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Por: Thales

Imagem: http://blog.cancaonova.com/

Todos nós, seres humanos, vivemos fazendo planos para o futuro. Todos nós temos sonhos que queremos realizar, metas que queremos conquistar. Tudo que nós fazemos, desde as coisas mais simples como comer ou dormir, até coisas mais complexas como trabalhar e se divertir, sempre são apenas parte de um plano maior, e nunca são um fim em si mesmo. Estamos sempre nos esforçando para conseguir alguma coisa e nada do que a gente faz é completamente “por acaso”, mesmo que algumas vezes não exista um motivo consciente para nossas ações. E quando nós finalmente conseguimos conquistar o que queremos, nós passamos imediatamente a querer outra coisa, que ainda não temos. De certa forma, cada um de nós é um ser infinitamente ambicioso.

Acontece que, se por um lado nossa ambição é infinita, por outro nosso tempo não o é. Ao longo de nossas vidas, ao procurarmos concretizar nossos “planos para o futuro”, nós cometemos vários erros. Quantas vezes nós não fazemos coisas que não queríamos ter feito? Quantas vezes nós percebemos que nossos objetivos não são mais aquilo que realmente queremos? E quantas vezes nós simplesmente não conseguimos conquistar aquilo que gostaríamos tanto de possuir? São tantas dificuldades no caminho, que, se nós pararmos para refletir, não temos escolha a não ser reconhecer que nosso tempo é curto demais. Por mais que sejamos pessoas boas, por mais que nos esforcemos para realizar os nossos sonhos, o nosso destino nesta terra é sempre o mesmo: morrer sem termos nos realizado plenamente.

O general Macbeth, o personagem principal de uma famosa peça de Shakespeare com o mesmo nome, assim fala quando descobre que sua esposa se matou:

Amanhã, e amanhã, e amanhã;
Arrastam-se nessa passada trivial, dia após dia;
Até a última sílaba do tempo.
E todos os nossos ontens apenas iluminaram para os tolos;
O caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve!
A vida é apenas uma sombra ambulante, um ator medíocre;
Que por um breve tempo se estica e se agita no palco;
Sem que depois nunca mais seja ouvido.
É uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho;
E que nada significa.

De fato, são versos cruéis. Mas afirmam uma profunda e não menos cruel verdade: sob a perspectiva da morte, a vida humana não tem sentido. A morte sempre foi causa de angústia para os homens de todas as épocas. Por causa dela, nós somos seres condenados: vivemos sempre esperando um “amanhã”, quando nossos anseios e metas serão alcançados e seremos plenamente felizes. Só que esse “amanhã” está muito além de nossas curtas vidas. Nossa ambição de felicidade é infinita, mas o tempo que nos é dado para realizá-la não só é finito, mas é curto demais. Nossa condenação está em procurar, com força infinita, uma eternidade feliz, e, em nossa busca, a palavra final é sempre um fim, um nada, um “não”.

De tal forma somos esmagados pelo peso desse fato, que só nos resta nos questionarmos: como é possível que tenhamos sido jogados neste mundo sem que possamos saciar nossa sede de felicidade? Como podemos ser felizes se a morte é invencível...?

Caros amigos, hoje eu trago uma importante notícia: a morte não é invencível. Houve um dia na história do mundo em que ela foi vencida. E hoje nós celebramos este dia feliz com tal intensidade e com tal zelo, que fazemos com que este sábado de hoje se torne aquele mesmo sábado, há mais de dois mil anos atrás, em que a pedra que trancava um sepulcro foi rolada. E Aquele que ontem estava morto, hoje levantou-se e deu um passo para fora.

A ressurreição de Jesus Cristo não é um fato isolado que apenas aconteceu na Judéia do séc. I. Cristo, ao derrotar a sua morte, derrota a morte em si mesma. A potência deste acontecimento atravessa toda a história e, hoje, toca-nos de forma especial. Hoje nós lembramos que Deus mesmo retirou da morte o poder de ser um “fim”, um “não” definitivo para o desejo do homem pela felicidade. Ela não é mais um sinal de desespero, de tristeza, mas sim o sinal de uma passagem, uma “Páscoa”, para uma vida eternamente feliz.

Não precisamos mais ser aterrorizados pela falta de sentido de uma vida sob a perspectiva da morte. A partir deste dia, é possível viver sob a perspectiva da ressurreição! E isso significa que nossa vida é cheia novamente de esperança. Que nossos sonhos e nossos planos podem ter um sentido imenso, infinito, se nos levam a conquistar a vida eterna. Que nossos erros e nossos tropeços não tem o poder de nos privar da felicidade plena, se apesar deles e através deles nós nos aproximamos mais de Cristo.

Hoje nós celebramos a plenitude da vida de Cristo. Com Cristo, hoje nós vencemos a tristeza, vencemos o nada, vencemos a morte. Saibamos reconhecer o poder que este fato tem: o poder de vermos cada dia, cada “amanhã”, não mais como um dia mais próximo do fim de tudo, mas como um dia mais próximo da vitória definitiva! Saibamos viver de modo coerente com esta notícia. Que em nossos sonhos, em nossos planos, e em cada momento de dificuldade e de dor, vejamos tudo sob a perspectiva do eterno. Cristo hoje ressuscitou. Ressuscitemos, hoje, também com ele.

Thales Bittencourt
Doutorando em Filosofia - UFRJ /Oficina de Valores

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