Por: Adriano




E quem disse que um jogo não pode botar a gente pra pensar?

Esses dias eu estava jogando World of Warcraft, fazendo umas missões com minha personagem. Pra quem não sabe, esse jogo é um MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Game – Jogo de Interpretação Online pra Muita Gente!) de fantasia medieval, em que você cria um personagem fantástico com um conjunto particular de poderes e sai por um mundo virtual encarando desafios para evoluí-lo, além, é claro,  de se divertir com gente do mundo inteiro fazendo a mesma coisa. Não vou me aprofundar muito nisso, mas quem quiser saber mais sobre RPGs, online ou não, pode perguntar!
Bem, estava lá eu jogando e fazendo uma missão de buscar pergaminhos perdidos numa ilha bem grande. Esses pergaminhos continham uma história sobre um cara dessa mesma ilha que certo dia, ao contemplar o horizonte, ficou instigado em saber o que existia fora de lá. Para saciar sua curiosidade, ele pegou sua tartaruga de estimação, que era grande,  entrou na água com ela e partiu rumo ao desconhecido (eu avisei – é um jogo, de FANTASIA!). Lá foi ele, sentado no casco da sua tartaruga que permanecia o levando pra lugares onde ninguém sabia o que existia. Todos riram do cara! Ninguém deu crédito nenhum pra ele – que cara ridículo! Vive numa ilha enorme, cheia de coisas pra fazer, uma vida já consolidada... e ele quer ir ver o que tem lá longe?

Um belo dia, o homem e sua tartaruga voltam diferentes. Ela estava mais crescida, afinal passaram um longo tempo viajando! Ele não estava muito diferente fisicamente, mas... também tinha crescido. Em sabedoria, em conhecimento, como pessoa. Voltou cheio de novas ideias, novas histórias  e dividiu todas elas com os que o haviam ridicularizado antes. Todos ficaram maravilhados com tudo o que o homem tinha trazido, e o pediam para ir junto nas próximas viagens dele! Agora até cabia mais gente, a tartaruga estava maior!

Ao terminar essa missão no jogo, fui presenteado com a seguinte frase, por um dos personagens a quem eu entreguei os pergaminhos com a história: "E essa é a lição de Liu Lang, meu amigo. Todos riem do explorador. Eles sempre riem... até que ele retorna." 

Não é assim a vida humana? Creio firmemente que somos constantemente chamados a ir além, a largar a vida que já conhecemos, e nos acomodamos, e avançar pras águas mais profundas (Lc 5) ou também a deixar tudo pra trás e seguir o Caminho (Mt 19, 16).

Esse rompimento com a vida anterior pra ir explorar esse mundo novo realmente provoca as mais diversas reações, como as pessoas que riram do personagem da história acima. Às vezes quando nos dispomos a enfrentar uma longa jornada como essa, de onde não se sabe sequer se voltaremos inteiros, muitos duvidam, debocham, desacreditam... Isso quando não sou eu mesmo a me sabotar, repetindo pra mim que vai dar errado, que eu tenho que sossegar no meu canto, que não preciso inventar moda.

Mas o horizonte instiga. Contemplar a beleza de um infinito atrai o homem, com uma intensidade enorme. E, falando por experiência própria, basta dar uma chance pra esse Deus infinito  mostrar um pequeno vislumbre que seja de sua  imensidão, pra convencer que existe um mar enorme a ser percorrido, uma viagem infinita rumo a um objetivo não totalmente conhecido a princípio... Mas, é só conversar com alguns exploradores mais experientes,  que  já foram e voltaram, para saber mais e se apaixonar pelo mesmo Caminho.

E,  apenas quando  nos colocamos no lugar desses exploradores anteriores e empreendemos a grande jornada, somos capazes de voltar da viagem.  E quem riu de nós poderá notar que estamos diferentes. Somente aí é possível perceber  como a viagem nos faz crescer, nos modifica, nos melhora. É impossível retornar de uma viagem da mesma maneira que partimos.

Temos então três pontos:
- O horizonte que instiga ao desapego e à partida;
- As pessoas (ou nós mesmos) desacreditando nessa partida;
- O retorno, consolidando a importância da viagem, e mostrando aos outros.

Deus nos convida a experimentar tudo isso, através dos relatos dos exploradores mais experientes... e através da Sua Graça infinita e maravilhosa, nos permite contemplar esse infinito e tocar o Eterno...


Paz e Bem!



Adriano Reis
Analista de TI - Oficina de Valores 

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