Por: Cleber
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Em muitos momentos se propõe uma discussão que gira em torno da teoria da evolução e do criacionismo. Bom, não quero aqui propor uma comparação entre os dois, até porque ela é impossível. São assuntos diferentes, de áreas diferentes e que tratam de coisas diferentes embora sejam correlatas. Quero tratar aqui exclusivamente da evolução sob uma ótica cristã. Se você acha isso impossível, precisa se informar mais. Neste outro texto (clique aqui) do blog O Catequista explico melhor, mas agora tratemos do nosso assunto

O que a teoria da evolução explica?

A teoria da evolução proposta por Darwin não se propõe a explicar a origem de tudo, mas somente a diversidade de espécies que existem. A origem de tudo é anterior à evolução. A teoria da evolução começa na criação do primeiro ser microscópico e como este evoluiu até a diversidade de seres que temos hoje, como chegamos a ter essa diversidade e quais os mecanismos que podem levar a ela. Aí entram a seleção natural, a deriva genética entre outras coisas que estão atreladas à teoria da evolução e que levam a uma especiação (criação de uma nova espécie). 

O que vem antes da criação do primeiro ser, embora esteja diretamente relacionado à evolução, não faz parte da teoria da evolução, e sim da teoria do Big Bang e outras, que se propõe a explicar como tudo teve início. Erroneamente as pessoas, quando querem discutir evolucionismo, acabam caindo nessas teorias, que embora se relacionem com a evolução não fazem parte dela. Se amanhã descobrirmos que o universo não foi criado a partir do Big Bang, por exemplo (o que é bastante improvável), a teoria da evolução não sofre nada com isso, porque ela não diz respeito à criação de tudo, mas só e unicamente a como os organismos evoluem.

Outro erro bastante comum quando começamos a falar em teoria da evolução e teoria do Big Bang e teoria de sei lá mais o que, é o próprio termo teoria. Esse “argumento” vem quase que exclusivamente da parte de religiosos fundamentalistas ou preguiçosos. Aqui quero dizer que religiosos preguiçosos são fundamentalistas passivos então, amigos, cuidado!!! 

Para acabar com isso, vou dar uma ajuda. Primeiro dizendo o que é uma hipótese. As hipóteses são conjecturas, especulações, previsões, observações sobre determinado fenômeno e como ele se comporta. Para serem comprovadas, geralmente são feitas experiências cujos resultados as confirmam ou as refutam. Já as teorias são explicações bem fundamentadas para descrever eventos que envolvem fatos, leis e hipóteses que já foram testadas exaustivamente.

Como exemplo peguemos a teoria da gravidade. Ela foi elaborada através de uma hipótese simples: as coisas caem! Qualquer pessoa concorda com essa afirmação, porque exaustivamente já viram coisas caindo - o que corrobora, confirma a hipótese de que as coisas caem. Ora, esse fenômeno levou à elaboração da teoria geral da gravidade que diz que: a gravidade é o fenômeno natural pelo qual todos os corpos físicos se atraem entre si. Do ponto de vista prático, a atração gravitacional da Terra confere peso aos objetos e faz com que caiam ao chão quando são soltos (como a atração é mútua, a Terra também se move em direção aos objetos, mas apenas por uma ínfima fração). 

Embora seja apenas uma teoria, é inegável que a gravidade exista, afinal as coisas caem. Como isso se dá, sua explicação para o fenômeno, é do que trata a teoria e por mais que se saiba, ainda é passível de mudança; embora o geral não vá mudar, a gravidade existe. E como sabemos? As coisas caem. 

Esse exemplo é notoriamente uma simplificação, mas serve para dizer que a evolução existe. Ela aconteceu e acontece nos dias de hoje, é um fato. Como isso se dá, bom, aí sim podemos discutir e acrescentar ou retirar elementos que compõe essa teoria que, como qualquer outra, é composta por hipóteses testadas que a tornam crível. Porém, como na teoria geral da gravidade, ainda há muito o que se descobrir para compreender todo o mecanismo por trás da ação final que, no caso da evolução, é a especiação. Mas veja, não dá para desqualificar a teoria só por ser uma teoria. Tanto a teoria geral da gravidade quanto a teoria da evolução estão constantemente passando por mudanças sempre feitas à luz de novas descobertas que vieram da confirmação de novas hipóteses. Acredito que isso tenha ficado claro.

Dando continuidade, pretendo esclarecer outro ponto que, confesso, até me diverte quando eu ouço: o homem não veio do macaco! Não é assim que acontece. Já ouvi mais de uma vez quando alguém se põe a falar sobre isso o seguinte questionamento: se o homem veio do macaco porque não continuam nascendo homens de macaco até hoje? Tal argumento ou é feito de má fé, com o intuito de confundir os menos atentos (e isso seria falta de uma sinceridade intelectual) ou pela total falta de conhecimento sobre o que se está falando mesmo. Acredito que os dois casos ocorram com frequência. 

O que acontece é que homem e macaco são “parentes” na árvore filogenética, uma espécie de árvore genealógica que mostra os graus de parentesco entre as espécies (como a que acompanha este post). Homem e macaco são hominideos e tiveram um ancestral comum, mas evoluíram por caminhos diferentes. 

Muito resumidamente, nossa história evolutiva mais provável é a seguinte:

14 Milhões de anos atrás - Surgem na África os macacos hominoides do gênero Kenyapithecus

8 Milhões - Ocorrem na África movimentações tectônicas que fazem surgir cadeias de montanhas com 6.400 quilômetros de extensão no sentido norte-sul da África. Este evento marcou a nossa evolução e nos ajuda a responder quando, onde e porque a linhagem hominídea se separou da linhagem antropoide; 

Há cerca de 6 a 5 milhões de anos atrás - Ocorreu uma bifurcação dessa ramificação, uma originou o gênero Gorila dos dias atuais, a outra originou o gênero Pan dos dias atuais (os chimpanzés e bonobos da África);

4 Milhões - Surgem os primeiros macacos bípedes representantes da família dos Hominídeos, à qual também pertencemos, é o gênero Australopithecus (espécies Australopithecus anamensis e A. afarensis);

2 Milhões - Surgem na África (e possivelmente na Ásia e Europa) os indivíduos da primeira e mais antiga espécie do gênero humano, o gênero Homo (espécie Homo habilis), nossos ancestrais diretos. Com 35 a 40 kg e 1,40m a 1,55m e locomoção bípede mais perfeita, sua capacidade endocraniana já era em torno de 730 cc (metade do Homo sapiens, com 1500 cc).

Só por volta de 100 mil anos atrás surgiu o Homo sapiens conhecido como Homem de Neandertal, e a nossa espécie dos dias atuais que é conhecida como Homo sapiens sapiens, só surgiu por volta de 90 mil anos atrás.

Bom, já me alonguei bem mais do que gostaria, espero que esse texto ajude a compreender um pouco mais a evolução como ela é de verdade e não como ouvem dizer por ai. Espero que a partir disso deixemos de lado a preguiça e estudemos. Claro, se não quisermos estudar isso, tenhamos a sinceridade de dizer: eu não sei o suficiente sobre o assunto. Mas principalmente, espero que parem de propagar mentiras e falácias sobre o assunto.

Aos que gostaram e querem saber mais sobre essa questão a partir da doutrina cristã católica, sugiro que leia o texto indicado no começo do post que está no blog O Catequista, só clicar aqui

Cleber Nunes Kraus
Mestrando em Ecologia - UNB / Oficina de Valores

1 comentários:

Alessandro Garcia disse...

Gostei do artigo. Bastante esclarecedor...

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