Por: Mariana
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Eu não escolho, fui escolhida  



“Eu não sou Botafogo doente. Doente é quem não torce para o Botafogo”.

Eu tinha tudo para não ser botafoguense, pois grande parte da minha família torce por outro time, mas um verdadeiro torcedor não é um “Maria vai com as outras”, ele segue seu coração! Não vou mentir dizendo que sou uma torcedora fanática, que sei o nome de todos os atuais jogadores e que a fase que meu time vive é a melhor, porém, já vivi muitas alegrias assistindo Loco Abreu e Seedorf jogando! Torcer por um time vai além de saber uma escalação e viver de números! A beleza de estar em meio a uma torcida cantando “E NINGUÉM CALA ESSE NOSSO AMOR, E É POR ISSO QUE EU CANTO ASSIM É POR TI, FOGO...” com toda a força e emoção é realmente algo inexplicável. 

O futebol, pra mim, vai muito além de um título ou de vitórias. É claro que chegar a uma final de campeonato e ver seu time ganhando a taça é maravilhoso. Você acaba sentindo que é parte daquilo, mas a verdade é que, você é um mero torcedor. Aqui não minimizo a qualidade de torcedor, mas acredito que o futebol, para nós admiradores do esporte, deva ter também uma outra “função”. 

Desde que me entendo por gente via meu pai e meus tios falando de futebol, assistindo jogos e vibrando, xingando e dando aquelas opiniões táticas no meio do jogo pros jogadores que não escutavam o que eles diziam através da televisão. Foi a partir da convivência com eles que comecei a conhecer e tentar entender o que era esse tal futebol.

A minha família materna tem o costume de se reunir todos os domingos na casa da minha avó. Lá, todos, isso mesmo, todos são vascaínos, salvo meu pai, que tem um pouco de juízo. Meu pai, o homem que eu mais admiro nesse mundo, por toda sua história de vida, pelo caráter, bondade, a dedicação no trabalho e na igreja e por todo o esforço dele para dar sempre uma boa vida para mim e para minha família (acho que poderia realmente escrever um texto sobre meu pai)...Enfim, eu sempre o olhei com muita admiração e pensava que se ele escolheu o Botafogo, de fato, esse deve ser o melhor time do mundo. Como criança é iludida, né?

Mal sabia eu o que estava pelo caminho do glorioso. Mas o fato é que, eu sempre gostei de ser “eu e meu pai contra o mundo”. Eu me sentia especial em poder compartilhar isso com ele, torcer pelo mesmo time. Aos domingos de clássico Botafogo x Vasco era sempre assim: eu e meu pai, com nossas camisas lindas do nosso timão, e meus tios, meus primos, minha mãe, meus irmãos... Todos contra nós! E como era, e é, bom quando meu time ganha! A minoria tem força!

Minoria essa que consegue muito bem encher um estádio, cantar com força o hino do time... E não venha com aquele papo de “Botafogo não tem torcida”... Isso é pura intriga da oposição. É fácil encontrar pessoas que digam torcer para o time X ou Y apenas por dizer, mas que na verdade não amam o time, não estão nem aí se o time ganha ou perde. São apenas números para fazer uma “torcida grande”. Quem vai aos estádios, assiste aos jogos pela televisão ou está minimamente a par do futebol sabe que nós, botafoguenses, não somos uma multidão, não somos maioria, porém somos muitos!

Sempre me senti muito bem torcendo pro Botafogo, já me emocionei, já vibrei e também já chorei. Ah, os campeonatos cariocas de 2010 e 2013, quanta emoção... 

Para concluir, particularmente, gosto muito da atmosfera criada pelo futebol, um domingo em família, onde se pode reunir todo mundo junto na sala pra torcer, ou marcar pra ir ao Maracanã, aquelas “briguinhas” pra ver qual time é melhor, o arrepio que dá quando cantam o hino do seu time... Acredito mesmo que o futebol possa unir as pessoas. O Botafogo contribuiu para que eu tivesse uma relação muito boa com meu pai, assim como o futebol em geral une minha família. 

Acredito que o Botafogo é o melhor time pra mim, afinal, é o time do meu herói.

“Ser Botafogo, desde a escola, é uma afirmação de identidade. Significa ter opinião própria, não seguir a moda. Por isso, acho que o torcedor do Botafogo é um torcedor de fibra moral. Ser botafoguense te ensina muitas coisas a respeito da vida.” (João Moreira Salles)


                                                                                                                                                                   

Mariana Freitas
Professora de Inglês

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