Por: André

Não sei se algum dos leitores já tentou realizar o experimento do título deste texto. Por experiência própria, o resultado não é dos melhores. Caso a lata não esteja numa superfície rígida e estável ela vai se mover quando tentar perfurá-la com a faca, a abertura feita fica cheia de rebarbas tornando muito mais fácil cortar-se com a lata e dificultando a retirada do conteúdo do recipiente. Além dessas consequências com a lata, a faca fica praticamente cega e quase quebra. Em resumo, usar um abridor de latas é muito melhor do que uma faca. 


Esta é uma situação dentre muitas que poderia dar para exemplificar como usar algo para um fim diferente daquele para o qual ele foi feito pode trazer um resultado muito abaixo do ideal. Acredito que um fenômeno que segue uma lógica parecida em nossa sociedade é o consumismo.

Os bens e serviços que consumimos em nossas vidas possuem diversas finalidades. Por exemplo: uma casa que serve para nos abrigar, um computador para trabalhar, uma consulta médica para termos uma saúde melhor, etc. Na maioria das vezes, eles cumprem muito bem estas finalidades. Também não há nenhum mal em trabalharmos para termos bens que cumpram estas funções de uma forma melhor. A questão está quando o consumo de um bem ou serviço passa a ter outra função além daquela para a qual foi criado, quando o consumo de um bem ou serviço passa a ser um fim em si mesmo.

Se comprar uma roupa, um celular ou ir a um restaurante além de serem formas de satisfazer nossas necessidades de vestimenta, de nos comunicar e de fazer uma refeição ou encontrar amigos e passam a ser objetos que são essenciais para a nossa felicidade acabamos de transformar estes bens na faca para abrir a lata da felicidade. 

Acho que o debate sobre o que traz felicidade ao homem é extremamente relevante, para qualquer pessoa. Porém, por sua complexidade, não vou aprofundar nesta questão, mas deixo somente um ponto: Se a capacidade de consumir bens fosse relevante para a felicidade do homem, não acredito que o Brasil e tantos outros países pobres estariam entre os que possuem as populações mais felizes e não conheceríamos tantas pessoas pobres que se declaram felizes.




André da Costa
Estudante de Economia - PUC-RJ / Oficina de Valores

1 comentários:

Alessandro Garcia disse...

Bem interessante seu texto, André. Nessa sociedade contemporânea onde felicidade e consumo são tidos quase como sinônimos, nunca é demais lembrar disso que você falou. Até porque, fazendo uma breve autocrítica, essas ideias e sentimentos estão mais presentes em nós do que percebemos em um primeiro momento.
Obrigado pela reflexão

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