Por: Diego

Há poucas semanas pude fazer uma experiência sensacional, que foi fazer a travessia entre as cidades de Petrópolis e Teresópolis por uma trilha entre as montanhas. Os pouco menos de 30 quilômetros, divididos em 3 dias, proporcionam uma boa quantidade de dores e cansaço, mas além disso nos permitem contemplar experiências únicas. Uma delas é a paisagem, marcada pelo verde, vales e montanhas, que se pode ver lá de cima. Um momento especial se deu ao chegar ao cume de uma montanha, ao fim do primeiro dia, e ver de lá o pôr do sol (a foto acima foi tirada lá). Estava no ponto mais alto, acima das nuvens, e não podia ver nada abaixo de mim. E sem exageros, posso dizer que foi uma das imagens mais bonitas que já vi.

Porém, diante daquela cena única algo me incomodava por dentro. Não era um pensamento novo, era algo que já havia sentido antes, principalmente em momentos de grande alegria ou que me marcaram positivamente. Nesses momentos, sem que eu procure, sempre me vem uma pergunta à cabeça: de que vale esse momento único diante da brevidade da vida? Talvez seja um sentimento que compartilhamos, pois é algo que em algum momento de nossas vidas certamente paramos para pensar. Naquele momento, me afastei um pouco do grupo que acompanhava e, por alguns minutos, me pus a rezar.

Quando sou tomado por uma grande alegria ou satisfação, sinto como se experimentasse uma sensação de infinito. Olhar para um mar de nuvens, capaz de esconder o próprio sol, me traz o sentimento de infinito. Olhar para uma grande obra de arte, como a decoração cheia de detalhes de uma Igreja antiga, me traz a impressão de que a beleza daquele lugar não tem fim. Passar uma tarde divertida com amigos me faz querer estar ali para sempre. São experiências que tocam algo que temos de profundo, e gostaríamos de vivê-las cada vez mais e mais. Mais do que alegria, elas trazem uma certa paz. E pensar que esse sentimento não vai durar pra sempre traz esse questionamento que citei acima: por que esses momentos nos comovem tanto se são efêmeros?

A verdade é que esses momentos evidenciam em nós a nossa sede de infinito. É como se tocássemos, só por um instante, algo que sempre buscamos. Mas tais momentos não são suficientes para nos preencher, e nenhum outro que possamos experimentar na vida poderá fazê-lo. Diante disso temos duas escolhas: a primeira é acreditar que em nenhum momento seremos realmente preenchidos, e daí procurar espremer a vida ao máximo para beber dessas gotas que alguma hora acabarão. Mas sinceramente não acho esse pensamento razoável, se fosse assim, a vida seria um pouco mais que uma piada sem graça. Quando achamos algo maravilhoso, ele acaba, até que a morte termine com tudo.

A outra opção, que é apresentada numa das palestras que a Oficina de Valores realiza nos colégios, é na verdade um raciocínio lógico: temos fome porque existe comida, temos sede porque existe água. E se ansiamos por essa alegria e satisfação infinita (por que não chamamos isso de ‘felicidade”?), é porque existe alguma coisa que nos preenche. O que nos resta é saber onde ela está.

Naquela montanha parei para rezar. Isso porque há alguns anos pude ter uma experiência onde encontrei em Deus o sentido da minha vida. É uma experiência difícil de descrever, porque é falar de algo que me tocou de uma forma muito pessoal. A foto do pôr do sol acima pode encantar a muitos, mas ela não pode ser comparada com a sensação de se estar lá em cima. Da mesma forma posso descrever com muitos detalhes como foi que encontrei a Deus, mas nunca será a mesma coisa do que viver tal experiência pessoalmente.

O que posso dizer é que foi o resultado de um caminho, uma procura pela verdade. Não tão heroica como a de Santo Agostinho ou C. S. Lewis, mas que consistiu em não me conformar com o que havia aprendido da fé de meus pais. Uma busca mais a fundo, pessoal, que passou pela experiência religiosa, mas também por buscar a Deus no próximo (principalmente os que mais necessitavam) e por buscá-Lo através da razão (quando pude conhecer, no limite das minhas capacidades, um pouco do pensamento de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino). Não encontrei “algo” que me satisfizesse, mas Alguém que me esperava desde a eternidade.

Quando penso nisso, esses momentos de infinito tomam outra dimensão. Eles são maravilhosos e vale a pena vive-los, porque derivam de algo maior, e o melhor ainda está por vir. O Céu, na concepção cristã, não é um lugar físico em que ficaremos voando de um lado para o outro. Mas é um estado da alma, em que junto de Deus teremos essa sede infinita de felicidade preenchida por Seu amor. A eternidade junto a Deus seria a alegria mais completa do que todos os momentos felizes que vivemos, porém com a diferença de não ter fim.

E para concluir deixo duas sugestões: a primeira é que façam a travessia entre Petrópolis e Teresópolis. Exige um pouco de preparo, o caminho é muitas vezes cansativo, existem dores, pedras, desafios. Mas é um trajeto magnífico, que pode estar cheio de boas companhias, alegrias e experiências únicas. E no final se tem a recompensa, além da satisfação de ter conseguido chegar até lá, de estar no céu e poder tocar um pouco o infinito.

A segunda é que não ignorem esses nossos anseios, e procurem mais a Deus. Exige um pouco de preparo, o caminho é muitas vezes cansativo, existem dores, pedras, desafios. Mas é um trajeto magnífico, que pode estar cheio de boas companhias, alegrias e experiências únicas. E no final se tem a recompensa, além da satisfação de ter conseguido chegar até lá, de estar no Céu e poder abraçar por completo o infinito.


Diego Gonzalez
Mestrando em Engenharia Biomédica
Oficina de Valores

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