Por: Jonathan



“Deus está morto... eu o matei. Eu e Tu...”
Ontem dormimos com essa tristeza em nossa mente: depois de tanto retirarmos Ele de nossa vida, conseguimos a tão esperada proeza! Sua morte! Retiramos Ele de nossos trabalhos, de nossas famílias, de nossas amizades... retiramos Ele de nossa vida.
Há 2 mil anos atrás aconteceu esse fato,
fato que foi resultado dos meus e dos seus pecados. Ainda que só existisse um pecador no mundo, Jesus teria derramado todo seu sangue para redimi-lo.  Ainda que só existissem meus pecados, Ele se entregaria por mim!
E contam nos Evangelhos, que ele sofria aquele suplício que durou três longas horas. Interessante vermos que aquela imagem de Jesus com medo, suando sangue, que observávamos no Horto das Oliveiras, agora some. Agora só existe a figura de um homem imponente que mesmo pregado em uma Cruz, está disposto a escutar as confissões de um ladrão e de entregar sua mãe para toda a humanidade... Olha por todos e pede por todos!
Depois dessas três horas de agonia Jesus morre! À tarde de sexta avança e necessitavam retirar o corpo de Jesus, afinal, ele não poderia ficar ali no sábado que era a preparação da Páscoa! O Corpo deveria ser retirado antes que aparecesse a primeira estrela no firmamento.
Naquele momento, onde estavam os Apóstolos? Onde estavam aqueles que fugiram no Horto? A Sagrada Escritura não diz onde eles se encontravam, mas acreditam que se encontravam como eu e você nesse momento: perdidos, desorientados, sem rumo fixo...
Aqueles homens acreditavam que existia algo maior pelo qual deveriam dar sua vida! Acreditavam na mudança do mundo! Acreditavam que tinham um sentido nas suas vidas! Mas quando viram o seu ideal — aquele homem que é o Ideal de todo homem — ser preso, não lutaram por Ele e correram, fugiram... mataram Deus, como tu e eu!
E agora? O que resta naqueles corações? Medo, angústia, pensamentos de “e se eu tivesse feito diferente”? Se fosse André a carregar a Cruz de Jesus com ele no lugar de Simão de Cirene? Se fosse Tiago que enxugasse o rosto de Jesus ao longo do caminho? Se fosse Pedro a ser pregado a seu lado na Cruz! Como seria diferente, se dessem sentido ao seu amor e não tivesse fugido, tivessem se unido a Cristo no seu caminho de dor?
E dois homens que até então seguiam Jesus de modo escondido, têm coragem e aparecem nesse momento da morte do Mestre. José de Arimatéia, homem justo que pede o Corpo de Cristo a Pilatos, e Nicodemos que traz misturas de mirras e aloés para ornar o cadáver. O sepultam em um túmulo que José de Arimatéia havia talhado para si e colocam um sudário em seu rosto!
O corpo de Jesus jaz no sepulcro. O mundo foi envolvido pelas trevas. Maria é a única luz acesa sobre a terra! E nós, onde estamos nesse momento? Como estamos frente a essa realidade do nosso Deus morto?
O sepulcro jaz fechado! Acabou a história? Será que não há mais o que se fazer? Matamos Deus e não há como reverter isso?
Os Apóstolos vagavam perdidos e sem rumo. Entretanto, no domingo observamos que eles já se encontravam unidos. Não sabemos onde eles se entavam enquanto sepultavam o Senhor, mas se os vemos unidos domingo é porque no sábado, ou talvez na própria sexta-feira a tarde tiveram a coragem de voltar. Procuravam aquela que eles sabiam que sustentaria a fidelidade deles. Procuraram voltar e encontrar a Virgem!
Ainda que tenhamos matado Jesus, ainda que saibamos que tenhamos o retirado de todas as dimensões de nossa vida e vaguemos sem rumo e sem sentido, sempre é tempo de voltar e encontramos em Maria o sustento para caminhar de volta a Cristo.
O mundo jaz em trevas, a esperança se esvaiu. O único que poderia transformar o mundo em que vivemos jaz morto, morto por nós, para nos dar a liberdade que havíamos perdido por nossas transgressões...
Há uma pedra que nos separa Dele. O medo de não O encontrarmos assombra nosso coração.
Não desanimemos na nossa caminhada, pois depois da maior das tragédias, pode ser que, ao fim desse dia de sábado, descubramos que não há pedra e nem morte que sejam capazes de nos afastar daquele que nos amou e se entregou por nós.

Jonathan Penha de Almeida
Estudante de engenharia de produção - UFRJ - Oficina de Valores



Este texto faz parte de uma série especial de textos da semana santa deste ano de 2013. Para acessar aos outros textos da série clique aqui.

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