Por: Juliana 
radiomuriae.com.br
Seguindo a temática dos textos desta semana eu também vim falar sobre a JMJ, mas só que especificamente da Semana Missionária em Petrópolis e mais especificamente ainda do que a Semana Missionária realizou na minha casa.

Moro com meus pais e um irmão de 10 anos de idade, sempre fomos católicos mas eu nos
definiria como católicos “médio-praticantes”: Missas quase todos os domingos, batizados, casamentos, orações em família no Natal, Páscoa e etc.

Aí aconteceu que há 8 anos mais ou menos eu fui fazer um tal de EAC e as coisas mudaram um pouco, mas eu não to aqui pra falar dessa experiência dessa vez. Desde então eu passei a participar mais ativamente da Igreja e por tabela isso fez com que meus pais também participassem mais.

Cheguemos então à narrativa da Semana Missionária em que eu pedi aos meus pais a autorização para receber duas peregrinas em nossa casa. Eles ficaram meio receosos e questionaram se essa seria a melhor decisão, porque eram pessoas desconhecidas, e me apresentaram muitas outras resistências. Por fim aceitaram com a condição de que eu fosse a responsável por elas e as levasse às programações da Paróquia todos os dias. Aceitando as condições, rumei para a reunião para confirmar alegremente minhas vagas. Chegando lá a notícia: não temos peregrinos suficientes, pediram à equipe que abdicassem de receber...

Queridos, acontece que Deus tinha um plano bem maior e melhor que o meu. Na semana anterior à JMJ apareceu um grupo de 3 chilenos, dois irmãos e a namorada de um deles, pedindo asilo em nossa paróquia, eu aceitei de pronto e avisei aos meus pais.  O plano de Deus seguiu seu rumo. No dia da chegada dos chilenos no Rio, eu fiquei presa em um engarrafamento e minha mãe teve que ir buscá-los sozinha na rodoviária levemente preocupada, (porque eu era a responsável pelo grupo), e sem falar espanhol!

Quando eu cheguei na rodoviária duas horas depois do combinado, já presenciei a primeira cena de muitas que me deixaram boquiaberta: minha mãe e meu irmão sentados com os três chilenos em uma mesa da lanchonete conversando e rindo entre eles, desde então a semana Missionária foi nada mais nada menos do que uma experiência inesquecível, verdadeiramente abençoada, de uma troca cultural imensa e de um enriquecimento pessoal incrível. E pasmen! Eu fui para o Rio ser voluntária pela JMJ e deixei os três chilenos em minha casa com minha família.

Quando voltei pra casa ao final da JMJ, recebi os feedbacks dos dias em que não estava aqui e o que ouvi foi o testemunho de minha mãe que não entendia o porquê de a geladeira e despensa ainda estarem cheias depois de uma semana com um pouco mais de 20 pessoas passando pela casa e comendo todos os dias – Isso porque minha tia resolveu receber 5 venezuelanos, juntou-se com o povo da minha casa para fazerem os eventos e refeições juntos; o porquê de ela ter chorado tanto quando eles foram embora porque sentiu que se separava de 3 filhos; o porquê de ela não se sentir cansada como se sente normalmente durante a semana comum mesmo que tenha dormido muito menos que o normal por terem ficado conversando até tarde da noite todos os dias. Isso pra não falar do meu irmão, que quase preferiu me trocar por um dos chilenos. Meu pai se impressionou com a simplicidade e generosidade que aqueles desconhecidos trouxeram para dentro de nossa casa e de nossa família.

E o que restou dessa experiência, foi certamente a certeza de que éramos irmãos, pais e filhos, amigos em Cristo, porque é só por Ele que uma loucura dessas pode dar certo. O clima de minha casa é de paz, de saudade e da certeza de que nossa família aumentou um pouco mais lá no Chile, que falamos a mesma língua, professamos a mesma fé e somos os mesmos “simplesmente” porque cremos na mesma Verdade. Dividimos o mesmo teto, a mesma comida, e o que fica é a certeza de que simplesmente somos um.

Muchas gracias Rafael y Santiago Schmidt y María Jesus Valenzuela. Hasta luego, y que Dios los bendiga!


Juliana Benevides
Oficina de Valores

0 comentários:

Postar um comentário