Por: Gustavo
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Luna Lovegood é uma personagem um tanto quanto secundária na história do bruxo mais famoso dos últimos tempos. Mas não é personagem daquelas que passem despercebidas, não mesmo! Isso porque ela é... Como dizer?... Diferente. Ela só entra na história lá pelo quinto livro/filme da série, mas, com jeito um tanto irreverente, chega (as boas e velhas aspas vão dar a medida do sentido) “metendo o pé na porta”.

Luna desperta interesse, de cara, por ser uma personagem cômica, daquela que diz coisas inesperadas, veste-se de forma extravagante, comporta-se como uma “lunática”, enfim, foge a padrões. Depois, o seu carisma junto ao público aumenta porque, por esse seu jeito diferente, ela é a típica “excluída”, sem ser chata, e assim tem todo esse apelo da “coitadinha”, mais ainda por não ver-se ou fazer-se assim ela mesma. E por último, ela entra na história num momento em que o protagonista, Harry Potter, está passando por uma crise, sendo tomado por mentiroso, e vê-se sozinho e sem o apoio dos amigos, quando Luna surge como uma das poucas ou a única que o compreende e fica ao seu lado. Alguns diálogos, que fazem bem pouco sentido lógico, diga-se, e Harry passa a vê-la como amiga e aprende com ela alguns meios de animar-se e passar pela situação.

Se a ideia dessa série de textos sobre a saga é aprender com os personagens, eu diria que, de longe, a maior lição que Luna nos pode dar é sobre a coragem de ser autêntico,  espontâneo ou, no simples, “você mesmo”. A verdade é que você, você aí mesmo que está lendo, é único! Assim como eu, eu mesmo, aqui escrevendo, também o sou. Únicos. Eu, você, a torcida do meu mengão e os outros poucos seres humanos que sobram:  irrepetíveis. Ou, melhor no singular, ‘Irrepetível’, cada um de nós. E o engraçado é que, no meio da montanha de diferenças, temos uma semelhante tendência à convergirmos todos para um padrão, à abolir diferenças porque, convenhamos, elas dão trabalho. Ao fazer isso matarmos assim o que há de mais especial em nós, aquilo que somos e ninguém mais é: nós mesmos.

Quem você seria, não fosse o medo, pequeno ou grande, do que vão pensar de você? Não quero dizer aqui que se deva desconsiderar absolutamente a opinião dos outros (acho que “não se importar com o que os outros pensam”, dependendo da interpretação que se dê, é o mantra máximo da religiosa arrogância e burrice que alguns vivem hoje). O que quero fazer refletir é: “qual a minha forma de encarar a opinião dos que me cercam?”.

 Para pensarmos as respostas, digo que se são os extremos “medo” e “indiferença” podem não ser bons indicadores. O melhor, penso eu, seria “com respeito”, como quem não faz da palavra dos outros uma lei para reger sua vida, nem como o desinteressante horário eleitoral, que nada pode acrescentar nada a ela. “O que eles vão pensar se eu...?”: aposto que Luna se faz pouquíssimo essa pergunta ( só a JK Rowling pode dizer se acerto) e quando o faz, certamente é com aquela atitude que é como um riso mental. Isso porque ela se diverte sendo ela mesma, e nós devíamos experimentar mais isso também!

Há certamente qualquer coisa de muito interessante em você mesmo que você só vai descobrir quando, no mínimo, preocupar-se em agradar a si mesmo tanto quanto aos outros. E há também infinitos de coisas extremamente interessantes a serem descobertas nos outros que só o serão quando a minha atitude promover em vez de repudiar a espontaneidade e me permitir aproximar-me do que me é estranho.

Luna ensina com seu jeito de ser que, quando se trata de gosto e não de “certo ou errado”, são seus gostos mesmos que devem ser a sua medida. A maior virtude da pessoa “diferente” não é sê-lo, afinal todos são verdadeiramente diferentes. Sua maior virtude é a coragem de ser autêntica, de expressar-se e agir segundo sua natureza e suas preferências, não as dos outros. E aturar, com tranqüilidade e algum bom humor, as expressões de ridicularização e/ou reprovação que lhe vão fazer ver durante a vida.

Gostaria de fazer uma reflexão um tanto motivadora: aqueles que cedem aos padrões são aceitos e vivem confortavelmente, sim! Mas logo são assimilados pela massa e sua presença passa a ser indiferente, eles morrem e são esquecidos. Os que não são infiéis a si mesmos podem ser rechaçados, excluídos, mas vivem mais felizes, porque vivem a sua vocação primeira (ser eles mesmos) e assim cumprem o objetivo de sua existência, e sua vida e suas obras únicas perpetuarão sua existência na memória coletiva, que salva do esquecimento aquilo que é ímpar, “diferente”. Até porque “diferente” é condição indispensável para a genialidade...

Por fim, quero responder ao título (ficou um tanto diferente, não?) pra que ele faça algum sentido. A verdade sobre toda diferença (inclusive o título) é que ela tem uma causa e é muito mais fácil compreender uma conhecendo a outra:

"Eu sou sonâmbula, sabia? É por isso que eu durmo de sapatos."

O título é uma resposta hipotética e incompreensiva a essa frase de Luna, a personagem de quem o texto trata. E o que é essa sua frase senão louca... e genial!?

Gustavo Lima
Estudante de Jornalismo / Oficina de Valores

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