Por: Diego
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Muitos devem lembrar-se do dia 30 de junho de 2002. Naquela data, uma manhã de domingo, o Brasil ganhava o Penta em cima da Alemanha. O que para nós é uma lembrança de festa, para os críticos alemães era uma derrota previsível, de um time que não estava bem. Dois anos depois outra derrota, quando a seleção da Alemanha foi eliminada na primeira fase da Eurocopa (uma espécie de Copa do Mundo, mas só com os países europeus). Essas derrotas levaram os responsáveis pelo futebol alemão a uma reflexão profunda sobre sua maneira de jogar futebol, não só dentro de campo, mas também o que acontecia nos bastidores. E a conclusão que tiveram pode nos ensinar uma grande lição de vida: para mudar resultados precisamos de mudanças, para consegui-las precisamos de tempo.

Na nossa vida temos objetivos, metas, desejos que almejamos alcançar. Seja no campo profissional, afetivo, religioso, todos esses nossos objetivos costumam ter uma finalidade em comum: fazem parte da nossa busca pela felicidade. E porque tantas vezes não conseguimos atingir esses objetivos? O estudante genial que não termina a faculdade, o casal com ideais nobres que termina o casamento, o homem que abandona a fé diante das dificuldades. As causas podem ser muitas, mas a maioria delas pode ser resumida num ponto: a falta de constância.

Não cabe aqui fazermos uma análise futebolística, mas vale uma comparação. Numa entrevista ano passado, o ex-jogador alemão Paul Breitner comentou sobre essas mudanças, na qual a maior de todas seria investir no treinamento dos times juvenis dos clubes alemães. Mas seriam necessários de 6 a 8 anos para que os primeiros novos craques chegassem ao nível profissional e isso significa muito trabalho até os resultados serem vistos. Não à toa, o autor do gol do título foi um jovem dessa geração. O resultado dessa Copa de 2014, mais do que bom futebol, foi a recompensa da perseverança.

Não é preciso ter muita idade para entender que os nobres objetivos da vida exigem esforço para serem alcançados. Rafael Llano Cifuentes, num livro chamado A Constância comenta alguns dos pontos que devemos observar caso queiramos ser constantes. Em primeiro lugar devemos saber onde queremos chegar, ter um ideal e objetivos claros. Disse o gato à Alice (em Alice no País das Maravilhas): “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”. É difícil permanecer firme num caminho que não sabe onde vai dar.

E é preciso fazer isso com humildade. Se criamos uma imagem falsa de nós mesmos, seja para vender para os outros ou satisfazer nosso egoísmo, nunca conseguiremos melhorar o que precisamos. Breitner comentou que durante muito tempo a seleção alemã se refugiou nos títulos do passado, de outras gerações, para se auto afirmar como uma das favoritas. Mas apenas quando reconheceu os próprios defeitos foi capaz de corrigi-los. A sinceridade consigo mesmo é um primeiro passo para uma luta eficaz.

Outra questão essencial é sabermos dominar o temperamento. Não podemos depender do estado de ânimo para fazer alguma coisa. Numa cultura que cada vez mais valoriza o menor esforço, fazer algo sem estar com vontade pode parecer pouco espontâneo. Mas se vivermos a espera de motivações emocionais nunca conseguiremos dar sequência a nenhuma atividade, nossa vida será uma mera consequência do que sentimos. Um estudante que estuda para uma prova, mesmo sem vontade nenhuma de fazer aquilo e passa, com certeza prefere o pequeno “contragosto” à grande decepção. Deixar de fazer algo por simplesmente estar desanimado não só nos fará colecionar fracassos, como dificilmente nos trará satisfação a longo prazo.

Isso implica principalmente na luta contra más tendências e inclinações. Uma seleção não ganha a Copa só com bons talentos: é preciso treinamento diário, faça sol ou faça chuva. Não havia no time da Alemanha ninguém que fizesse jogadas geniais como as de Neymar ou Messi, mas grande parte da qualidade do time vinha de um treinamento contínuo. Da mesma forma, a luta para nos superarmos vem do exercício diário. Se as situações cotidianas como acordar na hora, cumprir um trabalho sem adiamentos desnecessários, controlar o mau gênio ou assumir um erro sem inventar desculpas não fazem parte do nosso “treino”, dificilmente quando chegarmos numa final, num desafio ou contrariedade maior, conseguiremos vencer.

Foi dito que a Alemanha ganhou porque tinha mais cicatrizes. Depois de 2002 esteve em 5 semifinais de competições, ganhando apenas a última. Mas em todas as derrotas o time ganhou experiência, maturidade e foi colhendo os frutos que havia plantado durante o caminho. Aprender a perseverar, superar os erros e buscar com paciência, mais do que uma taça é lição essencial para nossa felicidade.

Diego Gonzalez
Estudante de Engenharia de Controle e Automação
Oficina de Valores

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