é que são usadas pelas drogas.

Aí nós entramos no tema da dependência química propriamente dito, que nada mais é do que a consequência da dependência psicológica, que vai se utilizar das drogas como muleta. Cada vez mais vai sendo necessário utilizar doses maiores da droga, para uma obtenção menor de resultado, isso porque o nosso corpo vai se acostumando às substâncias e deixando de produzir determinadas substâncias naturalmente, porque as recebe das drogas que são utilizadas, e aí é que se instala de fato a tal dependência química. O corpo passa a necessitar da droga, o psíquico passa a necessitar de fato da droga. E aí eu te pergunto: é você que usa a droga ou é ela que te usa? Nada que tira a minha liberdade pode ser bom pra mim.

O tempo da escravidão já passou faz tempo e hoje é unânime na nossa concepção social o quão absurdo é uma pessoa ser posse da outra. Quando pensamos na escravidão dá raiva daquele momento histórico e alegria por termos nos libertado dessa cachaça, da maconha, do anabolizante, da cocaína, do crack, etc. A que ponto chegamos, né?
Alguns dados alarmantes:

- O Brasil é o 2º país do Mundo em consumo de drogas. 
- 20% das drogas no Mundo são oriundas do Brasil
- O primeiro contato dos adolescentes da Rede Pública de Ensino do RJ com as drogas acontece aos 10 anos em média.

Quando eu me deparo com esses números fico assustado. Dependência química não é brincadeira. Destrói vidas, destrói famílias. É uma das nossas grandes mazelas sociais e de maneira alguma podemos ser indiferentes ou omissos frente a isso. Precisamos sim combater esse mal. De que forma? Encarando com mais seriedade e comprometimento a questão.

Me abstenho de escrever o último páragrafo desse texto, e para tal me utilizarei da genialidade de alguém que sabe bem melhor como fazê-lo:

“Eu sei que depende, mas se você depende da droga ela é a falsa rebeldia que te ajuda se enganar – a mentira que vicia – porque parece bem melhor do que a verdade do outro dia.
Falsa fantasia é a droga, que parece mais real do que esse mundo de hipocrisia que te afoga! 
A droga é só mais uma ferramenta do sistema, que te envenena e te condena. 
Overdose de veneno só te deixa pequeno! Muito álcool, muito crack, muita coca! A vida te sufoca! 
E vai batendo a onda a onda bate a onda soca! 
A onda bate forte! Apressando a morte feito um trem. 
Você sabe que ele vem, mas se amarra bem no trilho, suicida! 
A doença tem cura pra quem procura. 
Pra quem sabe olhar pra trás, nenhuma rua é sem saída.”

(Trecho da Música: “Tem alguém aí?” Gabriel, o Pensador).

Rodrigo Moco
Psicólogo / Coordenador da Oficina de Valores

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