Por: Gustavo

Quero começar com duas ideias bobas que nortearão a reflexão, a primeira: de fato é um elogio dizer que alguém é bom. A outra: as palavras têm variações que nos permitem empregar um mesmo sentido em diversos graus. Explico-me: se digo que algo é belo e outro é belíssimo, saberá quem me ouvir que ambos possuem beleza, mas o segundo mais que o primeiro. Acabam aqui as afirmações óbvias, prometo. E daqui já temos o suficiente pra compreensão do que direi.

Parece-me que o grau último da escala de intensidade da palavra “bom”, segundo os duvidosos valores dos últimos tempos, é a palavra “bobo”. De novo, me explico: aposto que você já conheceu alguém que era tão bom, tão bom e sem “maldade”, que era tido pelos demais como bobo. “Você vai devolver o troco errado? Eles já têm muito dinheiro. Você que é bobo”. “A menina tá te dando mole, não vai pegar? É muito bobo mesmo”. “Se ele estivesse no seu lugar, não perderia a oportunidade de te ferrar, deixa de ser bobo!”. Se você nunca disse, ouviu de si mesmo ou presenciou um diálogo de outras pessoas que contivesse essas frases ou outras do gênero, por favor, me diga onde vive!

A virtude é admirável: coragem, sinceridade, honestidade são alguns dos exemplos de comportamentos quase universalmente valorizados. Mas há uma virtude que tem perdido a luta para seu vício paralelo. Falo do par radicalidade e mediocridade. E na alma que procura ser virtuosoa, talvez essa seja uma das batalhas mais importantes, uma vez que todas as virtudes, se medíocres, perdem em muito a força e o valor. E as táticas de guerra da mediocridade e dos seus, os medíocres, têm sido essas: A ironia, o riso, a ridicularização.

Rir de uma atitude admirável, comentar com ironia e levar outros ao mesmo riso é uma ótima forma de inibir a virtude naqueles que procuram progredir nela. Falo desses “iniciantes na virtude” porque ainda não tem as bases da virtude bem estabelecidas e necessitam de apoio para consegui-lo. Talvez naqueles em quem os valores estão mais arraigados a ridicularização surta pouco efeito, se bem que ache difícil alguém que não se incomode minimamente com um grupo olhando-o como um louco digno de pena e riso. E aí está a força dessa “tática” da mediocridade: o grupo. O ridículo é sempre minoria, ou não seria ridículo. E se o impiedoso grupo em questão tiver qualquer valor afetivo para sua “vítima”, maiores serão os abalos causados na virtude objeto do seu riso. Eis alguns exemplos daqueles que causam maiores estragos, acredito que na inversa ordem de importância: turmas de escola ou faculdade, círculos de amigos, familiares e, pasmem, até mesmo grupos religiosos, que supostamente deveriam valorizar uma atitude virtuosa. 

“Bobo” é aquele de quem se ri. Se ser bom “demais” leva a ser taxado de “bobo”, talvez não seja saudável ir até aí, certo? Errado! Não soframos mais desse engano, pois o valor de uma atitude virtuosa não está no reconhecimento que recebe. Se essa for a procura de quem a pratica, então nunca foi virtude, antes vaidade, uma de suas “adversárias”. E quanto ao incômodo de ser rotulado, o que acontece com todos, mesmo os não vaidosos, digo: quaisquer “títulos” que queriam atribuir a você têm influência na sua vida na medida em que você os permite. E mais: o direito de “taxar” as pessoas de qualquer coisa cabe Àquele que nunca desvaloriza uma autêntica virtude. Como disse Santa Teresinha, perguntada sobre si mesma, “eu sou aquilo que Deus pensa de mim”.

E por último, um conselho para aqueles que procuram uma vida virtuosa: Pra maior parte das coisas nesta vida, a regra é o equilíbrio, inclusive na busca da maneira correta de praticar a virtude. Por exemplo, a autêntica paciência está entre a impulsividade e a passividade. Pra outras situações, vale a regra “o céu é o limite” (com alguma coisa de literal pra nós cristãos) e acho que essa é perfeitamente aplicável à prática da virtude já acertada: uma vez encontrado o ponto certo da paciência (nem passivo, nem impulsivo), vale ser paciente sempre. Vale a pena ser bom sempre. Vale a pena ser honesto, puro, humilde, corajoso... sempre. Repito: vale a pena ser virtuoso sempre e muito!

Gustavo Lima
Estudante de Jornalismo UERJ/ Oficina de Valores

1 comentários:

Rhangel Galvão disse...

Bom demais!

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