Por: Diego



Para qualquer um que  tenha acompanhado a série de Harry Potter (seja pelos livros ou pelos filmes) não restam dúvidas de que, depois do próprio Harry, Alvo Dumbledore é o personagem de maior importância na história. E de certa forma não é uma figura inovadora. O papel de mentor ancião sempre teve grande importância na ficção: Merlin, Yoda, Gandalf são exemplos que talvez ganharam maior destaque na literatura e no cinema.

Apesar de estar dentro de certos clichês, Dumbledore apresenta algumas características únicas. Sua inteligência era incomparável: por volta do terceiro ano já foi considerado o melhor aluno da história de Hogwarts. Criou feitiços, artefatos mágicos, poções, escreveu livros e artigos sobre magia. Possuía habilidades incomparáveis com feitiços, a ponto de conseguir realizar muitos sem precisar de uma varinha (item praticamente imprescindível no universo de Harry Potter). Seu poder era tanto que foi o único bruxo que o vilão Voldemort realmente temeu em vida.

Entretanto, seu maior poder é justamente aquilo que o faz em comum com esses anciãos e que podemos chamar de “sabedoria do coração”. Incluo “do coração” porque esses sábios não apenas adquiriram conhecimento e experiências, mas souberam converter esses dons naquilo que acreditavam ser o bem. O coração, se em muitos casos é reduzido a apenas um símbolo de afeto, em alguns contextos é entendido também como o centro das decisões morais, da vontade, das escolhas.

Dumbledore apresenta isso de uma forma extremamente valorosa, que é a capacidade de acreditar e de confiar nas pessoas. Enquanto professor e diretor colocou muitos alunos “problemáticos” para dentro da escola de Hogwarts: Tom Riddle (que mais tarde se tornaria Lord Voldemort), Remo Lupin (que era um lobisomem), Hagrid (que havia sido expulso, mas permaneceu lá por apelo do diretor), entre outros. Em todos esses casos assumiu o risco do que poderia acontecer, mas acreditava que esse seria o melhor caminho para aquelas pessoas.
Isso porque conseguia ver o interior de cada um. Se por um lado havia desenvolvido a habilidade de ver coisas invisíveis (nenhum artefato ou magia de invisibilidade era capaz de enganá-lo), também possuía a capacidade de ver o bem que os outros traziam dentro de si. Vivia a máxima de Saint-Exupéry: ”Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Por isso depositou esperança no jovem Riddle, apesar de ver nele o interesse pelo “lado negro” da magia. Mas preferiu não cortar o joio para não correr o risco de arrancar também algum trigo que pudesse ali existir.

Num mundo como o nosso em que a confiança e a benevolência são características de trouxas, esses valores podem soar mais fictícios que a própria magia. Mas traduzem a ideia real de que o bem é possível, assim como a mudança das pessoas. Longe de ingenuidade, essa noção parte de quem está disposto a lutar pelo próximo. Um exemplo vivo da história é a “conversão” de Snape.  Dumbledore não só o acolheu e perdoou por ter se envolvido com os bruxos das trevas, mas foi um apoio, conselheiro e soube confiar no bruxo pródigo.
Vale notar que essa “visão do coração” só é capaz de existir em um coração humilde, que renuncia ao egoísmo pensando no bem alheio. Alvo recusou diversas vezes o cargo de Ministro da Magia (posto mais poderoso no mundo bruxo). Possuiu a Pedra Filosofal (item mágico que permitia a imortalidade), mas nunca a usou. Teve a oportunidade de juntar as Relíquias da Morte, que fariam dele o bruxo mais poderoso existente, mas também abriu mão do feito. E diante da morte eminente dedicou todo seu tempo para que seus companheiros tivessem condições de combater o mal.

Essa sabedoria e abnegação não são dons naturais, mas surgem a partir de experiências e escolhas. A sabedoria do coração não pode ser alcançada senão pela busca do bem. Durante sua vida, Alvo passou por tentações comuns a jovens prodígios como a busca por fama, prestígio e poder. Viu sua ganância causar a morte da própria irmã e aprendeu da pior forma que os desejos egoístas trazem consequências irreparáveis.
Assim Dumbledore se tornou o maior dos bruxos do universo de Harry Potter, mais do que pelo seu poder, o foi por suas boas ações. Ou numa frase (embora um pouco clichê) do próprio diretor de Hogwarts:

“São as nossas escolhas, mais do que as nossas capacidades, que mostram quem realmente somos”.



Diego Gonzalez
Engenharia de Controle e Automção/Oficina de Valores

1 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo belíssimo texto sobre Dumbledore! Sou apaixonada pela serie...
E venho parabenizar a atenção e a visão com que vocês se propoem a escrever,passar conhecimento através de conhecimento!

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