Por: Nathalia


Só vale a pena viver pelo que vale a pena morrer

Passou o Carnaval e, como muitos dizem, o ano finalmente começou. Não concordo com essa expressão, mas nesse ano tenho que afirmar que minha vida começou depois do Carnaval. Bom, participei do Retiro de Carnaval da Oficina de Valores, como tenho feito nos últimos oito anos. O Retiro foi maravilhoso, como acompanhamos pelos testemunhos publicados aqui no blog. Após o término do encontro, a equipe permaneceu no sítio por mais um tempo para arrumar as coisas e saímos de lá por volta da 16h, o carro em que eu estava foi um dos últimos a deixar o local. Tudo acontecendo de maneira normal até pegarmos a estrada.

Você deve estar se perguntado o porquê de eu estar escrevendo tudo isso e descrevendo a minha volta para casa, algo completamente trivial; mas um fato relevante aconteceu e ele fez toda a diferença. Já já chegaremos a ele. Saímos de Secretário e pegamos a BR 040. Confesso que estava muito cansada e não estava prestando muita atenção nas conversas e nem nos acontecimentos à nossa volta. Foi quando, de forma inesperada, um carro atravessou a pista e veio em nossa direção. Não vi o carro, só percebi que havia algo de errado quando o carro se desestabilizou e ficamos indo de um lado para o outro. Quase capotamos; a sorte é que nosso carro estava bastante pesado, rodamos e conseguimos parar graças à habilidade da motorista.

Hoje não consigo lembrar-me da minha reação. Recordo apenas que só conseguia pensar em duas coisas: a primeira era que eu devia estar sonhando. Aquilo não podia ser a realidade. A segunda era que, se não era sonho, eu e meus amigos iríamos morrer. Foi bem assustador! Nunca antes em minha vida, eu havia passado por uma situação de quase acidente, de possibilidade de morte. Confesso que no dia nem liguei para a situação, afinal eu estava muito, muito cansada. Cheguei em casa, socializei com a família, tomei banho e fui logo dormir.

Mas, nos dias que se seguiram, essa experiência me fez pensar bastante. Fez-me pensar em como eu tenho vivido minha vida, em como eu tenho feito minhas escolhas, como eu tenho vivido minhas relações. Acho que ninguém pensa muito na morte, eu também não. Mas quando há a possibilidade de encará-la bem de perto, isso ecoa nos nossos pensamentos. Tenho vinte e seis anos e, claro, não gostaria de morrer naquele dia. Tenho muitas coisas para viver ainda. Mas ninguém escolhe o momento disso acontecer, né?

Por que eu resolvi escrever isso tudo? Por um único motivo: a vida é preciosa e única. É claro que você sabe bem disso, mas como eu, talvez ainda não tenha pensado nisso com muita assiduidade. Nós da Oficina de Valores utilizamos com muita frequência a seguinte frase: “Só vale a pena viver pelo que vale a pena morrer”. E digo que ela faz muito sentido sempre. Já parou para pensar que um segundo a mais na vida é um segundo a menos, que um dia a mais é um dia a menos na contagem do nosso tempo nessa terra?

Se me perguntassem se minha vida valeu a pena, eu com certeza, responderia que sim, apesar de minha pouca idade. Se eu morresse naquele dia morreria feliz, sobretudo porque havia acabado de sair de um encontro. Mas não morri, ainda bem!!! E o que eu tirei disso? Que devemos aproveitar todos os momentos. Sei que soa meio clichê isso, mas devemos valorizar mais as pessoas à nossa volta, valorizar mais o nosso trabalho o nosso estudo, valorizar a vida. Enfim, quem sabe quando uma pessoa vai atravessar a pista e provocar um acidente? Cheguei a uma conclusão: pelo que eu tenho vivido vale a pena morrer.


Nathalia Pereira
Licenciada em Letras / Coordenadora da Oficina de Valores

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