Por: Barbara
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Muitas são as questões levantadas por aqueles que defendem o aborto – o direito sobre o próprio corpo, a violência contra as mulheres e, em alguns casos, vejo algumas perspectivas em relação à qualidade de vida dessa suposta mãe. Não me acho no direito de julgar a história de ninguém, mas acredito que dividir um pouco da minha história possa ser de ajuda para alguém. Acredito também que essa seja a primeira vez em que eu decido abrir
de forma tão pública detalhes de uma história que muita gente sabe que é real na minha vida, mas nunca soube detalhes. Recebam com carinho um pedaço muito importante de mim.

Eu sempre fui uma menina que todos achavam muito promissora: cantava no coral da minha escola, era representante de turma, tinha muitos amigos e uma condição financeira legal. Comecei a namorar um menino mais velho e eu realmente achava que era dona do mundo. Aos quatorze anos, já namorava há 2 anos e quando desconfiei que havia algo diferente em mim, me deparei com a notícia mais enlouquecedora da minha história: eu estava grávida.

Lembro vagamente das palavras de uma médica me dizendo algumas coisas sobre o que fazer, como contar pra minha família... mas naquele segundo, que pra mim durou horas, senti como se o meu castelo encantado tivesse sido brutalmente desmoronado. Contei para minha mãe e dali em diante, foi um desafio após o outro: avisar a escola, contar para o resto da família, para os amigos, para o mundo.

Por mais que muitas coisas estivessem acontecendo ao mesmo tempo, eu sempre me recolhia no meu quarto e por algumas vezes desejei não estar ali. Sofri muito com olhares de pouca compaixão, fui discriminada e apontada nas ruas. Fui julgada por muitas pessoas, algumas das quais eu jamais esperei tanta rispidez.

Alguns amigos se foram e o que eu mais ouvia das pessoas era: “ – Mas logo você, Barbara? Qualquer uma, menos você!”. A mistura de sentimentos em mim era bastante cruel. Eu me sentia culpada, fadada ao fracasso, completamente responsável por tanto desapontamento trazido àquela família que tanto me amava. 

Seria completamente hipócrita da minha parte se eu pulasse logo pra parte mais feliz da história, mas acho importante dizer pra vocês que eu também pensei sobre todas as teorias a favor do aborto que eu mencionei lá no início. Eu pensava sim em uma maneira fácil de acabar com aquele sofrimento todo e resolver logo aquela situação. Pensei em me jogar de uma escada, na frente de um carro e até fiz algumas pesquisas na internet sobre remédios abortivos. Medidas fáceis, respostas em curto prazo.

Eu sabia exatamente o que eu poderia fazer, mesmo que aqueles pensamentos tenham se tornado públicos só hoje pela primeira vez. Questionei a Deus algumas vezes. Eu perguntava o porquê daquilo ter acontecido comigo, já que muita gente fazia coisa muito pior.

Uns três dias depois da notícia, fui a minha primeira ultrassom. Naquele dia eu descobri que a minha gravidez já beirava o quinto mês e que em pouco tempo meu bebê chegaria ao mundo. Fiquei ainda mais nervosa e ansiosa e a primeira pergunta que eu fiz a obstetra foi se ela era perfeita. Ela me perguntou se eu queria ouvir o coração do bebê e, assim que eu aceitei, só tive forças pra uma lágrima.

Acredito que tenha sido uma lágrima de perdão. Perdão a mim mesma, em primeiro lugar e depois, é lógico, eu precisava do perdão daquele serzinho tão pequeno que viveu ali, dentro de mim, tão imóvel e singelo, como que se escondendo até que eu realmente aceitasse a minha condição: eu era mãe.

Não me tornaria mãe no dia em que ela nascesse, mas sim a partir do minuto em que ela foi concebida. Saber que eu era inteiramente responsável por aquela criança, por aquela história é um fardo que eu haveria de carregar para o resto dos meus dias. Eu seria, então, a referência da vida de alguém. É um momento tão divino que fica difícil de explicar.

O tempo passou e Gabriela, a enviada de Deus, veio ao mundo pra me ensinar tantas coisas que não caberiam nesse post, ainda que eu tentasse resumir. A vida ganhou força e propósito em todos os minutos. 

E mesmo depois de tantas lições, me lembro de um dia levando a Gabi ao colégio quando ela me olhou e perguntou o porquê de eu ser tão nova, já que as mães das amiguinhas dela não tinham a minha idade, eram casadas e etc. Tivemos uma conversa de gente grande naquele momento e ela me perguntou: “Você queria mesmo que eu tivesse nascido?”. Eu dei um sorriso e falei que sim. Disse que eu tinha medo de não ser boa o suficiente pra ela, mas que faria o meu melhor e então ela me abraçou, dizendo que não tinha nada melhor do que ser minha filha e me agradeceu por eu ser sua mãe.

Eu continuei estudando, comecei a trabalhar e hoje estou terminando a faculdade. Devo muito do que sou a minha família, que me apoiou e me ajudou nas madrugadas de choro, na paciência com as fraldas, nas vacinas, nas gripes e nos suquinhos. Devo muito a minha avó e a minha mãe, os dois maiores exemplos da minha vida, que abraçaram a minha causa e lutaram por mim junto comigo; Mas preciso dizer que me orgulho de mim, por ter dito SIM a vida dessa criança que me faz tão mais completa hoje.

Resolvi dividir o meu testemunho com vocês porque acredito que muitos dos argumentos usados hoje a favor do aborto vêm do medo de não “dar conta do recado”. Muitas pessoas acreditam que a gravidez possa talvez impedir o desenvolvimento de uma adolescente ou a carreira de uma mulher. É claro que eu não estou fazendo nenhum tipo de apologia à gravidez na adolescência, mas ao abortar, estamos definitivamente impedindo um ser humano indefeso de poder tentar qualquer coisa. O sentimento materno não é algo que a gente escolhe, ele simplesmente se manifesta. E mesmo que essa pessoa não se sinta preparada, existem casas de adoção, pessoas que dariam tudo para ter um filho. Ninguém precisa ser impedido de nascer.

Acredito profundamente nos planos que Deus tem pra vida de cada um e hoje eu agradeço por todas as coisas que eu passei, passo e que sei que ainda vou passar. É como dizem: “Ser mãe é padecer no paraíso”. As preocupações nunca cessam, é verdade, mas o orgulho, o carinho e o amor também não.

Hoje eu tenho uma companheira, alguém que divide comigo alegrias e tristezas. Acompanho seu desenvolvimento diário, suas conquistas e encontro a minha paz no seu abraço no fim do dia.

Hoje eu consigo entender um pouquinho do amor incondicional que Deus tem por nós e serei eternamente grata por essa missão que Ele confiou a mim: a missão de ensinar alguém a Sua imagem e semelhança a lutar por um mundo melhor.

Barbara Furtado
Professora de Inglês - Estudante de Letras / Oficina de Valores

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