Por: Mariane
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Vida: palavra simples para esconder a grandiosidade que existe nela. O que vale, quanto vale para ganhá-la ou tirá-la? Não deveria, mas essa tem se tornado uma escolha. Ainda pensando nisso, essa semana ouvi uma criança dizer à sua mãe: "Sem algodão doce minha vida para!" Tenho refletido desde então. Pensei no que pode fazer uma vida parar, ou fazê-la estar em movimento. Qual é o algodão-doce da minha vida e o da sua?
Acabei me lembrando de um trabalho da faculdade, o objetivo era fazer a releitura de uma fotografia e explicar seu significado. Escolhemos uma fotografia simples: um homem com uma nuvem luminosa e cheia de raios em sua cabeça. Nela utilizamos um algodão-doce para representar a nuvem, afinal, quais são as nossas preocupações? Será que elas são realmente tão grandes ou somos nós quem as aumentamos? O artista, com seus trabalhos surrealistas e conceituais, retrata de uma forma gentil os dramas vividos por todos nós.
Acontece que, muitas vezes, esse "algodão-doce" não é tão doce quanto seu nome sugere. Existem algodões sem gosto, amargos, que não passam por nossas gargantas. Até mesmo o próprio doce, nem é tão doce assim ou então simplesmente não é do nosso agrado. Mas como fazer um que seja do nosso próprio gosto? Um algodão doce ideal para mim, para você e para todas às mais de sete bilhões de pessoas existentes no mundo. Se você ainda não entendeu o que quero dizer ou onde vou chegar com esse monte de açúcar, estamos chegando ao objetivo.
Em muitos momentos temos vivido semelhantes aos robôs. A subjetividade, as emoções da vida ficam pra depois - ou não ficam, vão embora. O modo automático de viver está ligado e não há quem saiba controlar manualmente as coisas. Um mundo sem valores está sendo construído com a sua e a minha colaboração. Mesmo não estando de acordo, sem querer, contribuímos com o nosso modo de pensar e nosso agir, principalmente. A questão é saber, através dos valores que acreditamos e defendemos, para onde estamos levando o mundo e para onde estamos nos levando.
Voltando à questão inicial do texto, o que para a sua vida e o que a coloca em movimento? Esse algodão representa a nossa vida e o que dá sabor a ele somos nós quem decidimos. Ficamos empacados em nossas dificuldades e isso nos impede de seguir em frente e escolher um caminho novo, nos preocupamos demais e esquecemos de nos manter ocupados. Nos prendemos às coisas vãs, de pouca importância e não damos valor a tudo. Tudo mesmo. Nossos planos nos levantam todos os dias, talvez à esperança de um dia melhor. Ou será que são só nossas obrigações nos acordando para mais um dia como o anterior? E os nossos sonhos, não sabemos onde estão ou, muito menos, se ainda nos pertencem. Temos que valorizar cada instante, como diz em uma canção: "passado não volta, futuro não temos e o hoje não acabou". O segredo é tornar sua felicidade valiosa e não permitir que ela dependa de algo que você possa perder.
Muitas perguntas são feitas por nós a nós mesmos e, sem saber as respostas da vida, nos levam a pensar que qualquer resposta, a primeira que encontrarmos, pode ser a alternativa correta. A verdade é que não há uma fórmula a ser seguida, mas existe um caminho que nos direciona até a procura pelo resultado. Esse caminho se encontra muito perto e distante ao mesmo tempo, é necessário olhar com os olhos do coração. Do seu coração, lá você se encontrará. Neste coração, mora a essência do que é preciso para viver. Toda vida é preciosa e tem suas peculiaridades, suas características. O que acontece é que não sabemos como usá-las e preferimos descartá-las. Ora, se todos fossem iguais, qual seria a essência da vida?
Nossas maiores dificuldades moram dentro da gente. O que deve ser mudado é o nosso olhar sobre elas, na esperança de que, com certeza, um destino extraordinário nos espera do outro lado. É como aprender a andar de bicicleta, as quedas têm a finalidade de nos preparar e nos tornar mais fortes até que estejamos bons o suficiente para traçar uma distância maior, com mais equilíbrio.
O que podemos fazer por nós mesmos hoje? Eu te desafio a pegar um papel e uma caneta e escrever todos os seus sonhos. Quais são os seus sonhos, os seus valores? A primeira vez que fiz isso foi difícil, eu admito, me senti como se fosse ficar presa ali para sempre; me enganei e ao escrever o primeiro sonho não consegui parar e vi tudo aquilo passar rápido demais até. Mas só foi tão difícil porque eu nunca tinha feito isso antes. Eu nunca tinha parado para pensar sobre como eles são importantes e fazem tanta diferença na minha vida. Agora eu vivo por eles!
Mariane Ignacio
Estudante de Jornalismo

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