Por: Bernardo

Nessa Jornada Mundial da Juventude tive a oportunidade de trabalhar como voluntário. Desempenhei diversas tarefas desde 2012, como a divulgação do evento na Universidade, a tradução de textos, o envio de e-mails para padres de todo o mundo, a ajuda aos peregrinos no metrô, a ajuda em treinamentos, a alocação de pessoas nas catequeses, a formação dos
cordões de isolamento, o auxílio nas confissões, entre outras coisas.

Em cada uma dessas tarefas pude ver o quão maravilhoso era esse evento. Na minha Universidade pude ver o número de alunos que tinham interesse em participar da JMJ, no metrô e no cordão de isolamento a quantidade de pessoas que chegava para a JMJ, nas catequeses o quão dispostos estavam os voluntários, que literalmente viravam noites, a resolver todos os problemas. A felicidade e a disposição com que cada um exercia sua vocação na JMJ. E como função principal me foi designado ser auxiliar nas confissões.

Essa função consistia basicamente em receber os sacerdotes e organizar as filas. Parece simples e realmente é, mas foi muito gratificante estar lá. O sacramento da reconciliação é um sacramento que é bastante humilhante, afinal consiste em ser sincero e reconhecer todos os nossos erros. Como nós católicos também sabemos, muitas vezes é difícil encontrar um sacerdote disponível para nos atender nesse sacramento. Porém, durante o tempo que trabalhei na Feira vi exatamente o contrário.

As confissões começavam às 13h, porém às 10h já havia fiéis querendo se confessar e sacerdotes querendo atendê-los. Pouco depois, filas começaram a se formar. Fiquei responsável pela fila das confissões em Polonês, Inglês, Alemão, Francês e Italiano, onde pude ver jovens da África, do Caribe, dos EUA, da Ásia e da Europa querendo com humildade pedir perdão a Deus. Dentre eles havia alguns jovens que não se confessavam há algum tempo, como uma jovem americana que não se confessava há dois anos que saiu do confessionário com um sorriso no rosto agradecendo a mim e a outra voluntária por aquele momento.

E tivemos os padres que fizeram muito além do que lhes foi pedido. Muitos deixaram de almoçar para atender confissões mesmo nos vários dias que chovia muito no Rio. Um padre do Alaska (EUA) depois de atender confissões por mais de cinco horas na chuva, na hora de ir embora com um sorriso no rosto fez uma pergunta: “Posso voltar às 13h amanhã?” Nos dois dias seguintes ele chegou às 13h e saiu às 18h. Outro sacerdote, desta vez polonês, ficou mais de 3h na chuva sem atender ninguém, pois só falava sua língua materna; quando estava indo embora uma jovem polonesa chegou, ele retornou ao confessionário sorrindo e a atendeu embaixo de chuva. Vários padres brasileiros ficaram depois do horário atendendo no escuro e na chuva os que ainda queriam se confessar.

Ainda tiveram os outros voluntários que estavam comigo, muitos deixaram suas casas no Chile, Paraguai, Peru para estar lá ajudando. Deixaram de garantir um lugar melhor em Copacabana, nos atos centrais, s para secar confessionários e a cada 3 minutos dizer algo como: “Confissões em português na terceira fila”. Mesmo assim não escutei nenhum deles reclamar. No último dia de trabalho tivemos a recompensa de estar bem perto do Santo Padre, alguns puderam tocá-lo, outros falar com ele e eu a grande alegria de ganhar um terço dele.

Se tem algo que levo dessa JMJ é a certeza do que foi cantando nas areias de Copacabana: “A Igreja é viva”, afinal o que se viu foi uma Igreja que viveu sua fé em Cristo junto ao Sucessor de Pedro, agindo com caridade com os demais, tendo esperança que assim vamos melhorar o mundo. Vimos a Igreja vivendo as 3 virtudes teologais e agora, com tantos elogios, o mundo espera uma única coisa: que ela seja Santa.



Bernardo da Costa

Estudante de Engenharia do Petróleo - PUC - Oficina de Valores

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