Por: Alessandro


Para que serve uma JDJ?

Nos últimos dias, realizou-se em Petrópolis a primeira Jornada Diocesana da Juventude. Para quem é da região, a Jornada dispensa apresentações, mas creio que, antes de responder à pergunta que dá título ao texto, é necessária uma breve explicação para quem nunca ouviu falar do tal evento.

A Jornada Diocesana da Juventude (JDJ) inspirou-se na Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Sim, aquela que ocorreu no Rio de Janeiro em 2013. A JMJ é um grande encontro de jovens católicos do mundo inteiro com o Papa. Também é um grande festival cultural e uma experiência de fraternidade sem tamanho. A JDJ procura realizar algo parecido, mas em uma escala menor.  Esta da qual estou falando reuniu jovens da diocese de Petrópolis, que compreende as cidades de Teresópolis, Magé, Areal, São José do Vale do Rio Preto, Guapimirim, parte de Paraíba do Sul ,  parte de Três Rios e, claro, Petrópolis. Fora o pessoal que veio de ouras localidades.

Durante a jornada ocorreram encontros de jovens com o bispo diocesano, visitas a instituições caritativas, exposições artísticas, palestras, exibições de filmes, apresentações de um musical, uma bela Via-sacra, fora as celebrações eucarísticas e a vigília. Para as pessoas que participaram, a JDJ foi uma experiência muito marcante. Mas fico imaginando os moradores da cidade, talvez pouco informados sobre o evento, vendo um monte de jovens de camisa azul, levantando a seguinte questão: Para que tudo isso?

Em outras palavras: para que serve uma JDJ? Por que tanto trabalho para organizar um evento de quatro dias? O que se ganha com isso?

Essas perguntas provavelmente passaram pela cabeça de muitos católicos e não católicos.

Vamos tentar algumas respostas...

Em um mundo onde as pessoas cada vez se trancam mais e se tornam mais anônimas, a JDJ serve para lembrar-nos da alegria de ter as portas abertas. Centenas de famílias abriram suas casas para acolher os peregrinos que vieram de longe e de perto.  E essa experiência de abertura gerou muitos sorrisos de boas vindas e lágrimas de despedida.

Em um país onde mais de 70% das pessoas não tem o hábito de leitura, onde a média anual de livros lidos não chega a 2 por pessoa, onde a maioria absoluta da população não vai ao cinema, ao teatro ou a espetáculos de dança, a JDJ serve para mostrar a importância de dar acesso à cultura, de fazer com que os jovens possam experimentar nas artes a esperança de melhores alternativas.

Em uma sociedade tão marcada pela tristeza e pela falta de sentido, a JDJ serve para lembrar que a beleza salvará o mundo e que a vida vale a pena quando se encontra um grande ideal. Como foi bonito ver uma multidão de jovens ansiando por fazer a diferença! Jovens que julgam que a realização humana não consiste em fechar-se em si mesmo, mas em buscar aquilo que é bom, belo e verdadeiro.
Em um mundo que vive entre uma secularização antirreligiosa e um fundamentalismo que mata o diálogo, a JDJ serve para lembrar o quanto a religião é uma fonte de sentido, o quanto a fé cristã é capaz de gerar rios de água viva, o quanto pessoas com o coração no céu podem fazer bem a essa terra.

Em uma época de laços frágeis, a JDJ serve para que velhas amizades sejam revisitadas e para que novas sejam feitas. Quantas pessoas puderam reencontrar amigos que não viam há anos, quantas conversas foram colocadas em dia. Laços foram reforçados ao mesmo tempo em que outros novos eram criados.

Enfim, a JDJ serve para lembrar que a vida é muito mais quando reconhecemos a pertença a Alguém que é maior que nós. Serve também para lembrar que a juventude não é uma promessa para o amanhã, mas uma realidade para o hoje. Serve para fomentar a alegria que vem do encontro com Deus e com o próximo. Serve para ajudar a perceber que embora o essencial seja invisível aos olhos, vez por outra parece que o véu se desfaz e temos oportunidade de tocá-lo.

Bom, a JDJ serve para isso tudo. E mais ainda. Mais que um evento, ela tem tudo para ser o início de um movimento, o primeiro elo de uma corrente que poder gerar muita coisa boa. Por isso não há que se lamentar que ela acabou, mas que se celebrar porque ela apenas começou e seus melhores frutos ainda estão por aparecer.

Sem palavras para encerrar, fico com um trecho da música que embalou esse último fim de semana:

“Trago no rosto as marcas da esperança desse meu tempo
Tenho nos lábios a palavra adequada a esse momento
Meu coração é o desejo ardente da verdade
É a fé que me move e me leva a transformar a sociedade

Sou jovem!”

Alessandro Garcia
Doutorando em Sociologia - UFRJ / Fundador da Oficina de Valores

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