Por: Alessandro
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Dizem que a paternidade/maternidade faz com que sejamos pessoas melhores. Não sei dizer se me tornei melhor após me tornar pai. Faz pouco tempo que isso ocorreu para eu conseguir ter uma percepção mais objetiva das mudanças. Além disso, creio que ninguém é bom juiz em causa própria e que um juízo desse tipo não é fácil de ser feito.

De todo modo, mesmo não podendo dizer que melhorei por ser pai, posso afirmar com tranquilidade que ser pai me trouxe um desejo enorme de ser uma pessoa melhor. Pensar que o que sou afeta diretamente o desenvolvimento de uma criança e que parte do que ela será vem do que receber de mim gera uma espécie de temor sagrado.

Não que eu fique pensando nisso a cada instante, mas há uma espécie de pano de fundo que permanece e que, vez por outra, toma a cena principal dos pensamentos. Também não é algo de que dê vontade de fugir... Não é mesmo esse o caso. A coisa funciona como um misto entre desejo, insegurança e sonho. É algo que amedronta e ao mesmo tempo alegra, que desejamos e, simultaneamente, tememos.

O fato é que aquele rostinho está continuamente à minha frente, aquela pessoinha encontrou um lugar nas minhas prioridades que fez com que toda minha vida fosse repensada. Ele chegou e tudo mudou. Junto com ele veio a tarefa de acompanhá-lo na grande aventura da vida, de formá-lo, prepará-lo para que dê seus próprios passos. Nessa situação, o mínimo que consigo desejar é que ele seja uma pessoa melhor que eu... Mais virtuoso, mais livre, mais alegre... Mais tudo de bom! E ligado a esse sonho está a insegurança de alguém que possui sérios limites e que entende que só no enfrentamento deles terá condições de contribuir um pouco para o muito que é a formação de uma personalidade.

A paternidade não dá a certeza da melhora, mas faz com que ela passe a ser considerada uma necessidade. Uma urgente necessidade. Esse desejo por melhorar vem do fato de ao amar os nossos filhos desejamos apenas o que há de melhor para eles. Inclusive os melhores pais. E como os pais que eles possuem somos nós, a reforma de nossos hábitos e atitudes passa a ser vista como uma tarefa para ontem.

Creio, no entanto, que esse anseio por ser melhor não tem origem apenas na responsabilidade da tarefa confiada. Há uma raiz mais profunda e difícil de ser comunicada. Penso que a melhor palavra talvez seja gratidão. Ser pai tem sido uma experiência tão incrível e bela que, diante desse extraordinário, não há como não querer ser um pouco mais digno do dom que recebemos.


Alessandro Garcia
Doutorando em Sociologia
Fundador da Oficina de Valores

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