Por: Joyce



Oficina, sim!

Uma pesquisada rápida no Google para achar uma definição de “oficina” retorna algo assim: “lugar onde se elabora, fabrica ou conserta algo”. Sim, a ideia primária de oficina na cabeça da gente é aquela da mecânica de carros, ou de alguém consertando ferragens. Trabalho é a primeira noção que vem, mesclado com essa coisa de arrumar, elaborar uma matéria.

Honestamente não sei quanto tempo levou ou como foi que esse nome, “Oficina de Valores”, surgiu na cabeça dos fundadores, mas analisando hoje vejo que foi uma iluminação divina.

Trabalhar em nome da evangelização, no sentido mais amplo que se possa conceber, é básico para aqueles que são de fato católicos. Ora et labora é um latim já na boca do povo cristão. Não é novidade nenhuma que dá trabalho viver na fé, viver a fé. Isso somado à própria ideia de trabalho profissional e digno, necessário e enobrecedor, também atrelado à nossa noção de bem viver. No fim das contas: trabalhar é do católico.

Mas o âmbito de uma oficina é muito mais que um trabalho. Trabalho produz, mas é em uma oficina que se faz possível o “re-trabalho”. Não no sentido negativo do erro e da repetição, mas do aperfeiçoamento e da evolução.

E isso é muito bacana de se notar porque uma noção muito corrente de quem olha a fé de fora é a de que somos fixos e imutáveis em tudo. Claro, que nossas verdades e fundamentos nunca mudarão pois vêm do infinito perfeito de Deus. Mas Oficina (para além de trabalho puro e simples), sim, porque os valores que temos, enquanto humanos, devem ser trabalhados sem cessar. Difícil sabermos de alguém no nosso convívio que não tem mais o que aprender ou melhorar, e ter essa percepção sobre nós mesmos faz da Oficina de Valores um locus que não se pode mensurar. Oficina, sim, porque somos limitados e Deus é infinito. Oficina, sim, porque mesmo que eu erre, o que eu devo fazer é sacudir a poeira e fazer melhor – hoje ainda. Oficina, sim, porque não podemos nos dar por satisfeitos nem encarar como pronto e plenamente satisfatório nosso trabalho enquanto houver um coração a ser convertido, evangelizado. Oficina, sim, porque Deus é perfeito em Seu Amor, e eu devo tentar chegar o mais perto possível da perfeição que me pode ser concedida.

O que me pediram foi um texto de testemunho, sobre como a Oficina de Valores contribuiu com a minha vida. Palavras são maravilhosas, mas falhas. Ser “oficiniana” me mostra o valor da persistência (poucos sabem o quanto de trabalho que dá o blog, imagina o resto da OV!), da perseverança, da caridade e do desprendimento. Mais do que o que claramente foi feito por mim, ajudando a me levar à fé de uma maneira inexorável, a Oficina diariamente me lembra que tudo isso é um trabalho diário. Muito mais que um momento, um retiro, um texto, a Oficina de Valores é como o ferreiro aperfeiçoando todo dia a espada da luta – enquanto luta com ela.

Joyce Scoralick
Mestre em Literatura

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