Por: Gustavo
imagem de: www.serfelizeserlivre.blogspot.com.br

Ninguém em juízo perfeito diria isto, ou diria? Acredite: há quem diga. E isso surpreende porque não há quem não queira: ser feliz, ser amado e ser LIVRE. Não há! Há quem se confunda e não reconheça o que verdadeiramente é a felicidade, o amor e a liberdade. Há quem desista deles diante das frustrações e dificuldades da busca e, entre esses, há ainda quem prefira afirmar que não existem ou “não são tão bons assim” a admitir não tê-los alcançado depois de muito desejá-los. Enfim, ninguém se recusa a ser livre, se pode optar. Só pode haver uma explicação lógica pra se dizer isso...

Os que dizem essa frase, a do título, não sabem o que dizem. Dizem assim, tão sem querer, nas entrelinhas de assertivas que julgam mais coerentes, que nem percebem dizer um absurdo que não expressariam voluntariamente, pelo menos com essas palavras. Dizem, na verdade, “é só um gole”, “só mais dez minutos”, “amanhã eu faço” e por aí vai. Acredito que cada frase dessas daria um texto e por isso fico com uma só, que considero das mais graves: “eu não perdoo...”.Guardar ressentimento é como erigir um altar em nosso coração para um ídolo às avessas, um ídolo a quem se maldiga em vez de adorar, mas, ainda assim, um ídolo a quem se dará tempo “cultuando” com todo tipo de maus sentimentos e palavras. É claramente um mal. Um mal ao “ídolo”, um mal ao seu “fiel”. E mesmo assim, muitos o fazem. Por quê? 

Acredito que seja porque o ressentimento causa algo como uma satisfação interior, como se estivéssemos punindo a pessoa que nos fez mal. É como ver atrás das grades alguém que cometeu um crime contra nós. Sim, há uma grade que nos separa de quem não perdoamos; o problema é que, de olhar fixo no objeto do nosso ressentido “culto”, não percebemos que quem está do lado que aprisionado somos nós. Não é muito difícil enxergar essa prisão em sentido prático: às vezes, evita-se frequentar lugares comuns à outra pessoa ou se fica desconfortável quando estão no mesmo lugar; evitam-se amizades com amigos daquele outro, como se eles compactuassem com o mal praticado, ou se coloca os amigos comuns na desconfortável situação de escolher um lado; e há tantas outras situações que limitam o comportamento, nosso e dos outros, pra que não seja tocada a “ferida”. Sabe quando você briga com um amigo, coisa boba, que logo passa, mas vocês ainda não fizeram as pazes e você sente vontade de ver, falar, fazer uma brincadeira, mas não tem clima (ou coragem). Imagina isso cem vezes pior: é uma prisão ou não é?

Mas a pior das prisões nem é essa mais prática, mas aquela bem interior, bem íntima mesmo, emocional, afetiva, psicológica. Aquela que me faz sentir inseguro ou desconfiado, que não me permite abrir o coração para o novo, com aquela pessoa mesmo ou com outras, em situações semelhantes. Aquela que não me permite a liberdade de dizer que a ninguém desejo mal, a ninguém julgo ou que estou aberto a toda amizade, a todo amor. Aquele medo de viver de novo ou aquele sentimento ruim ao pensar na bendita situação passada, que dificilmente esqueceremos (embora possamos aprender a vê-la com outros olhos e pensá-la com outros critérios). 

Uma perna quebrada não nos permite andar, nem pelo mesmo caminho onde nos acidentamos, nem por outros! E se não permitimos a cura, jamais andaremos de novo. Mas se nos permitimos, no processo da cura, recuperaremos a segurança dos passos aos poucos e ainda guardaremos, por um tempo, um receio especial quanto ao local da queda. Mas isso passa! A necessidade de andar e o fato de fazê-lo de novo, sem acidentes, faz esquecer todo o medo. Assim o ressentimento: não nos permite confiar ou amar, nem quem nos feriu, nem a outros, enquanto não perdoamos. Se não nos permitimos perdoar, jamais confiaremos ou amaremos de novo, pelo menos não muito sinceramente. Mas se nos deixamos ter a ferida curada, recuperaremos a segurança para amar e confiar aos poucos, ainda que guardando certo receio, principalmente de quem nos magoou. Mas logo a necessidade que temos do amor e a experiência maravilhosa que teremos dele nos fará esquecer os acidentes do percurso. 

Apenas como observação gostaria de dizer que, assim como alguns dizem “me recuso a ser livre”, sem querer, dizendo “não perdoo”, alguns dão um passo anterior dizendo “não perdoo” sem saber quando dizem “não guardo mágoa, mas prefiro distância”. A lógica é a mesma. Imagine, se acreditar em Deus, ou pelo menos tente entender a lógica, se não acreditar, que Ele dissesse isso diante das ofensas que Lhe fazemos: “não guardo mágoas, mas prefiro distância”, que vida teríamos? Perdoar não é esquecer, mas é amar como quem não lembra. Guarde-se isso pra que se evitem enganos. 

Agora você não tem desculpas e sabe que ressentir-se aprisiona e perdoar liberta. Não se recuse a ser livre! 


Gustavo C. Lima 
Estudante de Comunicação Social – Jornalismo da UERJ / Oficina de Valores

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