Por: Tauat
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“Os que correm no estádio correm todos juntos, mas um só ganha o prêmio. Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. Todo atleta se sujeita a uma disciplina rigorosa em relação a tudo, e eles procedem assim, para receberem uma coroa corruptível. Quanto a nós, a coroa que buscamos é incorruptível.” – 1 Cor 9, 24-25.

Começo, pois, essa reflexão utilizando como base essa passagem de São Paulo direcionada à comunidade de Corinto não despropositadamente. Aqui, o Apóstolo dos gentios faz uma relação entre a corrida dos atletas em vista de uma coroa corruptível e a corrida dos filhos de Deus em vista da Pátria Celeste.

Se ao atleta se faz necessário uma disciplina rigorosa, quanto mais a nós, que buscamos não um prêmio terreno, passageiro, efêmero, mas o que há de mais precioso: a comunhão dos Santos, o ser um só para sempre com o próprio Deus. 

Todavia, um ponto importante que pode nos passar por despercebido nesse fragmento é logo o seu começo: “Os que correm no estádio correm todos juntos, mas um só ganha o prêmio”. Influenciados muitas vezes por uma cultura mercadológica que sacraliza o individualismo em detrimento da comunhão, do abandono e aparente indiferença dos outros, ou até mesmo diante da fraqueza e miséria do irmão, agimos por nós mesmos, ou nos restringimos em pelotões. Como numa corrida de atletismo, os que não conseguem acompanhar-nos, vão ficando para trás, enquanto nós, que temos fôlego e disposição para continuar a corrida, nos aproximamos do nosso objetivo: a coroação.

Tratando-se, porém, da vida espiritual e do caminho que o carpinteiro de Nazaré nos apontou, essa lógica é vã, não faz sentido, ousaria inclusive dizer, que nos afasta do prêmio que Ele tem para nós ao final da corrida (para os mais ágeis) ou caminhada (para os que estão sem fôlego, tropeçaram ou se perderam em alguma parte do caminho). Nesse percurso ganhar a corrida não implica identificar quem chegou primeiro, mas quem conseguiu lançar um olhar de misericórdia e condescendência àqueles com dificuldades, àqueles que não conseguiram manter o mesmo ritmo, os que tiveram dificuldades em prosseguir decididamente (cf. Fl 3, 16). Ajudar aos que sofrem na carne e no espírito, os famintos de pão e os com sede de Deus, os que estão ao nosso lado e, sobretudo, os que ficaram para trás. Essa é a lógica de Jesus, por conseguinte, essa deve ser também a lógica daqueles que são chamados a ser ‘Alter Christus’ – outros Cristos. Vivendo a lógica inversa, do último que será primeiro, do humilhado que será exaltado, do pecador que terá sua vida transformada pela graça, do enfermo que será curado, afinal o médico veio para os doentes e não para os sãos.

Ora, diante do exposto, fica a advertência: “Correis de tal maneira que conquisteis o prêmio!”. E a maneira de conquistar o prêmio não é outra senão corrermos juntos, num verdadeiro espírito cristão de unidade e comunhão, recordando continuamente da necessidade de irmos ao encontro do outro e encontrar Cristo na pessoa do outro. O caminho da santidade e o seu fruto maior – a salvação – se dá pelo caminho com a comunidade.  Deus não nos chamou a caminharmos sozinhos, seu exemplo é um inequívoco chamado à humanidade, pois Aquele que tudo pode, quis voluntariamente precisar do homem, para através do Deus feito homem, resgatá-lo. Ele quis contar conosco, isso é um fato na história da salvação! E continua querendo contar conosco, com todos nós, com cada um de nós. E ao perceber que uma única ovelha se desgarrou do rebanho, o Bom Pastor vai atrás da ovelha perdida até encontrá-la (cf. Lc 15, 4), assim também devemos proceder! 

“Cristo nos convida: ‘Venham meus amigos!’, Cristo nos convida: ‘Sejam missionários!’” influenciados pela Palavra de Deus e pelo hino da Jornada Mundial da Juventude que nos faz um convite à união e à missão, corramos juntos rumo ao prêmio celeste, à coroa incorruptível! Que o Senhor nos ajude e abençoe nessa missão!

Tauat Resende
Estudante de Direito - UFF / Oficina de Valores


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