Por: Nathalia



Uma das coisas que mais tem me feito pensar e que tem sido o conteúdo de grande parte das minhas orações envolve o tema deste texto. O vínculo entre a teoria e a prática do cristianismo em nossas vidas. A forma que aplicamos aquilo que aprendemos, descobrimos, que fazemos experiência, como trazemos para a nossa história os valores ensinados por Jesus.

Estas reflexões têm sido frequentes porque tenho me sentido muito incomodada com a forma de vida de algumas pessoas e muitas vezes pelas escolhas que eu mesma faço. Tudo se torna muito fácil quando analisado teoricamente, mas na efetividade das ações agimos de forma diferente. E por que isso acontece?

Será que não estamos convencidos? Será que viver de forma coerente é impossível? Que estamos convencidos eu sempre tive certeza, mas confesso que muitas vezes cheguei a pensar que é impossível ser fiel à palavra de Jesus, que traduzi-la em vida não é factível.

E o que me faz, hoje, mudar essa maneira de pensar é analisar as situações além dos erros dos outros, além dos meus próprios erros, mesmo que em muitas situações a minha atitude não tenha sido essa. Afinal quantas vezes eu, acreditando no que eu acredito e participando das coisas que eu participo pensei: hipócrita!? E quantas vezes eu não pensei isso dos outros? Muitas vezes mais. Mas e quantas vezes pensaram isso de mim?

Creio que um dos principais motivos das pessoas deixarem a comunidade seja olhar para a vida do outro e não enxergar uma vida coerente, e com o passar do tempo acabam deixando a Igreja e consequentemente a fé. Podemos ter muitos motivos para fazer as coisas de Deus, mas se o principal não for estar com Deus, a motivação está errada. Podemos fazer as melhores pregações, conduções, animações, encontros... E de nada valerá se todas essas coisas não funcionarem como um espelho na minha vida, que é onde eu aplico tudo o que eu falo, prego, conduzo, senão são só palavras e palavras não são capazes de preencher uma vida, elas precisam ecoar e transformá-la.

Você já ouviu alguém falando algo e fazendo totalmente diferente? Muitas vezes né? Eu também e com certeza você pensou: essa pessoa deve utilizar com frequência aquele ditado, façam o que eu digo, não façam o que eu faço. De fato, isso ocorre excessivamente a nossa volta. Um amigo sempre conta que um padre amigo dele diz: “prega e vive”. O padre não dizia vive e prega. Não somos bons o suficiente para a obra de Deus e nem acho que algum dia o seremos, mas Deus conta com instrumentos insuficientes e mesmo assim somos caminho para Ele.

Eu não preciso zelar só por uma postura, mas por Uma Pessoa e essa Pessoa muda minhas posturas. O meu maior medo é esquecermo-nos de quem somos e deixarmos que o mal não nos incomode mais, seja nas coisas grandes, seja nas pequenas, nas nossas conversas, nas nossas brincadeiras, no nosso dia a dia. As coisas muitas vezes se tornam um discurso, não se traduzem em vida e não traduzir-se em vida significa que todas aquelas maravilhas se perderam. 

O que me faz pensar que as pessoas não são dissimuladas é que eu não tenho como conhecer as lutas enfrentadas por elas, principalmente as lutas com elas mesmas. Conhecemos as pessoas aparentemente, mesmo que convivamos a vida inteira ao lado delas, só Deus conhece alguém por completo, portanto Deus é o único que tem o direito de juízo, apesar de repetidas vezes fazermos a vez de juízes. Talvez essas pessoas só precisem de uma chance, uma oportunidade para serem melhores, talvez precisem de ajuda, e eu e você não temos a coragem de estender a mão.

O não caminhar ou o caminhar mal do outro não pode ser um motivo para eu não caminhar, mas deve me fazer querer ser cada vez melhor e a causa óbvia é tornar o outro melhor também. E se conviver com pessoas incoerentes me desanima, conviver com pessoas boas me estimula muito mais e me faz ter a necessidade de ser o máximo do que posso ser.
Não somos perfeitos, definitivamente não, mas buscamos a perfeição incessantemente porque “não queremos nossa vida igual a tudo o que se vê”.



Nathalia Pereira
Graduada em Letras
Oficina de Valores

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