Por: Molina
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Me foi dada a graça de iniciar este especial abordando a temática da Igreja como instituição permanentemente imbuída na tarefa de ser missionária. Esta reflexão, que veremos durante toda a semana, surge do apelo feito pelo Bispo da Diocese de Petrópolis, Dom Gregório Paixão, OSB, quando da
apresentação do Plano de Diretrizes Pastorais Diocesanas para o triênio 2014-2016, feita na Assembleia Diocesana realizada no último dia 10 de novembro, no Ginásio do Pedrão, em Teresópolis/RJ.

A você, amigo leitor do Blog da Oficina de Valores, faço o convite de ler este texto até o fim, ainda que a temática inicial não tenha lhe atraído tanto. Tentarei, em poucas palavras, falar de uma experiência que perpassa não só o campo daqueles que se encontram “na Igreja”, mas também de toda pessoa que enxerga no Cristianismo uma proposta condizente às dúvidas, inquietações e alegrias do seu coração.

Existe uma verdade: o homem é atraído pela multidão. É assim nos estádios de futebol, nos shows, nas manifestações populares, na discussão que está rolando na esquina da rua, na briga envolvendo desconhecidos, nos acidentes automobilísticos, até mesmo em filas. A aglomeração se dá, por vezes, sem que paremos para fazer uma análise realista do que nos leva àquele bolo de pessoas.

A missão surge desta dualidade: há o individual e o comunitário, que necessariamente precisarão estar interligados para que o fim possa vir a ser atingido, sob pena de criarmos uma estrutura que não possui alicerce, e, logo, venha a ruir na primeira dificuldade.

Na individualidade própria da natureza humana, surge, inevitavelmente, um questionamento acerca do conceito de Deus, ainda que seja para afirmar veementemente que Ele não existe ou, fundamentadamente, questionar toda uma devoção dirigida a um ser supremo.

Para nós, o Cristianismo apresentado pela Igreja Católica mostra-se como a resposta que possui plenas condições de preencher um vazio questionador e existencial que nos acompanha. 

No entanto, como nas palavras do Cardeal Dom Cláudio Hummes, o discípulo – aquele que se coloca na qualidade de ouvinte de uma mensagem e a adota como proposta de vida – nasce de um encontro forte e pessoal com Jesus Cristo. Assim, nesta primeira ótica, precisamos compreender que não há como se falar em missão se não há a certeza de um encontro real com uma pessoa que pode e deseja ardentemente dar sentido à minha e à sua vida.

Para que eu possa querer manifestar ao outro uma verdade em que acredito, é imprescindível a adesão a esta proposta . O que mais me entristece hoje é ver tanta gente gritando ideologias de vida ou posturas a serem adotadas, sem que haja o mínimo de experiência – aqui definida como o ato verdadeiro de experimentar – com o que se discorre.

Num segundo plano, é necessário compreender que quando fazemos uma experiência real com uma verdade que preenche nosso ser é natural que sejamos imbuídos do desejo de levar aos outros a possibilidade de conhecer aquilo que um dia me foi dado. E aqui falamos desde as coisas mais banais até realidades que possuem a capacidade de mudar a minha e a sua história.

Aqui, nos é apresentado o segundo aspecto da missão, que consiste neste levar ao outro uma mensagem. Logo, ser missionário não é uma atividade facultativa, mas uma resposta generosa de quem, de graça, recebeu a Graça. Além disso, fazer missão não significa anunciar a pessoa e as palavras de Cristo como se fossem algo estranho, sem relação com a nossa vida, mas sim como algo que nos impulsiona a descobrir o sentido mais profundo de nossa existência.

Assim, a missão da Igreja só sobreviverá a partir da experiência individual de quem se permite conhecer a Verdade e, consciente da existência de um chamado que acompanha o anúncio recebido, coloca-se a caminho para apresentar aos outros o que dá sentido à própria vida.

Mas onde entra a Igreja?

A Igreja Católica é esta instituição que em seus ritos e em sua estrutura possui o encargo de levar pessoas a uma experiência missionária, passando desde o primeiro anúncio, fundamentado no Batismo e na Catequese, tendo como ponto culminante o sacramento do Crisma. Este processo deve ser, na realidade, um processo de profunda adesão ao corpo místico de Cristo, que é a própria Igreja. A missão é o momento no qual passamos, ou ao menos deveríamos passar, da “pastoral do banco” para a “pastoral da sola do sapato”, como nos entusiasmava Dom Filippo Santoro, que era bispo de Petrópolis, quando do lançamento do Plano Pastoral de Conjunto, em 2005.

Assim, a Igreja, através de uma inserção concreta nas realidades da sociedade atual, permanece executando seu mandato de levar a verdade a todos os homens, seja através da celebração de seus sacramentos, ou através de cursos, auxílios caritativos, manifestações sobre temas de relevância mundial; ou ainda de forma mais palpável, manifestando sua verdade na minha e na sua vida, através dos coerentes testemunhos de vida de seus membros.

Encerro afirmando que para que a missão permanente da Igreja só acontecerá a partir da minha e da sua adesão à proposta de Cristo e, sobretudo, com o empenho para que esta verdade seja cada vez mais conhecida, sendo urgente a implementação de meios atuais e até mesmo ousados de evangelizar, cabendo a nós, integrantes deste corpo místico, colaborar com as nossas potencialidades, tendo como norte, mais uma vez, as palavras do Cardeal Dom Cláudio Hummes: “É preciso agir mais rapidamente, sair da acomodação e do ritmo pastoral habitual. O tempo urge.”

Bruno Molina de Souza
Assessor Jurídico do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro / Oficina de Valores

*Fonte bibliográfica citada: HUMMES, Cláudio. Discípulos e Missionários de Jesus Cristo. São Paulo: Paulus, 2006. 

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