Por: Rodrigo Moco
Imagem de: oglobo.globo.com
Acabo de retornar daquele que vem sendo considerado o maior evento da história do Rio de Janeiro, a JMJ. Sempre ouvi falar bastante sobre a importância do acontecimento e mais do que isso, sobre o impacto que gera nas pessoas que participam dele. Confesso, porém, que apesar de tudo isso eu não estava motivado a participar. Reclamei bastante do alto custo da taxa de inscrição e estava com receio da confusão em que
poderia se transformar a cidade do Rio. Admito que o que me impulsionou a realizar a inscrição foi o comprometimento com a Igreja e a preocupação de me arrepender por não participar deste grande momento para a Igreja e para o País. Fui para o Rio na segunda-feira da semana passada (22/07) e retornei domingo (28/07) para Petrópolis novamente. Ainda estou processando muita coisa, mas me arrisco a descrever em 3 pontos o que experimentei nessa Jornada Mundial!

1 – Peregrinação não é turismo!

Desde o primeiro dia percebi que haveria de enfrentar algumas dificuldades: filas quilométricas, cansaço, exposição ao frio e ao calor extremos e dormir no chão duro foram algumas delas. No princípio me incomodei e em alguns aspectos (infelizmente, diga-se) continuei insatisfeito até o fim, com uma atitude irritadiça e pouco paciente. Mas disso tirei algumas lições. Uma delas é que antes de mais nada é necessário entender o espírito da coisa: eu não estava lá para ser turista; se tivesse teria todas as razões para ficar insatisfeito, mas eu fui para peregrinar e o significado de peregrinação é uma jornada realizada para a contemplação do sagrado. Recordo de um dos momentos que mais me marcou: uma catequese com o Bispo auxiliar de Salvador-BA, Dom Gilson Andrade, no qual ele citava a passagem bíblica que diz “Em tudo dai Graças!” e discorria sobre a importância de percebermos em todos os acontecimentos da jornada a beleza da peregrinação.

A alma do negócio é entender que a Jornada é como uma maratona. Tem momentos em que o cansaço e o estresse batem, aí é preciso forças para assimilar bem as coisas, reorganizar as prioridades e continuar caminhando. O turismo é muito bacana, sobretudo, para as pessoas que vieram de cidades e países distantes, mas a peregrinação é incomparavelmente mais, é uma metáfora da vida que nos mostra como é necessário sabermos administrar as circunstâncias do dia a dia, sem perder o foco do principal que é o sagrado.

2 – A Jornada não é somente uma visita do Papa!

Não tenho dúvidas de que o ponto alto do evento é a visita do sucessor de Pedro. Aliás, foi extraordinário estar perto dele. Quando ele chegou a Copacabana, na tarde de Quinta-Feira, eu e minha namorada corríamos desesperadamente para vê-lo, quando em uma das pausas para respirar, rezamos para não perder a dimensão de que mais do que uma grande festa que ali acontecia, estávamos diante do apóstolo Pedro. Ao vê-lo experimentamos uma emoção indescritível. 

Recordo também de uma situação vivenciada no último dia da Jornada. Como disse acima, tive a oportunidade de ver o Papa de perto e novamente me encontrava numa posição privilegiada para vê-lo passar, quando um amigo sugeriu que poderíamos convidar uma idosa para vê-lo de perto. Olhando para trás, avistei uma senhora de cabelos brancos e a convidei para vir mais para frente; os outros peregrinos abriram espaço e ela veio caminhando até a grade que nos separava do caminho em que o Papa passaria. Ela agradeceu a gentileza etc, até aí tudo normal. O surpreendente foi quando o Papa passou. Ela se derramou em lágrimas e me abraçando disse: “Muito obrigada, você me deu uma grande oportunidade! A oportunidade da minha vida!” Eu chorei emocionado também, e pensava que a felicidade daquela mulher não estava em ver o Jorge Mario Bergoglio (nome de batismo do Papa Francisco), mas residia no fato de que ela rompia as barreiras do tempo e do espaço e via diante dela o apóstolo Pedro! Esse é o mistério da fé católica, esse é o sentido da reunião dos mais de 3 milhões de peregrinos na cidade do Rio de Janeiro. A grandeza do Papa não está na pessoa do Francisco, embora ele seja uma grande pessoa, mas está na representatividade que ele carrega!

Embora tudo isso seja extraordinário, é apenas uma parte do evento. A JMJ oferecia catequeses em 27 idiomas com mais de 300 bispos, uma simples e belíssima feira vocacional que acontecia na Quinta da Boa Vista, onde era possível ter um contato com essa grandiosa diversidade da Igreja Católica. Independente de como você seja, ou do que você goste, a Igreja tem um espaço para você! Diferentes movimentos, congregações e vocações eram apresentados de uma forma muito bacana. Em diversos pontos da cidade eram oferecidas alternativas culturais, tais como a exposição do museu do vaticano, rodas culturais, apresentações de música, dança, teatro, sessões de cinema etc. Além de dois grandes eventos que já acontecem em outros momentos no Brasil que foram associados à Jornada, a Expo-Católica que aconteceu na “Cidade da Fé”, situada no Rio Centro e o festival de música “Halleluya” que aconteceu na Lapa, com atrações musicais de primeiríssima qualidade. Isso tudo sem falara falar nas atrações que aconteceram em Copacabana mesmo, os shows e a participação de vários artistas.

3 – A Jornada não é um fim em si, mas um meio!

A Missa de encerramento da Jornada é marcada pelo anúncio do local de realização da próxima. Ontem o Papa anunciou que o nosso próximo encontro será em Cracóvia, na Polônia em 2016. Vi nas pessoas um desejo enorme de estarem lá, inclusive eu comecei a pensar em como me organizar para peregrinar no leste europeu. De fato uma das experiências mais bonitas que fazemos numa JMJ é a de ver o mundo inteiro presente. Digo, no entanto, que apesar de toda essa beleza, não podemos ter como principal objetivo participar das Jornadas. As Jornadas precisam sim apontar para alguma direção e não são linhas de chegada.

Este ano o tema foi, a passagem de Mt 28, 16 “Ide e fazei discípulos entre todas as nações.” Sugestivamente, a celebração final foi uma Missa de envio. Onde o Santo Padre disse a nós jovens para não pararmos naquela grande festa, mas levar ao mundo inteiro a alegria que experimentamos em sermos católicos... E que alegria eu pude experimentar. A cada dia de Jornada, eu parava para olhar tudo que acontecia ao meu redor e pensava: Eu amo a minha Igreja, graças a Deus por ser Católico. 

Ao chegar no Brasil o Papa Francisco disse: “A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo.” Na catequese que tivemos com o Dom Gilson, ele questionava isso: Talvez a imagem da porta seria melhor do que a da janela, por que não dizer que a juventude é a porta pela qual o futuro entra? E ele mesmo, brilhantemente apresentou uma resposta: Porque quando queremos que a luz entre na nossa casa é a janela que nós abrimos. Quando descortinamos a janela, podemos ver além! E é exatamente assim que encaro esse momento, tivemos nessa JMJ as nossas janelas descortinadas, agora é enxergar além e concretizar em nós as palavras do santo Padre em seu discurso de despedida: "Muitos de vocês vieram como peregrinos, não tenho duvida de que todos agora voltam como missionários.”

Rodrigo Moco
Psicólogo - Coordenador da Oficina de Valores

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