Por: Bernardo
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Para os que não me conhecem, é importante que saibam que sou vascaíno. Torço para o Vasco desde criança! Quando pequeno acompanhava todos os jogos do Vasco pela televisão (vi o a virada histórica contra o Palmeiras em 2000 e chorei com o tri-vice em 2001). Tinha duas camisas do Vasco e quando não estava com uma, muito provavelmente, estava com outra. Meus pais não são vascaínos e não ligam para futebol, então tive total liberdade para escolher o meu time e acabei escolhendo o time do meu avô e do meu tio paterno. A primeira vez que fui ver um jogo do Vasco no estádio, tinha 8 anos e tive que implorar para o meu pai me levar.

O tempo passou e a criança que torcia e assistia aos jogos pela televisão se tornou sócio do clube, passou a acompanhar os jogos no estádio (quando a faculdade e outros compromissos permitem) e criou o hobby de colecionar camisas oficiais do clube (já possui mais de 30 camisas nessa coleção).

Em 2008, com 15-16 anos, eu acompanhei o campeonato de perto, fui à boa parte dos jogos em casa. Praticamente todo final de semana eu saia de Petrópolis para ir para a Colina ver jogo; cheguei até a matar aula para estar no estádio. No final, o Vasco foi rebaixado, no dia 7 de dezembro com uma derrota de 2x0 para o Vitória (BA). Eu estava nesse jogo. Ao fim do jogo, sentia tristeza e não vergonha. Afinal o Gigante da Colina é maior que uma má administração e um elenco fraco.

Porém, agora em outro rebaixamento em 2013, o sentimento de vergonha é muito maior que o de tristeza. Não sinto vergonha de torcer por um clube que vai disputar a segunda divisão. Sinto vergonha de alguns ‘torcedores’ do Vasco. Não vou discutir qual torcida começou a briga, isso sinceramente não é o mais importante. Excessos aconteceram dos dois lados da arquibancada e falo do Vasco por ser vascaíno. As cenas de um torcedor atleticano desacordado sendo pisoteado por ‘torcedores’ do Vasco não são cenas de quem estava apenas se defendendo, mas sim um ato de covardia. Enquanto isso, um pai (vascaíno) tentava proteger o filho pequeno e pedia calma para os outros torcedores.

A torcida do Vasco, em sua história, já demonstrou toda sua capacidade de fazer coisas extraordinariamente boas. Ela mesma construiu o estádio São Januário, lutou diretamente contra o racismo no futebol brasileiro e até mesmo doou dois aviões na Segunda Guerra para a FEB lutar contra os nazistas. Nos tempos atuais, a atuação social da torcida também é forte, com a organização de festas de natal e de dia das crianças para a comunidade carente próxima a São Januário, com arrecadação de alimentos para diversas vítimas de desastres naturais no Brasil e no mundo e doações de sangue durante o ano. Isso sem falar no acolhimento a vários torcedores deficientes, uns já até apareceram na mídia, outros só são conhecidos de quem freqüenta o cimento das arquibancadas da Colina.

Sei que a grande maioria dos torcedores vascaínos no estádio eram torcedores de verdade, que não visavam a violência e sim o apoio ao Vasco da Gama. Eu conheço alguns torcedores que saíram do Rio para torcer para o Vasco se salvar do rebaixamento, torcedores que são pessoas normais – possuem família, estudam, trabalham, etc. Com toda certeza sei que os bons torcedores superam em quantidade o número de maus torcedores, não só no Vasco, mas em todos os times. Por isso espero pelo dia em que cenas como as desse jogo não se repitam.

O futebol é capaz de romper fronteiras, classes sociais, diferenças culturais e étnicas. Ele não deveria ser usado como mais uma barreira, inventada pela humanidade, que impede a paz. Por isso as cenas de brigas de torcida escandalizam. Afinal algo bom é convertido ao mal.

Termino com as sábias palavras do Papa Francisco que não servem apenas para as torcidas de futebol, mas para todo o mundo; “A humanidade precisa ver gestos de paz e escutar palavras de esperança e de paz!” (@Pontifex_pt 09/09/2013)

Bernardo da Costa
Estudante de Engenharia do Petróleo - PUC / Oficina de Valores

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