Por: André
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Neste texto vou falar da importância de propagarmos conhecimentos, como questões de instituições, para aqueles que não possuem um conhecimento tão profundo. Gostaria de fazer uma pergunta, você sabe origem da palavra “política”? Vem do radical grego “pólis”, que quer dizer cidade, fazendo referência às cidades-estado da Grécia Antiga. 

Agora faço outra pergunta, por que os gregos antigos que moravam nestas cidades precisavam de política? Tenho uma hipótese, não é original, mas acho bem razoável. Nas cidades, a interdependência das pessoas para tornar a sobrevivência viável é consideravelmente maior que no campo. Por exemplo, no campo uma família ou pequena comunidade é inteiramente responsável pela sua alimentação. A decisão de quanto plantar, quê animais criar, etc. são tomadas internamente e não afetam mais ninguém além dos mesmos. Já na cidade não existe tal independência. Caso o mercador de alimentos da Grécia Antiga decidisse dar um calote no povo de uma dessas cidades, ele com certeza afetaria a vida da população, que passaria fome. Com isso surge a necessidade de organizar relações entre os cidadãos. No nosso exemplo, a possibilidade de punir o mercador caloteiro. Então surge a política como forma de definir quais serão as regras que organizarão a sociedade. Neste sentido a política não mudou em nada, e até hoje ela serve para o mesmo fim. O que sofre muitas transformações é a forma que ela é realizada. Ao longo da história foram muitos meios: democracias, monarquias, ditaduras, entre muitos outros.

A forma pela qual a política é feita em nossa sociedade é através de um sistema de democracia representativa. A democracia original, que também nasceu nas cidades-estado da Grécia Antiga, era um sistema em que todos os cidadãos participavam diretamente do processo político. O conceito de cidadão daquela época era muito mais restritivo do que é hoje, mas todos os que eram considerados cidadãos tinham sua opinião levada em conta na tomada das decisões políticas. Em nossa sociedade seria inviável aplicar tal sistema. Imaginem se todos nós tivéssemos que saber de todas as leis e projetos que circulam nas casas legislativas federais, estaduais e municipais? Não faríamos outra coisa em nossas vidas. Por causa dessa complexidade, nós elegemos representantes que se ocupam em trabalhar estas questões. Apesar de ser, o melhor sistema político disponível, sabemos que a representatividade na democracia está longe de ser perfeita e por isso que temos de nos ocupar em saber se os nossos representantes estão realizando o seu trabalho e como o estão fazendo.

Agora o leitor pode se fazer uma pergunta, por que o autor está falando de origem de palavras, Grécia Antiga, mercadores caloteiros e democracia representativa? É uma pergunta justa, e a resposta é: Para mostrar que política não é uma coisa individual, e sim coletiva, para mostrar que “uma andorinha não faz verão”. Em nossa sociedade é claro que as relações sociais são organizadas politicamente e estão mal reguladas necessitando de melhora. Porém, individualmente faremos muito pouco ou nada. Isso porque o representante é eleito por um grupo, e não uma pessoa. Logo para que uma questão seja relevante para o político ela deve ser relevante para um grupo. E um grupo só consegue tornar suas questões relevantes se conhece os meios pelos quais se comunica com seu representante. Logo, quanto mais pessoas conhecem como funcionam os caminhos da democracia, mais próximo da verdadeira vontade do povo as decisões a serem tomadas estarão.

Da mesma forma que no último texto, deixo algumas ideias simples de como ajudar a aumentar o conhecimento das pessoas sobre política. Uma primeira forma seria realizar todas as atividades citadas no outro texto em grupo. Desta forma corre-se menos risco de alguém desanimar e o conhecimento pode se tornar mais profundo devido a possíveis debates. Outra seria organizar palestras sobre tema, uma boa atividade para se realizar numa escola ou associação de moradores. Formar grupos para discutir a situação política de sua cidade, estado ou país. Organizar um material explicativo sobre política e o funcionamento das instituições, com as devidas referências, para ser distribuído. Qualquer iniciativa que divulgue estes conhecimentos é válida. Só deixo um último alerta: ao realizar qualquer iniciativa que vise a divulgar esses conhecimentos tente fazer da maneira mais apartidária possível e sem vincular ideais políticos. Apesar de partidos e ideais políticos serem essenciais à democracia, vincular estes aspectos a um conhecimento de como funciona a política pode gerar desconforto e perda de credibilidade da iniciativa. Fazendo uma analogia ao futebol, quem passa mais credibilidade para explicar as regras do futebol: um torcedor fanático pelo seu time que quer que ele vença sempre ou alguém com grande conhecimento sobre o esporte, mas sem time específico?

André da Costa
Estudante de Economia - PUC-RJ / Oficina de Valores

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