Então vamos lá... sou péssima em escrever, colocar meus sentimentos em palavras, mas eu juro que vou tentar! Antes de procurar as respostas para as minhas perguntas, eu vivia um cansaço constante, tudo para mim estava bom, entrei em uma fase em que me contentava com qualquer coisa, comecei a levar a minha vida em uma grande fábrica de rotinas.

Eu nunca fui assim, eu sempre gostei do "mais", sempre fui muito além do que eu queria, sempre busquei "o melhor" e não "o confortável", sempre tentei ter direção. Só que, infelizmente, existem coisas na vida que fazem de tudo para você desvirtuar o olhar do seu grande objetivo, e foi assim que aconteceu comigo. Coisas que eu achava que eram normais, que eram boas, começaram a tentar fechar meus olhos e só me fizeram pensar em uma coisa: "eu não devo acreditar".

Então, lá estava eu, naquela sexta-feira dia 15 de julho, com um coração fechado, e disposta apenas a teimar com as minhas certezas. Porém, algo foi muito maior que as minhas certezas, me mostrou que eu era um nada perto das coisas que Ele tinha planejado para mim. E, logo, Deus começou a falar comigo, e começou com essa simples frase, mas com o significado maravilhoso: "É loucura você viver as mesmas coisas, querendo resultados diferentes". Nessa frase, começou o meu verdadeiro retiro, desliguei tudo, minhas frustrações, tudo que acontecia no meu coração, desliguei-me do mundo aqui fora. Aí então comecei a perceber que, esse tempo em que fechei os meus olhos e também o meu coração, fui uma grande louca!


O que eu poderia esperar? Que Deus fosse fazer maravilhas na minha vida, enquanto eu matinha a mesma postura mesquinha? Que Ele iria mudar revolucionariamente minha vida, mesmo que eu não mexesse um palmo por ela? Lá se foi o primeiro “tapa”.

E não parou por aí, quando eu escutei a música tema do retiro, fiquei boquiaberta, não sabia o exato motivo de, por muitas vezes, ter me perdido, porém sabia que era Ele querendo falar tudo que havia muito tempo eu não tinha parado para escutar. E como diz a música, Ele estava “tão dentro e eu tão fora”, meu comodismo fez com que a cada dia eu ficasse mais distante Dele.

Mas Deus é tão maravilhoso que quebrou todas as barreiras que eu tinha, quebrou todas as cadeias que estavam no meu coração, para me surpreender. Ele fez com que passasse um filme na minha cabeça do nosso primeiro encontro, a nossa primeira intimidade, do verdadeiro amor. É Ele o meu foco, foi Ele e será para sempre. Ele esteve comigo a todos os momentos, e fez dessa única "brecha" que teve algo tão especial e essencial na minha vida. Ele me deu razões para acreditar, me deu razões para lutar e razões para continuar. Foi então que eu abri meus olhos novamente, e pude perceber que é Ele, não só a razão, mas o que dá razão a tudo.

Tenho certeza que em todos os momentos do retiro, Deus esteve presente, nos abraços, nos sorrisos sinceros, nas brincadeiras, e acima de tudo, em cada pessoa que estava ali. Foi uma experiência maravilhosa, digo, a melhor experiência de intimidade, de encontro que tive com Cristo. E sim, irei gritar para todos essa experiência perfeita que tive. Quero que todos vejam o quão é surpreendente esse Deus, que a cada dia me dá mais razões para acreditar Nele. No final do retiro, me fizeram a seguinte pergunta: E aí? Existem razões para acreditar? Eu apenas sorri e respondi: Eu sempre soube de todas essas razões, só que infelizmente estava totalmente cega para todas elas. Mas Ele tirou as vendas que estavam me cegando, e tudo que prendia meu coração.


Mayara Mattos
Participante do Encontro de Estudantes 2016


*         *         *


A única forma de ter a certeza de que certa pessoa existe é conhecendo-a; e quando conhecemos Deus, palavras humanas são limitadas para descrever a sensação que se faz presente, o que torna a experiência estritamente pessoal. 



O fato é que durante quase toda minha vida sofri de um distúrbio que hoje, infelizmente, boa parte da sociedade também sofre: o culto ao cientificismo. Isso nos cega tanto a ponto de nos fixarmos a um molde de estudo predeterminado, fazendo com que descartemos qualquer elemento que esteja fora desse molde científico e o não o consideremos como parte da realidade. Outro sintoma dessa cegueira é aceitar tudo que é senso comum sobre a Igreja – as mentiras e difamações que tanto se tenta espalhar –, não se preocupando em estudar a fundo o sentido dessa instituição e a sua sagrada história.



Durante muito tempo, andei como uma verdadeira “metamorfose ambulante”, embora soubesse sempre no fundo que havia um sentido para a vida. Há poucos meses, alguns sujeitos conseguiram mostrar-me o rosto desse sentido: Jesus Cristo. Grandes cabeças como Olavo de Carvalho, pe. Paulo Ricardo, Rodolfo Braga, Ítalo Marsili conseguiram quebrar todos os preconceitos que eu tinha contra a Igreja, expondo-me uma nova e única verdade com argumentos indestrutíveis. A partir daí, comecei a aceitar o catolicismo, mas sem sentir ainda a presença direta de Deus.



Eis que um dia recebo, no Facebook, uma mensagem da Daniela Pires me convidando para o encontro de estudantes da Oficina de Valores e, imediatamente, aceito o convite. Numa sexta- -feira à noite, ao chegar no sítio onde seria o retiro, dei de cara com um bando de jovens dançando e cantando ao som de cavaquinho e violão e abraçando os recém-chegados. Me senti num verdadeiro provérbio de mi casa és su casa, tamanho o conforto com que me tratavam, mesmo sem me conhecer. Essa foi a ótima primeira impressão que eu tive.

O tema do retiro era “Existem razões para acreditar” e os líderes, com o maior empenho possível, nos propunham dinâmicas, tanto sérias quanto divertidas, para nos colocar em reflexão sobre essas razões. Uma dessas dinâmicas foi colocar sobre cada estudante um cobertor que ofuscasse a nossa visão, para que, sem saber onde caminhar, confiássemos nos nossos guias para nos mostrar e, assim, eles nos direcionavam para uma sala para meditarmos sobre a nossa vida. A mensagem dessa interação era a entrega total a Jesus Cristo, pois ele é nosso verdadeiro guia e, sem ele, qualquer caminho leva a lugares vazios.

Além das dinâmicas, também houve palestras sobre diversos assuntos e a paixão que os oradores colocavam na hora de falar era simplesmente emocionante. Quanta sinceridade e humildade em cada palavra, com relatos da própria vida sobre os erros cometidos; todo esse difícil exercício existencial para nos mostrar que a única coisa de fato que importa é o amor e o perdão incondicionais ao próximo.

No final do encontro, eu consegui entender as verdadeiras razões para acreditar: as interações com o outro. Cada momento descontraído, cada risada, cada oração em grupo – foram esses laços, que consegui criar com essa família em tão pouco tempo, que me permitiram enxergar Deus. Ele se manifesta nos pequenos atos da comunidade que busca a santidade no cotidiano, e foi no exercício desse estilo de vida temporário que consegui experimentar a graça divina.

Minha alma se elevou a um estado tão gracioso que me foi permitido enxergar à minha volta com outros olhos, ainda que por alguns instantes. Contemplei a vista do sítio e cheguei à conclusão que o mundo é simplesmente belo demais para ser causal. E eu, com tudo aquilo que sentia de maneira tão profunda, não poderia simplesmente ser um amontoado de proteínas imersas num oceano niilista. Não. O sentido da vida existe, mas só o encontramos quando abrimos o coração para experiências como essa. E se você abrir seu coração e viver de forma intensa, descobrirá que o sentido é Deus.

Sou eternamente grato a esse grupo maravilhoso que me deu as chaves para abrir a porta de uma nova vida. Com a Oficina de Valores, aprendi que não basta nos contentarmos em sermos bons, mas almejarmos uma vida santa. Afinal, “só vale a pena viver pelo que vale a pena morrer”.

Agradeço ao Gustavo Lima por nos colocar sempre em reflexão autobiográfica; à Caroll Ramos por nos mostrar que o Bem não é relativo; à Marina Lima por nos lembrar da importância da família; ao seminarista Guilherme por ter-me elucidado em muitos pontos da doutrina católica; ao João Gabriel por liderar o meu time cor de laranja no retiro com tanta sabedoria, além das nossas conversas noturnas sempre produtivas; e à Daniela Pires, por ter-me dado a oportunidade para eu conhecer tudo isso. A lista não acaba aí; ela é enorme, assim como o coração de todos lá. Essa é minha nova família, não de sangue mas de escolha, e recomendo a qualquer um que entre para fazer parte dela também.

João Félix
Participante do Encontro de Estudantes 2016

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