Por: Paulo Vitor

imagem de: veja.abril.com.br

Recordo-me de quando comecei a ter contato com a Internet, bem lá no início dos anos 2000, através de um amigo que tinha ganhado um computador super moderno que usava ainda a maravilha da Internet discada. Sim, além dos joguinhos que o PC oferecia, ainda era possível participar de salas de bate papo, tudo naquela velocidade que a galera já sabe que era horrível, mas pra mim, estava maravilhoso. 

Passado esse primeiro momento, eu e o mundo virtual nos separamos um pouco. Não me interessava e nem conhecia muitas possibilidades nesse sentido, mas sabia que isso mudaria bastante. Finalmente, no mês de setembro de 2004, conheci o até então promissor site de relacionamentos Orkut, por meio de um amigo que tinha uma conta e comentava as atribuições daquela novidade. Como eu não tinha computador e o advento das lan houses ainda não tinha acontecido, fiquei meio na vontade, mas, vez ou outra, me informava do que estava acontecendo no site e logo, com a ajuda de benfeitores, que me fizeram o tão esperado convite, ingressei no mundo das redes sociais. 

Faço questão de citar o Orkut e o MSN, que foram duas maravilhas da tecnologia que encurtaram distancias e colocaram milhões de pessoas em ligação direta com o mundo globalizado. E quase com a mesma força e velocidade que cresceram e se tornaram febre, esses primeiros “brinquedinhos” sociais que tantos utilizaram, foram deixados de lado, quase como se nunca tivessem existido. 

As coisas mudam, o mundo virtual muda, chegam novas tecnologias e propostas, e certos recursos que não podíamos nos imaginar sem, se tornam ultrapassados e inúteis. Interessante como muitas vezes, esse fenômeno cibernético acontece na vida real, nos nossos relacionamentos pessoais. As pessoas ganham status de um deus e com a mesma rapidez com que se tornam “insubstituíveis” passam a ser irrelevantes. Novas escolhas são feitas, e o “bicho gente” passa a ser visto como algo, como uma coisa que pode ser realmente substituída. 

É inegável que os meios que hoje nos são oferecidos são de grande utilidade, é claro que crescemos em poder de ação e desenvolvimento, seja no trabalho, na Igreja ou na própria família. Ninguém há de negar que o tanto de praticidade e entretenimento que temos em mãos, é ótimo. O problema é quando nos esquecemos da boa e velha prudência e do equilíbrio que nos ajuda a controlar os meios, antes de sermos controlados por eles. Nestes 10 anos em que tenho tido contato com este tipo de proposta, sobretudo a que vem por meio das redes sociais, que pra mim são muito importantes, posso afirmar que o problema não está no Facebook, Twiter ou afins. O mal que desses meios tem partido é culpa de quem os utiliza, ou seja, eu e você. Assim como uma faca pode ser maravilhosa para o uso doméstico, a mesma pode se tornar instrumento de assassinato, dependendo de quem a tem. 

No fim das contas tudo isso passa e o que ficará é a solidez dos relacionamentos verdadeiros, aqueles que não dependem de computador para se sustentarem, que bebem da possibilidade tecnológica, mas nem de longe são reféns dela. 

Paulo Vitor Simas
Prof. de Ensino Religioso - Oficina de Valores

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