Por: Yuri


Sempre fui um grande admirador da série de TV mexicana “Chaves”. Sempre admirei a forma de humor que eles utilizavam, e o que me chamava e ainda chama mais a atenção é a pureza das mensagens que são passadas em alguns episódios. Recordo de um episódio em que as personagens fazem um “Festival da boa vizinhança”, em que ocorrem diversas apresentações de cada um deles. Dentre essas apresentações, Kiko (um dos personagens da série) decide declamar um poema para sua “mamãe querida”, a qual tem a característica de ser uma mãe superprotetora e ele um “filhinho da mamãe”. A comédia se desenvolve nas tentativas frustradas de Kiko declamar seu poema e sempre ser interrompido por Chaves e Chiquinha. Seu poema começava com “Mamãe querida, meu coração por ti bate...” e logo após isso era interrompido por seus amigos que faziam rimas engraçadas com a frase. Esse episódio me deu a ideia do título do texto, que não trata de “Chaves”, mas sim de nossas mamães queridas.

Provavelmente você já se deparou com frases do tipo: “Compartilhe se você daria seu coração pela sua mãe”, “O único defeito das mães é não serem eternas”, “Minha mãe é minha best” entre tantas outras nas redes sociais, que expressam o carinho que temos pelas nossas; e ocorrem de forma ainda mais intensa próximo do dia das mães. Mas até onde essas declarações coincidem com nossas atitudes onde elas mais importam: nas nossas casas?

Acredito que muitas das pessoas que compartilham frases ou imagens desse gênero tenham realmente boa intenção e que realmente amam suas mães, mas será que ao compartilharmos frases do tipo não estamos sendo movidos por mero sentimentalismo ou simplesmente esperando que os outros olhem pra nós como “bons meninos”? Acredito que grande parte das mães não têm acesso ao Facebook, então muitas dessas de dedicatórias não vão diretamente para nossas mães. Bom... Podemos tentar chegar a algumas conclusões com relação aos nossos sentimentos (por nossas mães, especificamente). Tive a graça de participar de uma palestra há algumas semanas e me lembro bem do palestrante falando sobre essa mesma questão, então resolvi escrever esse texto com objetivo de trazer reflexões sinceras sobre nossas atitudes com nossas mães.

Mais do que falar sobre nossas mães, é importante falarmos com nossas mães. E dessa forma entro no primeiro tópico desse texto: a atenção. Devido à correria do dia-a-dia, estudos, trabalhos, é difícil dedicarmos um tempo a nossas casas, o que não significa que seja impossível. Hoje em dia temos um agravante que nos toma, muitas das vezes, mais tempo do que os outros afazeres já citados: a internet. Como eu disse no começo do texto, é mais fácil vermos dedicatórias nas redes sociais do que gestos e atitudes que refletem o carinho e amor que nossas mães merecem. Mais vale assistir um filme na companhia de nossa mãe do que compartilhar centenas de frases meramente “bonitinhas”, mais vale ajudar nossa mãe em casa do que postar fotos junto dela. Amar não é algo abstrato, é algo concreto; vai muito além de mero sentimentalismo, requer sacrifício e dedicação. É preciso que amemos nossas mães de uma forma que elas percebam e saibam que são amadas. Como dizia o Pe. Antonio Vieira: “Palavras sem obras são como tiros sem bala.”

As palavras possuem grandes poderes, poderes esses que podem contribuir tanto para o bem quanto para o mal. Podemos expressar gratidão, amor, carinho e ao mesmo tempo podemos expressar ódio, revolta, ofensas. Quando convivemos muito com alguém, essa pessoa passa a ter um valor para nós, valor ainda maior se é uma pessoa com a qual partilhamos momentos de angústia, felicidade, etc. Quando falamos com relação à amizade, é fácil para nós expressar nossos sentimentos diretamente para nossos amigos, porque são pessoas de quem buscamos nos fazer próximos em momentos de necessidade ou em situações mais descontraídas. Quando falamos com relação à família, geralmente nos deparamos com algumas dificuldades. O motivo é bem simples: na maioria das vezes convivemos com nossos pais a maior parte do tempo, e isso implica a presença deles nos momentos em que estamos irritados, ou nas percepções que conquistamos com o tempo relacionadas a manias ou maus hábitos dos nossos familiares que acabam por nos incomodar. Criamos certo tipo de resistência, pois muitas das vezes as situações que passamos em casa são repetitivas para nós.

É normal termos desavenças em casa e passarmos por períodos difíceis de convivência, mas o amor está no suportar as pessoas e tratá-las bem apesar dessas dificuldades. Mais do que dedicatórias e frases bonitinhas, o amor se dá nas pequenas ações. Mães são reconhecidas por seus esforços nos trabalhos de casa, muitas vezes nas dificuldades que passam para sustentar os estudos dos filhos e hoje em dia é muito difícil encontrar filhos que façam o mesmo, ou pelo menos parte disso, por suas mães. O irônico da situação é que nossas mães também passam o mesmo tempo conosco em casa, e enquanto muitos de nós nos sentimos enjoados de nossas mães, nossas mães muitas das vezes sentem saudades de nós. A questão não está na presença palpável simplesmente, está no conviver.

Nesse dia das mães, vamos nos colocar um pouco no lugar daquelas que tanto fazem por nós. O amor precisa ser espalhado com obras. Então por que não tentar uma nova experiência? Compre um presente pra sua mãe: não precisa ser caro, mas que de alguma forme expresse algum valor sentimental que você tem por ela. Ajude nas tarefas de casa: se você não tem esse hábito, maior ainda vai ser o valor dessas ações. Uma mudança de hábito por alguém é uma demonstração de amor imensa. Dedique tempo à sua mãe: faça com que ela se sinta especial, que um tempo dedicado a ela seja parte do seu cotidiano, dessa forma ela não sentirá mais saudades de você mesmo com a sua presença física.

Gostaria de usar esse último parágrafo para desejar um feliz dia das mães a todas essas guerreiras que tanto fazem por nós! Que possamos passar esse dia especial nos tornando filhos especiais para nossas mães. Concluo dizendo: “Mamãe querida, meu coração por ti bate e com certeza é de verdade!”

Yuri Weilemann
Estudante de Engenharia - UCP / Oficina de Valores

1 comentários:

Alessandro Garcia disse...

Sabia que nunca vi o capítulo que finaliza o "festival da boa vizinhança"? Era um do que o SBT nunca exibia.

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